SIMPLICIDADE COMO SOFISTICAÇÃO

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“Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.” As palavras pinçadas do discurso feito há pouco mais de um mês pelo presidente uruguaio José Mujica na 68.º Assembleia Geral da ONU, em Nova York, caracterizam, sem querer, um estilo de vida “do contra”.  Seja por ideologia política ou até mesmo para simplificar a vida, há pessoas  que passam longe de shopping centers, consertam o que estraga em vez de substituir por um novo e só compram o que precisam.

 

Estilo de vida é para quem pode

Quem opta por ser menos consumista não faz voto de pobreza, muito menos poderia fazer escolha sendo pobre. Essa é a opinião do filósofo Jelson Oliveira, autor de “Simplicidade” – livro final de uma trilogia sobre valores publicada pela Editora Champagnat. O professor da PUCPR avalia que comprar menos, por exemplo, só faz sentido para as classes sociais que podem fazer escolhas.

“O problema é o excesso. Pobreza é não ter condições básicas para sobreviver. Já ser simples é usar de forma mais saudável o que é preciso para sobreviver”, argumenta. Essa versão brasileira do anticonsumismo ainda aparece pouco, em movimento como o freeganismo. Comum na Europa e nos EUA, a ideologia é adotada por ativistas contrários ao desperdício de alimentos considerado típico do capitalismo – o objetivo, então, é viver do que vai para o lixo, por exemplo.

Um fator que alavanca as iniciativas anticonsumo, lembra Oliveira, é a preocupação com a preservação do meio ambiente. Para o economista do IBRE/FGV Aloísio Campelo, é injusto hoje exigir das classes mais baixas participação no consumo de produtos verdes, por exemplo. “Os países com mais renda em geral têm mais escolaridade e mostram preocupação com os alimentos que consomem. Para quem está no dia a dia, correndo atrás de renda, o verde é caro. Enquanto não for para todos, acaba sendo uma escolha de quem tem poder aquisitivo para isso”.

 

Dicas

 

Saiba como começar a reduzir o consumo no dia a dia:

• Esqueça o conceito de “casa ideal”, adapte onde você vive a você. Exemplo: se não faz bolos, não precisa de batedeira; se não se importa em esquentar comida no fogão, não há necessidade de micro-ondas.

• Compre o que tem certeza de que usará muito. Se um dia precisar de algo incomum, você pode pedir emprestado ou alugar.

• Se não pretende viajar para o exterior tão cedo, talvez não precise ter cartão de crédito. Hoje, boletos bancários são aceitos até por lojas virtuais internacionais.

• Reflita sempre: se tivesse que se mudar agora, quanto tempo passaria encaixotando coisas? Se a resposta é ‘uma semana’, pode ser a hora de se desfazer do que é inútil.

• Busque consertar ao invés de comprar um novo. Informe-se antes de comprar eletros, carros e eletrônicos.

• A publicidade voltada a crianças é uma das mais agressivas que existem. Para deixar seu filho menos vulnerável a ela, apresente a ele o prazer de doar e trocar brinquedos. O ideal é mostrar que a convivência importa mais do que posses.

 

Fonte: Gazeta do Povo

Uma resposta em “SIMPLICIDADE COMO SOFISTICAÇÃO

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