POR ENTRE OS DEDOS

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“Pois que aproveitará o homem, se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” – Mateus, cap.16 – v.26

O que tudo quanto pudermos ter nos valerá, sem equilíbrio e discernimento?
O pouco bem administrado é melhor do que o muito usufruído sem critério algum.
Muita gente anda no mundo com a cabeça trancada em um cofre forte…Outros emocionalmente se abalam, ao menor sinal de queda nas suas aplicações financeiras.
A nossa vida mental não pode repousar sobre o que é transitório, sujeito a mudanças que independem de nós.
Excetuando-se os valores do espírito, todos os demais não são para sempre, desaparecendo com a fugacidade do minuto que passa.
O homem pode adormecer milionário e acordar completamente pobre.
Toda fortuna amoedada se mostra incapaz de evitar a reincidência de um tumor maligno, quando assim determina o carma.
Onde quer que vivamos, com fé ou sem fé, estamos à mercê da MISERICÓRDIA DIVINA muito mais que imaginamos.
Ninguém pode garantir que o seu coração continuará batendo, enquanto dorme.
Quem não encontra tempo para cuidar da sua saúde espiritual enfrentará a morte com maior pavor do que aqueles que nela temem o suposto nada.
Por mais faça para preservá-la, a vida do homem no corpo de carne lhe escapa por entre os dedos!
A própria imagem, que todos observam e admiram refletida no espelho, é um jogo de luzes, que desaparece a um simples toque no interruptor.

Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho – Carlos A. Baccelli / Inácio Ferreira

Via: Regiane Csuraji – https://www.facebook.com/regiane.csuraji

Soltar as Amarras da Personalidade – Osho

 

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Respeite mais intensamente o seu coração.

 Pois através do seu coração surge a única luz que pode iluminar a vida e torná-la clara a seus olhos.

 “…Só uma coisa é mais difícil de se conhecer – o seu coração. Antes que as amarras da personalidade sejam soltas, o profundo mistério do eu não pode começar a ser visto. Enquanto você não sair do caminho, ele não se revelará, de modo algum, à sua compreensão. Só então, e jamais antes, você poderá apreendê-lo e governá-lo. Só então, e jamais antes, você poderá usar todos os seus poderes e devotá-los a um trabalho valioso.”

 

A coisa fundamental a ser entendida é que você não pode conhecer sua própria natureza, seu próprio coração, seu próprio ser, por causa de sua personalidade, por causa de uma entidade falsa que você criou ao seu redor. Vivemos encerrados dentro de personalidades. As personalidades são falsas. Elas são, simplesmente, máscaras, fachadas a serem mostradas aos outros. Mas esse hábito torna-se tão arraigado que você se esquece completamente de sua face original. Mostrando suas falsas faces aos outros, aos poucos você se identifica com elas e começa a pensar que elas são as suas faces. Então, sua face original, sua face real, permanece oculta.

O que quer que você faça, como quer que você aja, seja o que for que você diga, lembre-se sempre de ver se isso vem de seu coração ou de sua personalidade. Distinga claramente. Isso lhe será de grande auxílio na busca interior.

Quando você diz a alguém: “Eu te amo” – de onde estão vindo estas palavras? De onde? Qual é a sua origem? Estão vindo do seu coração? Seu coração está realmente repleto de amor? Ou estão vindo meramente de sua personalidade, de sua face falsa? Você as está dizendo apenas de um modo polido, como uma formalidade, uma etiqueta, ou as está dizendo para expressar algo mais?

Você pode desejar o corpo de alguém, pode desejar sexualmente alguém, mas você diz: “Eu te amo.” Essa afirmação não passa de uma simulação. Seria melhor se você dissesse, “Desejo você sexualmente, mas não existe amor. Seu corpo me atrai, me seduz, mas não existe amor. Pode ser que o amor aconteça, mas por enquanto ele não existe. Estou apenas interessado em seu corpo.”
Mas se alguém disser que é somente o seu corpo que o atrai, você não quererá essa pessoa. Você se esquivará! Dirá: “Que absurdo você está dizendo?” A face falsa precisa estar presente. Só então o corpo pode ser dado ou tomado.

Assim, você continua a cultivar a sua personalidade. Quando se sente magoado, triste interiormente, mesmo assim, você continua a sorrir. Considere se o seu sorriso é apenas um sorriso pintado em seus lábios, um exercício dos lábios ou se ele nasce lá dentro e se espalha pelos lábios. A fonte se encontra em algum lugar lá dentro, ou não há nenhuma fonte, e ele é apenas um sorriso pintado? Quando você sorrir, observe o seu sorriso e poderá saber se ele é falso ou real.

Quando alguém está triste, ou sofrendo, por ter perdido um amigo, a namorada, o marido ou a esposa, aproxime-se dele. Você se mostrará triste e pesaroso. Lembre-se, e observe profundamente em seu interior, se essa tristeza é real, ou se você está apenas aparentando-a enquanto no fundo está enfadado, tentando descobrir uma desculpa para ir embora, ou está pensando em outras coisas e não está de modo algum interessado na pessoa: em seu sofrimento, em sua mágoa. Fique observando isso e conhecerá duas camadas diferentes em seu interior. A camada falsa é a personalidade.

A palavra “personalidade” é muito significativa. Ela se origina da palavra grega persona.Persona significa “máscara”. Nos dramas gregos, os atores usavam máscaras, faces falsas. Essas faces falsas eram chamadas personae. E foi dessa palavra que se originou a palavra “personalidade”. Ela é perfeita. Significa que você está agindo com uma face falsa. Ela não é você. Você está se ocultando por trás da face falsa, porque não pode revelar a sua verdadeira face.

Não estou dizendo para você sair por aí mostrando sua verdadeira face por toda parte. Não é necessário. Em alguns lugares, a persona é necessária. Mas deve ficar claro que, nesses casos, trata-se da persona, não se trata de você. Interiormente, você precisa saber quando está representando e quando é verdadeiro. Você não deve se deixar enganar por sua representação! Não deve se identificar com a sua representação! Eu sei que as faces são necessárias. De outro modo, seria difícil viver em sociedade, muito difícil. De certo modo, as faces são boas. Elas facilitam, servem para lubrificantes. E numa grande sociedade, com tantas pessoas, você não precisa revelar sua realidade por toda parte.

