DESMASCARANDO O EGO

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Quanto mais buscamos o autoconhecimento, mais nos tornamos conscientes das manipulações do ego e dos segredos que ele tranca a sete chaves, nos recônditos mais ocultos de nosso inconsciente. Ao descobrirmos muito de nossas negatividades, nosso lado sombrio e, se aceitamos essa realidade interna, somos capazes de conduzir a negatividade ao equilíbrio. Em determinado momento, quando o ego já se sente mais confortável e com mais poder, ele faz de tudo para nos fazer acreditar que não temos mais nada para encontrar de obscuro dentro de nós, ele quer que pensemos que “já está bom assim”, que tudo o que já descobrirmos a nosso respeito, é tudo de que precisamos.

Enquanto acessamos nossa negatividade, aceitando-a, nossos potenciais e dons naturais que estão aprisionados por trás dela, são liberados. Quanto mais potenciais são liberados, mais o ego se torna satisfeito e poderoso, pois começa a tomar posse desses dons, que pertencem ao nosso Eu Superior, usando-os em seu benefício, para criar uma vida melhor, usando os dons para manipular ainda mais o mundo. O ego não quer que continuemos na jornada interior, pois teme que venhamos a descobrir os recursos sombrios que ele utiliza e que tiremos dele os poderes que, a muito custo, conseguiu assumir. Ele quer vida boa e sem esforços e não quer ser desmascarado.

Cientes disso, devemos buscar meios para irmos além das barreiras do ego. Ele entrará em pânico e fará de tudo para nos interditar. Precisaremos perseverar e prosseguir, a despeito de toda e qualquer dificuldade que o ego venha a manifestar.

Chegaremos a verdades ocultas que não nos agradarão, descobriremos que por trás de nossa condição de vítima, de nosso masoquismo, e de toda a nossa história de dor e sofrimento, lá nas profundezas de nosso inconsciente, existe uma parte de nós que é altamente perigosa, manipuladora, destrutiva, maquiavélica e sádica. No momento desta constatação, ficaremos chocados. Se estamos acostumados ao mundo do inconsciente e se o aceitamos, não nos impressionaremos tanto, mas se fugimos à nossa realidade inferior, negando-a, o impacto será maior.

Enfim, se chegarmos ao ponto da constatação, após o choque inicial, deveremos olhar para essa realidade de forma natural, pois isso faz parte da realidade humana. Para aqueles que disserem que não sabem do que estou falando ou que estejam achando isto um absurdo, aconselho que se perguntem do que estão fugindo e por que estão negando suas raízes negativas. Com humildade no coração e honestidade, asseguro que todos encontrarão essas condições dentro de si, assim como asseguro que isso não é nada abominável, mas sim, algo natural e simples de se lidar. Viver lutando contra si mesmo, na tentativa de provar ao mundo a sua “santidade”, é um ato extremamente destrutivo. A constatação e a aceitação de nosso lado mais sombrio é o caminho que leva ao equilíbrio verdadeiro.

Deveremos apenas nos observar, para que possamos conhecer ainda mais acerca dessa nossa face que estava oculta. Começaremos a perceber o quanto utilizamos esse nosso lado, de forma velada, durante toda a nossa vida, constataremos que enquanto nos sentíamos vítimas nas mãos dos outros, esse nosso lado sombrio estava controlando e manipulando tudo, escondendo-se por trás do vitimismo, para ter poder sobre todos.

Quanto mais nos propusermos a esse conhecimento tão profundo de nossa realidade oculta, mais conseguiremos lidar com ela. Com auto-acolhimento e auto-aceitação, seremos capazes de “olhar para essa face negativa” e dizer a ela que entendemos que, por um tempo em nossa vida, ela foi até adequada enquanto acreditávamos que precisávamos nos “defender e salvar” contra os males do mundo, mas que, a partir de agora, isso não será mais necessário. Antes, ela tinha total liberdade para agir, de forma velada, mas agora que a conhecemos, somos capazes de interditá-la em seus excessos. O caminho adequado é o da amorosidade, sem autojulgamento ou autocrítica.

Se conseguirmos imaginar essa parte de nós como uma “personalidade à parte”, poderemos lidar com ela de forma ainda mais eficaz, e iremos conduzi-la de forma amorosa, firme, determinada e nutridora, para educá-la e colocá-la em equilíbrio. Imagine que você encontrou a parte de si que é controladora, dominadora, tirana, vingativa e cruel, que quer que tudo saia de acordo com sua vontade e que faz de tudo para obter o que deseja. Agora, imagine essa “face” dentro dessa sub-personalidade. Coloque-a “para fora de você”, olhando-a nos olhos, e comece a conversar com ela. Pergunte quais são suas reais necessidades, pergunte por qual motivo ela se tornou assim, questione-a de acordo com o que seu coração lhe guiar. Faça isso com vontade, crie um momento para isso e conseguirá ouvir essa parte de você se comunicando e lhe dizendo coisas que você não poderia imaginar que viesse de dentro de si; ouvirá coisas que farão muito sentido, pois irá perceber que, de uma forma não evidente, tudo que essa parte diz condiz com muitos dos pensamentos que você não gosta de ter.

Diante de toda e qualquer constatação a respeito das necessidades veladas dessa sua face destrutiva, da descoberta do quanto ela prejudicou aos demais e a você mesmo, e do quanto ela tem de planos de vingança e de sede de poder, não se preocupe, mantenha-se tranqüilo, mesmo que esteja abismado com tudo o que está ouvindo, deseje apenas ser o lado que escuta, de forma acolhedora e sem julgamentos. Essa sua face precisa se sentir confortável e segura para se confessar e isso tem que ser verdadeiro em você, pois se ela sentir que você está fingindo que a compreende e a aceita, para depois de sua confissão você castigá-la ou aprisioná-la, por medo do que ela possa fazer, com certeza ela não irá confiar em você e não irá declarar toda a sua verdade.

Se você for firme e corajoso para confrontar a sua pior realidade interna (uma das), apesar do choque que isso traz, ao mesmo tempo, você irá sentir um alívio e uma tranqüilidade que irão acolher sua alma. Isto ocorre, porque você foi honesto consigo mesmo e teve a força de entrar em contato com uma parte da sua realidade humana, que vive na dualidade. Você, então, sentirá que “está tudo certo em conter essa destrutividade”, que não há mal nisso, mas apenas uma realidade humana em manifestação, em busca do equilíbrio.

Diante desta atitude, você sentirá com todo o seu coração, um desejo intenso de educar essa parte de você, de forma a reconduzi-la ao equilíbrio e à luz. Esta parte negativa, em sua essência, é pura LUZ que, ao mergulhar na dualidade, negativou-se e se transformou nessa face destrutiva. Assim, acolhendo-a e aceitando-a, você poderá conhecê-la ainda mais, resgatando seu poder pessoal, para encontrar no seu coração os recursos que carrega para se equilibrar e se iluminar em todos os seus aspectos.

Por: Teresa Cristina Pascotto 

Saiba mais: https://omundodegaya.wordpress.com/misttico/

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