Ministério da Saúde deveria advertir: blogueiras fazem mal à saúde

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Um dia acordei, abri minhas redes sociais e deixei de seguir um balde de blogueiras. Blogueira de moda, fitness, do make perfeito, da bunda na nuca, do suco de luz, do quadradinho de oito, do cabelo lavado com vinagre, da comida ostentação, da volta ao mundo dormindo no sofá dos outros.

Nada contra os blogs e muito menos contra as blogueiras, mas a vida de sonho e de perfeição que eles vendem não cabe no dia a dia e muito menos no bolso da maioria das pessoas. E o que deveria ser apenas uma fonte de inspiração, acaba se transformando numa cobrança sem fim.

Você acorda e descobre que a blogueira-musa-fitness já acordou há horas, já lambeu o namorado, o cachorro, comeu tapioca com clara de ovo, malhou no calçadão, fez uma aula de bike, fez slackline, tomou banho, comeu batata doce, tomou três litros de suco de couve e agora está pronta pra abrir todos os jabás que recebe.

E você lá, ainda com a cara amassada de travesseiro e com remela nos olhos, pensando que precisa ir ao supermercado porque acabou desinfetante e hoje é dia de faxineira. Depois tem dentista, precisa resolver o imposto de renda, responder emails, trabalhar, passar na lavanderia, recarregar o bilhete único e dar conta de um vida cheia de boletos pra pagar.

Nesse meio tempo, você entra no Instagram e a blogueira-musa-fashion postou uma foto às 8h da manhã em que parece saída de um editorial de moda. Mas ela só foi comer um brunch, num restaurante lindo, onde as roupas dos garçons combinam com os guardanapos e as toalhas de mesa. Tudo tem legenda, claro. E assim que você joga no Google o nome daquela bolsa super fofa que a moça usou para ir ali na esquina, descobre que só a bolsa super fofa custa R$ 35 mil.

Nessa hora, você ignora o cabelo de comercial da blogueira, arruma o seu numa chuca e tenta se concentrar em mais um frila para pagar mais um boleto. Enquanto espera o café sair da máquina, dá uma voltinha nas redes sociais. A blogueira de viagem faz a maior cara feia ao experimentar a comida de um lugar exótico. E nessa hora você morre de raiva e pensa que Deus dá, sim, asa à cobra.

Só no dia anterior, a blogueira-musa-digital-influencer almoçou no Laguiole, visitou uma exposição, viu o pôr-do-sol no rooftop do Fasano, tomando Spritz, jantou no Lasai e emendou uma festinha no Clubhouse Rio. Ufa. E você vendo tudo isso e distribuindo likes na fila do quilo.

O dia dessas pessoas consiste em ir ao cabeleireiro, ao massagista, ao acupunturista, provar roupas, tirar fotos pra revista, gravar Snaps, desfilar todos os dias um tênis novo, uma bolsa cara, um vestido must have, comer em restaurante-ostentação, viajar first class, frequentar festas badaladas, hospedar-se em lugares que você jamais passará nem na porta, filosofar sobre a vida, distribuir dicas de autoajuda e ainda dar uma choramingada para mostrar como a vida é dura, mas é mara.

O dia dessas pessoas tem de sobra duas coisas que para a maioria de nós é contado: tempo e dinheiro. É claro que há blogs com conteúdo, cheios de informação relevante, que de fato podem fazer alguma diferença no nosso dia a dia.

Não é o caso de muitos que só servem para nos mostrar um monte de coisas que não precisamos e que não temos dinheiro pra comprar, ou um estilo de vida totalmente incompatível com nossa realidade. Em alguns casos parecem mais satisfazer a vaidade pessoal de suas blogueiras do que levar algum benefício às pessoas que os acompanham.

Parei de seguir e não senti a menor falta. Cheguei à conclusão que dá pra trocar várias blogueiras por linhaça e ter uma vida mais saudável emocionalmente.

Por: Mariliz Pereira Jorge – Jornalista e Roteirista.

Via: http://m.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge

 

 

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A GERAÇÃO QUE NÃO FALA, SÓ DIGITA

Spiral of documents

Artistic abstraction on the subject of document processing, office paperwork, virtual workspace and cloud networking composed of document icons, lights and abstract design elements

Independente do ano em que você nasceu, hoje nós vivemos numa geração que digita mais no whatsapp do que escuta o outro. Que pede amor, sem saber que isso não é um favor. Não. Estas não são más, estas pessoas apenas estão perdidas.

Vivenciamos uma geração extremamente teórica, sem muita prática e/ou real interesse pela mesma.

Me parece que a atual inversão de valores, em que o parecer é absurdamente mais importante do que “Ser”, em todos os possíveis sentidos, acaba por nos proporcionar a estranha mania de apenas testemunhar e relatar o que nos cerca. E isso nos cria uma deplorável dificuldade quando se é necessário agir.