Alguém se encontra com você pela manhã. Você se sente incomodado com esse encontro. Você pensa: “Por que tenho de ver esse homem esta manhã? Sua presença pode estragar todo o meu dia.” Mas, exteriormente, você sorri e diz: “Bom-dia. Fico feliz em vê-lo.” Interiormente, você não está de modo algum feliz!

Contudo, no que se refere à educação, não há nada de errado nisso. Não seria adequado dizer ao homem: “Sinto-me totalmente infeliz. Você estragou a minha manhã. Sua presença é uma ameaça. Receio que, pelo fato de tê-lo visto, meu dia esteja arruinado.” Isso não seria adequado. Desnecessário. Iria perturbar desnecessariamente o outro homem. Não há necessidade disso.

Mas você precisa saber o que é uma máscara e o que é real. Precisa estar ciente daquilo que está acontecendo dentro. O que acontece no interior é o seu ser real e o que acontece na superfície é apenas uma utilidade social. Se você pode fazer uma distinção nítida entre você e sua personalidade, então a personalidade torna-se como uma roupa. Você pode abandoná-la a qualquer momento e ficar nu.

Se você pode abandoná-la, isso significa que você está tão preso a ela que não consegue distinguir-se dela, separar-se dela; não há nenhuma distinção. Essa distinção é necessária para que pelo menos em seu quarto, em seu banheiro, você possa colocar sua personalidade de lado e tornar-se real; pelo menos em meditação, você pode jogar sua personalidade fora e tornar-se real. Ali ela não é necessária.

A meditação não é social. Ela não diz respeito a ninguém mais; só diz respeito a você mesmo. Assim, nenhuma máscara é necessária; você pode ser autêntico. Mas você não pode ser autêntico porque não conhece a distinção. Até mesmo ao meditar, eu sinto que você está fazendo muitas coisas falsas.

Freud se conscientizou – quando iniciou a psicanálise ele ainda não havia se conscientizado disso, mas, aos poucos, percebeu que os pacientes diziam coisas que não eram verdadeiras, apenas para deixá-lo feliz, para confirmar suas teorias porque, quando Freud ficava feliz, eles também ficavam felizes – somente depois de vinte anos de psicanálise foi que ele se conscientizou de que o que os pacientes diziam não era verdadeiro.

Por exemplo: Freud diz que o sexo é a raiz de toda perturbação mental. Os pacientes iam vê-lo e contavam-lhe a respeito de suas perturbações. Então eles revelaram que o sexo era a raiz de suas perturbações. Freud pensava que suas teorias estavam sendo confirmadas por centenas e centenas de exemplos. Só mais tarde, ele se conscientizou de que muitos de seus pacientes estavam mentindo, apenas para deixá-lo feliz, para confirmar sua teoria.

Às vezes, eu sinto a mesma coisa. Quando digo: “Fique louco!” – e você fica louco, sei que você está fazendo isso apenas para me deixar feliz. Mas não há necessidade. Eu já sou muito feliz! Não há necessidade. Não faça nada que não seja verdadeiro, pelo menos em sua meditação – porque ela só diz respeito a você.

Tillich disse, em algum lugar, que a religião é algo que diz respeito ao indivíduo, é um assunto totalmente pessoal de cada um consigo mesmo. Ela não diz respeito a ninguém mais. A religião é individual; portanto, durante a meditação, você não precisa se preocupar com mais ninguém, nem mesmo comigo. Seja verdadeiro. Jogue fora suas máscaras. Qualquer coisa autêntica o ajudará a mover-se para dentro, qualquer coisa não verdadeira o ajudará a mover-se para fora.

Essa é a razão pela qual Shankara chama o mundo de ilusão. Quanto mais você se move para fora de si mesmo, tanto mais você se move na ilusão; e quanto mais você vai para dentro, mais você se move na realidade. Sua personalidade é a porta para a ilusão, para um mundo irreal de sonhos. Livre-se dessa parte, livre-se completamente dessa ponte. Pelo menos na meditação.

Não estou lhe dizendo para ser autêntico ao comportar-se na sociedade. Você ficará em dificuldades. Se tiver vontade de fazê-lo, pode fazê-lo, mas não estou pedindo isso; não me responsabilize. A sociedade lhe criará problemas. Ela não quer as suas faces verdadeiras; quer as suas faces falsas.

Mas, no que se refere à sociedade, não há nenhum problema quanto à isso. Use uma face falsa quando se dirigir para fora, mas quando se dirigir para dentro livre-se completamente dessa face. Não permaneça identificado com ela, não a carregue para dentro. Um dia poderá vir no qual você se tornará tão forte que até mesmo na sociedade você gostará de se comportar com sua face verdadeira, mas isso depende de você. Primeiro olhe para dentro e, pelo menos momentaneamente, coloque de lado sua personalidade.

 

Pois, através de seu coração, surge a única luz que pode iluminar a vida e torná-la clara a seus olhos.

 

“…Só uma coisa é mais difícil de se conhecer – o seu coração. Antes que as amarras da personalidade sejam soltas, o profundo mistério do eu não pode começar a ser visto.”

 

A personalidade age como uma barreira e a luz de seu coração não pode chegar até você. Desfaça-se da personalidade, mesmo que momentaneamente, temporariamente, e a luz o inundará, e você penetrará num mundo diferente: o mundo do coração.

 

“Enquanto você não sair do caminho, ele não se revelará, de modo algum, à sua compreensão.”

 

Você precisa se colocar de lado: sua personalidade, seu ego.
”Enquanto você não sair do caminho, ele não se revelará, de modo algum, à sua compreensão. Só então, e jamais antes, você poderá apreendê-lo e governá-lo. Só então, e jamais antes, você poderá usar todos os seus poderes e devotá-los a um trabalho valioso.”

 

E enquanto você mesmo não entrar em profundo contato com o âmago do seu coração, não poderá fazer nada que seja bom, que seja valioso. Não poderá prestar nenhuma ajuda a ninguém. Tudo o que você fizer, mesmo que seja com boa intenção, criará o mal, porque aquele que faz o mal é ignorante. O que você faz não é importante. Mais importante é quem você é.

Se você é ignorante, se vive em total escuridão – se a luz do coração não penetrou em você, ainda não o preencheu – você pode ter boas intenções, boa vontade, mas tudo o que fizer resultará em mal, porque nada de bom pode vir de um coração escuro. Assim, não tente prestar nenhuma ajuda a alguém, a menos que você tenha alcançado a luz interior. Então, toda a sua vida tornar-se-á uma ajuda. Não haverá mais necessidade de fazer disso um dever; você não ajudará mais a alguém por mera obrigação. Então, a ajuda fluirá espontaneamente de você.

E quando a ajuda se torna espontânea, isenta de qualquer noção de dever, quando ela se torna amor, você não pode fazer outra coisa senão ajudar; quando não há a preocupação de fazer os outros felizes, quando, na verdade, ocorreu o contrário: você está tão feliz que agora a felicidade transborda de você e atinge os outros – só então tudo o que você fizer terá bons resultados.

Se você está repleto de luz, de felicidade, o bem acontece, sem que qualquer boa vontade se faça necessária. Contudo, boa vontade em demasia, sem que haja luz interior, pode ser perigosa aos outros. As pessoas que se ocupam em ajudar os outros, sem possuírem qualquer sadhanainterior, criam muito mal. Toda a sociedade está sofrendo por causa dessas pessoas maléficas que se põem a ajudar os outros sem terem, de algum modo, realizado sua própria luz interior. Lembre-se disto: a primeira coisa é a sua própria auto-realização. Ajudar os outros é secundário. E não pense que, por ajudar os outros, você pode se realizar. É realizando-se que você poderá ajudar os outros, e não o contrário.

 

“É impossível ajudar os outros antes de ter alcançado algum conhecimento de si próprio. Quando você tiver aprendido as primeiras 21 regras e tiver penetrado no Saguão do Saber com seus poderes desenvolvidos e sua inteligência liberada, então você descobrirá que há em seu interior uma fonte da qual nascerá a fala.”

 

“…Essas palavras estão escritas só para aqueles que podem ler o que escrevi tanto com o sentido interior como o exterior.”

 

Lembre-se disto. É impossível ajudar os outros antes de ter alcançado algum conhecimento de si próprio. Resista à tentação de ajudar os outros. Será desastroso, a menos que você tenha algum conhecimento de si próprio. Não tente ser um guru, não tente prestar nenhuma ajuda, porque você causará danos, criará mais problemas. Não se esqueça de que você não pode ajudar, não pode orientar ninguém, a menos que tenha alcançado a luz interior. Quando a luz interior está presente, a ajuda, a orientação, fluirá de você.

Resista à tentação. A tentação é enorme porque o ego se sente muito satisfeito. Alguém lhe pede um conselho. Você é tentado a dar o conselho sem saber o que está fazendo, sem estar consciente de que não sabe. Se alguém lhe pergunta se Deus existe, você não é suficientemente forte para dizer: “Eu não sei.” Você diz alguma coisa. Ou diz: “Sim, Deus existe. Sou um crente” – ou então “Não, Deus não existe. Sou um descrente” – mas, em ambos os casos, você deu a sua opinião. Em ambos os casos, você confirmou algo que não sabe.

Lembre-se disto: trata-se de um ponto básico, muito importante a qualquer buscador espiritual: confirme aquilo que você sabe realmente. Se não sabe, é melhor dizer: “Não sei.”

Uma vez perguntaram a Albert Einstein: “Qual a diferença entre ciência e filosofia?”

Sua resposta foi uma das mais sábias. Ele disse: “Se você procurar um cientista e lhe fizer uma centena de perguntas, para noventa e nove dessas perguntas ele lhe dirá: ‘Não sei.’ Apenas a uma delas ele dirá: ‘Eu sei.’ Contudo, acrescentará: ‘Mas trata-se apenas de um conhecimento relativo. Amanhã ele pode mudar. Não é absoluto.”

“Se você procurar um filósofo e lhe fizer uma única pergunta, ele lhe dará uma centena de respostas. E com absoluta convicção de que essas são as respostas corretas. Se alguém der alguma outra, será escorraçado. O filósofo dirá: ‘Ele está errado!’.”

É por isso que a filosofia não leva a parte alguma. Respostas e respostas e respostas não levam a parte alguma. Tantas respostas para não responder nem mesmo a uma única pergunta. Falta o fundamental: o filósofo não é bastante forte para dizer: “Não sei.”

O cientista é mais forte. Ele pode dizer: “Não sei.” E mesmo quando ele diz: “Eu sei” – acrescenta: “Até o momento isto é considerado verdadeiro. Mas nada posso dizer quanto ao amanhã. As coisas podem mudar, muitos fatos novos podem se tornar conhecidos e então a verdade terá de ser reajustada.”

Eu gostaria de dizer que a ioga também é uma ciência; não é uma filosofia. A meditação é uma ciência; não é uma filosofia. Lembre-se disto: não dê nenhuma orientação a ninguém, a menos que você tenha algum conhecimento, alguma experiência. E, mesmo nesse caso, não deixe de dizer aos outros que “essa é a minha experiência. Pode não ser assim para você. É a maneira pela qual eu cheguei a isso. Seu caminho pode ser outro; isto pode não se mostrar verdadeiro para você. Portanto, não siga o meu conselho cegamente. Você pode experimentá-lo. É uma experiência aberta.”

Então você pode ser de alguma ajuda. De outro modo, poderá criar perturbações. Não se deixe levar pelas tentações. Não aconselhe, a menos que saiba realmente. Não oriente. Primeiro, seja um discípulo; não tente ser um mestre. Um dia você será um mestre. Quando tiver se tornado um discípulo total e completo, o mestre emergirá de você. Mas não antes desse momento, não antes desse tempo. Aguarde. O tempo virá.

Por: Osho – A Nova Alquimia

Via: Metamorfose – Centro de Desenvolvimento Integral – http://www.centrometamorfose.com.br/

TUA HORA DE HUMILDADE

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Se ainda te observas distante de viver a humildade continuamente em todas as horas do dia, podes vivê-la uma hora diária pelo menos…

Traça o teu programa diário de humildade iniciante. Escolhe uma hora dentre as horas de cada dia a fim de aperfeiçoares os próprios sentimentos, exercitando a maior conquista do espírito – a humildade.

Que nessa hora te despreocupes da pressa, da convenção, do calculismo, das inquietações contumazes e de ti mesmo, para que te adestres no sacrifício, na indulgência desinteressada, na solicitude fraterna e na cooperação espontânea.

Será essa a tua hora de procurar o último lugar, a hora de te apagares para que se eleve o brilho dos outros…

Em tua hora de humildade constituir-te-ás em médium do amor de Cristo entre os homens; serás, especialmente, o servo de todos, o irmão comum, a partícula viva e anônima que se funde no todo da Humanidade, sem qualquer amor-próprio ou interesse pessoal.

Que olvides, nesse lapso de tempo, toda tisna de vaidade, todo propósito de personalismo e até as mínimas excitações acerca do futuro para viver o presente, o dia que flui, os momentos de teu serviço puro!

Nessa hora sê bom acima de ti, acima de tudo, acima de tuas próprias vantagens, para que teus sorrisos abram outros sorrisos, para que tua palavra confiante semeie outras palavras de esperança, para que tua vontade de acertar alicie outras vontades para a renovação maior.

Anula nesses sessenta minutos a tensão emocional a respeito de títulos, condições sociais, inclusive a censura a ti próprio, no que tange à defesa do teu lugar ao sol…

Que a tua hora de humildade seja cultivada esmeradamente, cada dia, nos lugares em que deva ser exercida para favorecer-te a ascensão espiritual, seja no escritório, na via pública, no entendimento entre amigos ou na intimidade do lar…

Que nesse interregno respires acima de todas as conveniências individuais, fazendo maiores concessões ao próximo, superando o temperamento, procurando usar mais ampla docilidade com quem te não compreende, buscando acertar onde ninguém ainda o conseguiu, diligenciando efetuar os mais difíceis serviços de fraternidade, testemunhando o bem na escala que ainda não pudeste e relembrando que o teu corpo, em dia próximo, regressará, inelutavelmente ao pó de onde veio.

Recebe no coração a visita do Senhor, ainda que por breves minutos durante o dia.

Começa a ser humilde, abolindo todo desculpismo e conquistando o tempo necessário para a tua hora de humildade e acabarás incorporando em ti mesmo os valores supremos do benfeitor maior que, na conceituação do Cristo, será sempre aquele que se fizer o servidor de todos.

Por: André Luiz Waldo Vieira

DESTA VEZ O JEITINHO BRASILEIRO NÃO NOS SALVARÁ

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Atualmente vivemos momentos adversos, com intensos conflitos e dificuldades em todo o Mundo.

Sabemos pelos registros históricos/fatos que é desta forma que praticamente a civilização vive desde seus primórdios.

É impressionante como o ser humano quase sempre só faz algo verdadeiramente edificante para consigo, sociedade e o mundo ao redor, quando a corda está no pescoço.

Os seres humanos não sabem o que é a Paz verdadeira, podemos dizer que sempre vivemos períodos entre-guerras de todos os tipos, desde as guerras religiosas, culturais, sociais, raciais, territoriais, civis, militares e assim por diante.

Até quando o ser humano precisará ir até o fundo do poço para agir com amor, respeito e ter o verdadeiro ato de humanidade para com os seus semelhantes e seres vivos da Terra?

Aqui no Brasil, o buraco é mais embaixo. Um país relativamente novo com um pouco mais de 500 anos de descobrimento (moderno), não esquecendo que o mesmo já era habitado muito antes pelos povos nativos daqui (os índios), dos quais foram praticamente dizimados por seus recém chegados desbravadores.

Atualmente no Brasil, não há guerras como conhecemos pelos noticiários em todo o mundo, como as que acontecem em alguns países da Europa, Árabes, Asiáticos, Africanos e também pela máquina de fazer guerra, Estados Unidos da América.

No Brasil a guerra é outra, ela é diária para os cidadãos brasileiros de bem.

Nesta guerra todos nós perdemos sem exceção, é a corrupção política e governamental que praticamente se tornou uma regra por aqui e assola de forma devastadora toda esta nação!

Em um país que corrupções, roubos, ingerências, impunidades, injustiças e uma série de outras situações que acontecem negativamente de forma desenfreada por essas bandas, fica muito difícil ter esperanças para o cidadão brasileiro de bem, viver em um lugar melhor.

Não é questão de negatividade e sim uma visão realista de nossa história recente e atual, não será possível ter um país melhor sem uma reviravolta profunda, comprometida, constante e definitivamente séria.

Não há mais tempo para esperar e já passou da hora de agirmos…

Agora agirmos contra quem? Contra o quê?

Primeiramente contra nós mesmos, nosso país é nosso reflexo interno. Existe algo de muito errado em aceitarmos tudo isso e algumas vezes dizendo: “Ah… Aqui não tem jeito mesmo, não tem o que fazer! Esse país é uma vergonha! Nós somos uma piada para o mundo inteiro.” E assim vai…

De alguma forma esta nação ainda está de pé e não por causa dos políticos/governantes deste país, e sim, pelos brasileiros de bem e trabalhadores de verdade. Os brasileiros conseguem sobreviver e produzirem por méritos próprios sem nenhum auxílio de medidas políticas/governamentais efetivas.

Imagine se tivéssemos uma política mais humana, justa, moderna, eficiente e coerente com as necessidades do povo brasileiro, como seria esse país?

Se realmente dependêssemos das políticas e governanças brasileiras para fazermos algo em nossas vidas, estaríamos muito mais do que no fundo do poço.

Estamos pagando um preço muito alto pela negligência conosco e para com o país. Não precisa ser gênio para ver todos estes problemas, são mais do que tragédias anunciadas, são uma realidade para nossas vidas. Muitas destas situações não terão reversão a curto e médio prazo, somente com muita fé, sorte e fundamentalmente trabalho poderemos sair desta situação em um longo prazo.

E afinal quem paga e ou pagará essa conta?

Hum… Acho que somos nós mesmos!

O jeitinho brasileiro desta vez não nos salvará, somente irão restar as consequências de nossos atos e omissões. Ação e Reação, simples assim, sem castigos, somente reações.

O Brasil pode ser país abençoado por Deus, mas será que em contra partida foi amaldiçoado por seus políticos?

Agora eu pergunto, em geral, o brasileiro sabe votar?

Ele tem opções para votar bem?

Existem políticos/governantes que possam nos representar?

O que acontece na verdade é que o modelo político nacional está totalmente arruinado, incorreto, ultrapassado, infestado de corrupção e se não for feita uma real reforma política neste país, nós seremos apenas uma sombra/poeira do que todos os o brasileiros honesto fizeram por esse país até agora.

O brasileiro tem determinação, coragem, trabalha, se adapta, é confiante, resiliente e tem mais uma série de outras qualidades, mas agora precisa colocar as mãos a obra.

Já na minha especialidade, como espiritualista e reencarnacionista, sei que ninguém aqui é brasileiro, norte americano, inglês, japonês, indiano, coreano, africano, francês e assim por diante, todos nós somos ESPÍRITOS ENCARNADOS em corpos humanos por um determinado tempo vivendo outra vez uma experiência humana, mas daí não fazer nada com o que acontece de ruim/errado no país em que você está encarnado, isso é ser conivente, negligente, concordar/assinar em baixo e contribuir com tudo isso.

Um dia esse país será um lugar mais digno, respeitoso e humano para se viver, infelizmente o Brasil ainda continua sendo um país da promessa, somente isso, uma promessa.

Por que será que você encarnou aqui e não em um país de 1º Mundo?

Quais são as emoções, sentimentos e pensamentos que são despertados em ti vivendo neste país?

Será que estamos aqui de bobeira, por acaso?

Lembre-se: Ninguém encarna/nasce no lugar e na família errada.

Eu vou ficando por aqui e fazendo minha parte para um país e um mundo melhor para se viver, mesmo que seja uma pequena gota no oceano. Quem sabe uma pessoa que leia estas palavras se inspire a fazer sua parte também em busca de um país e mundo melhor.

Já faz alguns anos que eu acredito que nós não deveríamos mais nos preocupar com os futuros habitantes e sim focarmos para o nosso presente, pois sem presente, não existirá futuro.

Pra mim o futuro já é agora e se não acredita nisso, reflita: O Brasil tem aproximadamente 12% das reservas de água doce do mundo, considerado o país com a maior reserva de água doce do mundo e mesmo assim estamos praticamente sem água.

E quem causou tudo isso?

Deus?

Diabo?

Não!

Simplesmente o homem e seu modelo de vida altamente destrutivo para o Planeta!

Alcançamos grandes avanços na ciência e tecnologia nestes um pouco mais de 100 anos, mas esquecemos que fazemos parte da natureza e não a natureza faz parte dos seres humanos.

Dê sua contribuição para um país e um mundo melhor “praticando/fazendo” o bem aos seres vivos, semelhante e a natureza. Estes já são importantes passos para ir além do próprio Ego.

Façamos nossa parte e que Deus ilumine nossas consciências espirituais.

Jefferson L. Orlando


* Jefferson L. Orlando – Psicoterapeuta Reencarnacionista, Escritor, Apresentador do Programa Sol do Everest (Canal YouTube), Colunista do site Somos Todos Um (Stum) e Horóscopo Virtual (UOL), Palestrante, Ministrante, Outorgado pela Magia Divina, Projetor Extrafísico e Espiritualista. Seu objetivo é auxiliar as pessoas a encontrarem seu caminho de evolução consciencial, desenvolvimento da espiritualidade, missões de alma, prosperidade e alegria plena em suas vidas. Reside e atende em São Paulo/SP com a Psicoterapia Reencarnacionista, Regressão Terapêutica (Método ABPR – Conduzido pelos Mentores Espirituais) e Bioenergético Anímico-Mediúnico através das Mandalas pela Magia Divina.

Site: www.soldoeverest.com.br
Canal Youtube: www.youtube.com/soldoeverest
Instagram: www.instagram.com/soldoeverest
E-mail: jefferson@soldoeverest.com.br

SERÁ QUE JÁ SOMOS CIVILIZADOS?

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Uma das coisas mais fundamentais para ser sempre lembrada é que estamos vivendo numa sociedade hipócrita.
Uma vez foi perguntado a um grande filósofo: “O que você acha da civilização?”
O filósofo respondeu:
“É uma boa idéia, mas alguém precisa transformar a idéia em realidade.”

A civilização ainda não aconteceu. É um sonho futuro. As pessoas que estão no poder – político, religioso, social – estão no poder porque a civilização ainda não aconteceu. Um mundo civilizado, um homem amadurecido não necessita de nenhuma nação. Todas essas fronteiras são falsas. Não necessita de nenhuma religião, pois todas essas teologias são simples ficções.

As pessoas que estão por milhares de anos no poder – os sacerdotes, os políticos, os bilionários – possuem todos os poderes para impedir a evolução. Mas a melhor maneira de fazer isso é convencer o homem de que ele já é civilizado. Convencer o homem que ele já é um ser humano, que você não necessita passar por nenhuma transformação, que isso é desnecessário.

Milhões de pessoas morreram acreditando que a civilização já aconteceu. Assim a primeira coisa que quero que vocês compreendam é que ainda somos bárbaros, não seres humanos, pois somente bárbaros podem fazer o que estivemos fazendo por milhares de anos.

– Osho, em “Sermons in Stones” # 26 –

O SAGRADO MASCULINO – A SABEDORIA DO HOMEM SAGRADO

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Assim como as mulheres os homens também tem seus ciclos e é muito importante tanto para os homens como para a sua companheira, conhecer o seus ciclos honra-los e respeita-los.
O ciclo do homem é ligada a energia do nosso pai o Sol.
E esta intimamente ligado as quatro estações: primavera, outono, verão, inverno. Sendo que nas estações de maior luz solar e calor o homem restaura sua força: primavera e verão.
Então sabendo disso o homem sabe que a estação do mês para ele abrir novos negócios e fazer mudanças em sua vida é sempre a primavera, porque é a estação mais favorável para um homem sagrado adquirir força e poder. O verão é onde atinge seu ponto mais alto de poder, esta estação é muito favorável para ser eleito pela mulher amada.
No outono é a estação de se recolher, voltar para o útero da mãe terra, se preocupar em ajudar a mãe terra, servir de adubo para a vida na terra, se preocupar em conscientizar as pessoas sobre ecologia e ajudar a mãe terra a se fortalecer. Seu Ciclo como todos os ciclos representam o ciclo da vida, nascimento, crescimento, envelhecimento e morte.
Os homens passamos por esses ciclos de Nascimento, Morte e Renascimento ao longo do ano. Porque os ciclos masculinos diferente do feminino é anual.
O homem que entende seu ciclos e age de acordo com eles, segue o fluxo da natureza. Com isso obtém maiores resultados em sua vida no geral. E respeitando agindo dentro dos seus ciclos, ele faz a roda de sua vida girar, de forma fácil, harmoniosa, deixando a força do sol e das estações anuais o auxiliarem em suas conquistas em pró de si mesmo e em pró do planeta.
Porem essa informações foram praticamente escondidas dos homens, com isso podemos ver que o sistema patriarcal não prejudicou só as mulheres, prejudicou muito aos nossos irmãos do sagrado masculino que foram obrigados a nascerem em um sistema doente e perderam muito do conhecimento sagrado que antes tinham sobre eles mesmos, um destes conhecimentos era marcar os seus ciclos e de vivê-los de maneira total.
Em cada ciclo o homem tem o amparo de alguns Deuses o que nada mais é do que os arquétipos da luz, ou seja a representação da divindade com energia masculina, esses arquétipos vem para ligar nossa sacralidade com a sacralidade divina. Então em cada estação o homem pode pedir auxilio a uma das forças do Deus pai, bem como pedir auxílio o ano inteiro ao pai Sol:

Inverno – Hórus (como criança)
Krishna (como criança)
Hades
Osíris
Shiva
Criança Solar
Set
Ull (ou Wulder)

Primavera – Adonis
Brahma
Dionísio
Eros
Himineu
Cernunnos
Marduk

Shu
Verão – Apolo
Hórus (como Falcão Solar)
Dagda
Hélio
Khepri

Lugh
Zeus
Hanumam
Agni
Cernunnos
Surya

Outono – Adonis
Dumuzi
Tammuz
Osíris
Merlim
Odin
Shu
Anúbis
Thot

É muito importante também que o homem honre e respeite os ciclos de sua companheira, procure conhece-los para assim poder fazer, porque isto também faz parte da natureza tanto do homem como da mulher,isso é estar em harmonia com o pai sol e com a mãe terra.

Assim como as mulheres os homens também podem ter um diário.
neste caderno ele anota suas experiências que teve o ano todo buscando observar como se sentiu e que resultado ele teve em cada estação do ano e em dias com mais ou menos sol. Esse diário é maravilhoso porque faz o homem entender melhor seus ciclos, sabendo nos anos subsequentes qual são os momentos que sua ligação com a natureza lhe são favoráveis. Também pode anotar suas meditações, sonhos, trabalhos com plantas de poder e tudo que o liga com sua espiritualidade e poder da natureza. Este diário tem um nome, chama-se Diario Solar

Por: Carlos Caruso – Via Sagrado Masculino

As quatro faces da Deusa – Quando as quatro faces do masculino descobrem sua contraparte…

fases

O mundo contemporâneo assiste a transformações intensas e rápidas.

Quase que diariamente  modificações importantes ocorrem nos mais diversos setores.

Crise é uma palavra repetida e sentida em todos os meios.

Estamos vivendo os efeitos devastadores de um modo de vida que se mostrou não natural, não ecológico e não evolutivo.

Vivemos destruindo nossos recursos,  ignorando o bem estar das próximas gerações.

O velho procedimento de muitos povos indígenas segundo o qual cada ato deve ser pensado em suas conseqüências  até a  sétima geração perdeu-se completamente  neste mundo consumista e imediatista.

Quantos  compreendem que a Terra é como um aquário,  com recursos finitos?

Fome, doenças, guerras, destruição ambiental,  crises sociais, enfim uma longa lista de desequilíbrios pode ser aqui  descrita.

Mais do que nunca necessitamos estar plenos em nós mesmos para lidar com esses desafios e ainda realizarmos algo na busca de um equilíbrio maior .

Que mundo deixaremos para nossos descendentes?

As graves questões levantadas pelo nosso dia  a dia não podem ser respondidas satisfatoriamente enquanto continuarmos a ser esses entes fragmentados, neuróticos, isolados de nós mesmos.

Temos que recuperar nossa totalidade se desejarmos de fato  auxiliar nessa guerra entre as forças da consciência e da inconsciência que é travada instante a instante.

A crise que o mundo atravessa tem uma de suas causas  na negação do feminino.

Portanto a volta do feminino não deve  ser encarada como um  fenômeno passageiro, uma excentricidade ou um movimento inovador, descontextualizado .

É  antes de mais nada o equilíbrio se restabelecendo.

Este ponto é fundamental .

Quando o feminino foi perdido, quando as doutrinas patriarcais subjugaram as velhas tradições e impuseram seus valores limitados ao mundo, não foi apenas a mulher que perdeu.

Nós homens também muito perdemos,  pois cada homem traz dentro de si a  ânima, aspecto complementar e importante de sua psique que mal trabalhada nos torna menores e menos humanos.

Quando a Deusa foi oculta e seu arquétipo deturpado pelo clero machista e patriarcal, não apenas a mulher   deixou de ter acesso ao seu imenso potencial , como nós homens, também  perdemos uma parte profunda de nós  o que nos tornou menos homens, nos reduzindo a máquinas , a  machos,  machucados  por termos perdido parte de nossa realidade.

E desde então seguimos desanimados por termos sido subtraídos de aspectos de nossa ânima.

O renascer do feminino.

Após tanto tempo dominados por uma cultura patriarcal que nega os valores femininos e leva a uma abordagem linear e fragmentada da realidade estamos vivendo novamente o renascer do feminino em nossa cultura.

Exausta  após uma longa dominação  por paradigmas que nos levaram a esse momento onde  vivemos sob a ameaça de  extermínio não só da raça humana mas de toda a vida , a crise ecológica sem precedentes, o caos social, observamos a humanidade em busca de novos caminhos.

E sendo o feminino a contraparte natural do masculino e mais ainda, a força predominante da natureza  é sua volta que marca  um passo real na busca desse equilíbrio perdido.

Há uma relação dinâmica, podemos dizer dialética, entre os princípios feminino e masculino  e qualquer subjugação de um pelo outro resulta em desequilíbrio, em desarmonia.

Mas como nós homens podemos   participar dessa  volta do feminino?

De que forma nós, Xamãs desses tempos, percebemos tal movimento?

O 4 é um número sagrado.

Para todas as culturas, em vários  locais e em várias épocas vamos encontrar o  4 como número  símbolo da base e da estabilidade.

Assim temos as quatro direções, os 4 elementos e tantos outros níveis de manifestação do 4.

As 4 faces da Deusa, entendendo por Deusa uma símbolo da energia feminina.

Mas o que é a energia feminina?

Como ela se distingue da masculina?

Antes da diferenciação, antes da vinda do  Yin e do  Yang , do homem e da mulher,  há o Tao,  o andrógino que em si reúne as duas polaridades.

Em primeiro momento onde há apenas um Todo indiferenciado a vagar em si mesmo.

Então num certo momento esse Todo emana de si mesmo e a manifestação tem início.

O Todo emana uma parte de si mesmo.

O grande Dragão indiferenciado  bota um ovo e o envolve.

Desse ovo nasce o mundo tal qual o compreendemos.

Neste processo  surge em primeiro plano a energia  indiferenciada,  andrógina, plena.

Depois num outro momento ocorre a diferenciação , quando dois aspectos desse mesmo Todo tomam  forma e aqui encontramos  o primeiro masculino e o primeiro feminino.

Temos que ter muita sutileza para realmente compreender esse processo, pois os referenciais  de nossa cultura podem nos confundir , uma vez que eles desprezam, de forma explicita ou implícita o feminino.

A energia que estimula a vida é tida como masculina, e a que gera como feminina.

É dialética a relação que se estabelece entre essas duas forças, nenhuma é mais importante ou mais  “potente”.

São complementares, oriundas e impregnadas da mesma fonte, apenas aspectos diferentes no mundo da manifestação.

Dimensão, dois, di, tudo que o que aqui se manifesta é  dual.

Masculino e Feminino são  dois  momentos de manifestação da  inenarrável energia original da qual emanamos, a mesma que mais tarde vai ser usada pelas  hierarquias criadoras para  criar mundos e seres.

Em 4 momentos vamos encontrar essa energia.

Podemos tecer analogias.

As  4 estações,  as quatro fases da lua. Os quatro momentos do dia: manhã, tarde, noite e madrugada.

Assim encontramos as 4 faces dos Deuses e das Deusas.

O menino, o amante, o pai e o ancião.

A menina, a amante, a  mãe e a anciã.

Cada um desses aspectos revela no homem e na mulher  uma manifestação da Totalidade em si.

Temos cada um  desses quatro aspectos em nós, mas cada um  tem um desses aspectos mais  forte, mais ativo em nossa psique.

Em nossa vida passamos por estes quatro aspectos.

Podemos  chamá-los ; infância, juventude, maturidade e velhice.

E podemos vive-los de forma mais ou menos intensa e consciente, mas eles estão em nossas vidas se nós estivermos de fato vivos(vivas)  e não apenas sobrevivendo como é mais comum.

Uma coisa que perdemos em nossa cultura ocidental, vamos chamar assim a esta cultura dominante que hoje nos escraviza com seus (pré) conceitos,  são os ritos de passagem.

Deixamos de marcar, comemorar e ritualizar, os momentos de passagem de um estado para outro.

Assim o menino e a menina não mais percebem quando deixam esse estado e se tornam jovens, e o adulto não mais  tem sua entrada nessa fase marcada por ritos que re-atualizam suas lembranças de estar numa nova fase de sua vida, tão pouco a  idade da sabedoria é marcada por algum sinal.

Com esta ausência dos ritos de passagem, perdemos nós enquanto indivíduos e perde a sociedade como um todo por deixar de ter pessoas realmente integradas em seu seio.

Essa perda dos ritos de passagem,  os quais ainda existem nas  culturas chamadas primitivas, priva-nos de perceber nossa sincronicidade com o  Transcendente e com os arquétipos universais .

E nos impedem de mergulhar em nós mesmos e descobrirmos as faces do Deus e da Deusa em nosso interior.

E como compreender  a Divindade  quando a ignoramos em nós mesmos?

Cada mulher traz o ânimus em si e cada homem traz a ânima.

Não podemos mais seguir com  a vida , assim tão desanimados , como vemos as pessoas em nosso cotidiano.

É necessário re-atualizar nosso elo com a Totalidade  e só como seres completos podemos realizar esse rito de união.

Portanto a redescoberta do feminino não é um caminho apenas das mulheres.

Houve uma perda para nós homens também e a nós cabe uma jornada iniciática de recuperação de nossa ânima.

Há ainda outro ponto importante.

Fala-se muito na perda do feminino e na sua volta, no seu redescobrir.

Mas quem disse que  temos o masculino de fato presente?

Pois a cultura dominante é segmentada, neurótica e esquizofrênica, realmente patológica.

Se  um indivíduo fosse clinicamente  considerado incapaz de viver em harmonia no seio da sociedade e seus atos representassem perigo à vida e ao bem estar de sua coletividade, nós não  cuidaríamos para que fosse internado e não pudesse ter  acesso a qualquer  meio de tornar reais as ameaças que nele vemos expressas?

Dentro deste princípio simples, só nossa profunda  ignorância do valor da vida nos leva a aceitarmos os governos estabelecidos , com sua loucura suicida  e desequilibrada.

Temos que compreender que não está o masculino  de fato presente em nossa cultura.

A cultura dominante é hoje regida por um clero patriarcal e  neo cristão.

Seus valores são anti ecológicos, predadores, valorizando uma relação parasitária com outros povos e nunca  optando por saídas inteligentes que envolvessem o comensalismo ou a simbiose.

A guerra foi transformada numa industria e uma grande parte dos recursos naturais  e muitas   mentes brilhantes estão empregados agora em  construir armas com maior capacidade de exterminar a vida, ao invés de preservá-la.

E através de uma intensa campanha  de propaganda valores falsos são impostos à pessoas despreparadas para tal  “lavagem cerebral”   via mídia.

Assim o homem perde sua  condição original e se torna apenas um macho.

E o macho não é homem, não é pleno, é  doente, machucado, por negar o feminino que traz em si.

Escondendo a dor de sua incompletude  em atitudes belicosas, em lutas pelo poder, o poder sobre outros , pois é incapaz de ser senhor de si mesmo.

Incapaz de amar, pois não ama a si mesmo,  está só, frustado e carente, escondido nas máscaras de senhor e de poderoso, mas , como o mágico de Oz, é apenas uma criança projetando uma falsa imagem. Infelizmente sem a sensibilidade deste.

Raros homens conseguem realmente amadurecer.

A maioria  estaciona na fase da puberdade e ficamos assistindo a seus jogos adolescentes por toda a vida, mudando o nível do jogo, mas ainda em disputas dentro de valores de ter e se firmar perante o meio, respondendo a padrões  completamente adolescentes e imaturos.

O ser humano está incompleto.

E incompleto não consegue a harmonia.

Não encontrando  sua contraparte dentro de si mesmo, não a reconhece no exterior.

Privando-se de um real contato com  as mulheres à volta, apenas usando das fêmeas que conhece para  que os impulsos biológicos determinados pela raça se satisfaçam e suas imensas carências tentem ser sanadas.

Então a sexualidade acaba se tornando uma outra arena de poder, onde o prazer , orgasmo pleno entre os parceiros é  perdido.

Isolados de sua plenitude homens e mulheres,  robotizados, menos que humanos, caminham em vidas estéreis, sem amor,  em jogos de  poder e dominação, de insegurança e medo, por não estarem completos em si mesmos e assim buscam fora o que está dentro de si .

Convido assim você que lê este texto a mergulhar comigo nas  questões que pretendo aqui trazer a tona, a não apenas ler , mas a meditar de fato, a dar sua opinião e enriquecer esse debate.

Um exemplo claro  está na lenda de antigos povos  da região do médio oriente,   recontadas pelos hebreus.

Nesta lenda  o homem, a mulher e a serpente são símbolos para os três centros que trazemos em nós.

Assim  a  serpente  é quem indica  à mulher algo que esta transmite ao homem.

Por conta dessa lenda e da interpretação literal de seu simbolismo  ficou a mulher marcada em todas as  religiões que mais tarde surgiram dessa tradição  como um ser  inferior através do qual o  ‘pecado’ entrou  no mundo.

Isso está profundamente gravado na psique de muitos povos e é difícil dar o primeiro passo que  é  entender ser essa lenda um símbolo,  uma   alegoria.

Em muitos outros povos as lendas foram deturpadas e a mulher foi afastada de sua essência pelo medo das forças patriarcais dominantes.

Como povos indígenas brasileiros, que contam de Jurupari.

Antes dele só as mulheres podiam exercer os ofícios mágicos, mas ele veio e  roubou delas o poder, e agora as flautas mágicas não podem ser vistas ou tocadas pelas mulheres, só pelos homens em suas festas.

Esse afastamento da mulher do núcleo das religiões sempre foi justificado com essas interpretações equivocadas das lendas antigas.

Como bem coloca Freud temos uma educação religiosa muito intensa quando ainda somos muito novos e nossa educação sexual em contrapartida é  atrasada.

E  hoje, na  erAIDS se ensina  sexo sob o signo do medo, da Morte, quantos “ orientadores  sexuais” frustados e  irrealizados em  sua  própria  sexualidade  estão hoje  ensinando adolescentes  que  sexo é morte, é medo. Eros confundido  com  Thanatos  e  Fobos.

E religiosamente transformamos  belos mitos em moralismos  tacanhos .

Conceitos complexos são apresentados antes que nossa mente esteja madura para com eles lidar.

Por isso fica difícil lidar com tais idéias, eles estão armazenados em níveis pré racionais, cercados de medo.

O primeiro passo para podermos mergulhar na questão do feminino é  desfazer em nós mesmos essa confusão que nos  deram como parte de nossa educação.

Raríssimas pessoas conseguem escapar dessa armadilha.

Mas sem sair dela tudo o que podemos alcançar intelectualmente pode se desfazer subitamente.

Portanto mergulhar no feminino e resgatar seus valores é  enfrentar os paradigmas que fizeram da civilização euro-burguesa que nos domina  aquilo que ela é hoje.

Sim ,  resgatar  a  princesa  oculta no fundo da caverna é enfrentar os monstros que deixaram  a guardá-la.

É uma verdadeira jornada iniciática, em busca da  princesa que dorme na alta torre, ornando-lhe   a fronte ,uma grinalda de hera.

E o buscador a principio é dela ignorado, ele para ela não existe, ela para ele é ninguém.

Mas um dia, após vencer a estrada e os perigos que nela estavam, ele poderá entrar na torre, levar a mão , erguer a hera, e descobrir que ele mesmo era a princesa que dormia.

Essa frase, transcrita de um poema de Fernando Pessoa mostra bem a fundamental  importância desse reencontro com o feminino.

Yin e Yang são conceitos complexos.

Eles  indicam polaridades e não devemos nos esquecer que  o Yin traz o jovem Yang dentro de si e o Yang traz o jovem Yin dentro de si.

Não se opondo, mas se complementando,  se substituindo na dança cósmica da manifestação universal. Uma dança, um fluir por momentos da existência .

Como numa equação de balanceamento químico, se alteramos qualquer dos dois lados do processo o Todo sofre com isso.

Descaracterizando o  feminino acabamos por  descaracterizar o masculino também e  é nesse ponto que insistimos quando dizemos que o retorno do feminino não é apenas  interessante as mulheres, mas nós mesmos, homens, vamos recuperar nossa plenitude a medida que os valores femininos forem restaurados em sua plenitude.

O conceito de força e fragilidade é outro par de idéias que muito foi deturpado.

Este conceito ficou tão arraigado, estereotipadamente, que  a cultura dominante conseguiu fazer com que a maioria das pessoas os aceite como naturais sem se deter para um questionamento mais sensato.

O homem é forte, a mulher é frágil.

Alguns pensadores chegam a usar o termo feminino como sinônimo de  fragilidade, fraqueza e comportamento histérico.

Falam de valores viris e de homens que  ao desequilibrarem-se  ficam como mulheres frágeis e histéricas.

Tal deturpação do sentido do feminino mostra quão longe estamos da harmonia em nossa cultura e o quanto precisamos trabalhar para restabelecê-lo .

Ao mesmo tempo atribuem ao masculino a potência, a força.

A violência, a  “hybris”  fica confundida com um valor de virilidade e  desde   Francis Bacon os cientistas, homens, falam em  explorar a Terra, arrancar da natureza seus segredos.

São conceitos  tidos até  como “naturais”  por muitos pensadores.

Entretanto uma observação atenta das mulheres nos leva a conclusões diametralmente opostas.

Há uma cena evocada por Frank Herbert em um dos  livros da série Duna.

Ele fala  de uma mulher  tocando um arado, um filho pequeno amarrado  em si.

Essa mulher está ali, trabalhando pela manutenção da vida. Ela é o elo da vida.

Seu filho mais velho e seu marido?

Estão em alguma guerra , convocados por algum senhor feudal que se sentiu ofendido por  atitudes  tolas de um de seus pares. Homens em brigas imaturas e egóicas.

Caminhando em morte suas vidas.

Esses homens em guerra serão lembrados pelos livros de história, mas o elo da vida, a força da sobrevivência da espécie  está nessa mulher, simples, anônima  com o filho ao lado,  tocando com esforço o arado, para que a Terra continue dando  o que comer.

O barão ladrão que convocou a guerra terá seu nome citado e provavelmente ao passar por esta cena não perceberá que nela está a força da vida e da continuidade. Tudo destruirá.

Ele será tido por herói,  mas é apenas um desequilibrado gerando mais  desequilíbrio, enquanto a força da vida continua, quase imperceptível, mas com toda sua força em mulheres como esta.

Amplo  tema a ser meditado. Com cuidado e atenção.

Por: Julio Cesar Guerrero – http://www.imagick.org.br