“(…) Nosso conhecimento nos fez críticos, nossa sabedoria, duros e rudes. Nós pensamos muito e sentimos pouco. Mais que maquinário, nós precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de bondade e ternura. Sem essas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido. (…)”

É assustador, mas estamos cultivando uma sociedade cada vez mais individualista. Com estéticas que se esbarram e egos que se confrontam, com medo de viver, optamos pelo breve conforto do ensaio. Pensamos demais e sentimos de maneira escassa e superficial.

“The human being is becoming increasingly more being than human.”

No fim das contas, o retrato desta nossa atual realidade só deixa evidente o fato de que não nos falta amor mas nos falta saber amar. Ou a capacidade de.

As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.

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Por: EDUARDO LIMA CABRAL

Eduardo tentou mas não conseguiu produzir uma biografia que não fosse clichê. Tentando fugir dos rótulos que acabavam por se apropriar de cada nova teclada para se apresentar, a ausência de uma biografia sincera e que – na teoria, descreveria quem ele realmente é, acabou por se tornar sua provisória solução..

Via: http://obviousmag.org/

SOLIDÃO, ISOLAMENTO E A UNIDADE

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Viver bem consigo é maravilhoso. Poder ser feliz e ter a alegria na vida por conta própria e depender somente de si é melhor ainda!

Mas será que é possível ser feliz sozinho?

É interessante para nossa evolução como seres humanos e principalmente para nossas consciências imortais estar solitários, isolados, reclusos sem conviver com as outras pessoas?

Será que o ser humano não tem necessidade de conviver em sociedade, relacionar-se com outras pessoas, interagir com novas situações e com pessoas diferentes?

Por que será que há milhares e milhares de anos na história da humanidade o grande salto para o desenvolvimento dos humanos foi a criação da “sociedade”. A ciência moderna através da arqueologia declarava que a civilização se originou aproximadamente 4.000 à 4600 anos atrás através de suas descobertas; porém, a cada nova descoberta este parâmetro vai se ampliando.

Atualmente, a arqueologia moderna fez novas descobertas na Turquia,  Göbekli Tepe*, e seus achados que são simplesmente incríveis datados de aproximadamente 11.000 anos. As fundações deste templo religioso no topo de uma montanha, a 15 km de Şanlıurfa, no Sudeste da Turquia, são incontestáveis. Göbekli Tepe é um templo extraordinário, ou melhor, uma série de templos dos quais muito pouco está escavado ainda.

Além disso, o complexo arqueológico turco é mais sofisticado. Suas pedras gigantescas são cortadas com precisão e apresentam baixo-relevos de animais variados: cobras, raposas, escorpiões, javalis e bandos de gazelas. Construído há 11.600 anos, 7.000 anos antes das pirâmides do Egito,  Göbekli Tepe, prima por maior sofisticação na construção do que se imaginava para a época, quando comparamos este a outros sítios posteriores. Hoje, é considerado o primeiro grande monumento arquitetônico da “humanidade“.

Descobrir que povos de caçadores, pescadores e apanhadores de frutos foram capazes de construir Göbekli Tepe é como descobrir que alguém havia construído um avião 747 com um estilete”. E, no entanto, lá está o templo fora do contexto temporal a que lhe atribuímos.

A ciência sempre, sempre irá se desdizer, o que era “uma verdade hoje e incontestável”, amanhã é poeira e um outro patamar é criado, uma nova verdade incontestável é criada pela própria ciência novamente e assim recomeça tudo de novo.

Precisamos encontrar a ciência divina em nossos corações, em nossas almas. Não é para perder os pés do chão também, mas ficarmos atentos (lúcidos) na imensidão do universos de coisas que estão ao nosso redor. Se rapidamente pensarmos que somente em nossa Galáxia, existem Bilhões de Sois, automaticamente pensamos na existência de bilhões de sistemas solares iguais ou similares ao nosso e como a nossa Galáxia que abriga bilhões de sistemas solares, existem Trilhões delas (e isso até onde a Astrologia, Astrofísica, Astrobiologia moderna conseguiu mapear). Precisamos ver o tamanho dessa realidade e a dimensão infinita da criação onde estamos inseridos.

Tudo isso faz pensarmos, refletirmos a importância da história do convívio entre seres humanos vivendo em sociedade. O convívio em sociedade é crescimento, conhecimento, aprendizado, troca, compartilhamento e uma necessidade fundamental para nossa evolução como seres humanos e principalmente com espíritos.

Vamos pensar nestas palavras com um olhar diferente, um foco alternativo do que estamos “acostumados” a pensar ou principalmente agir.

A solidão e o isolamento afastam os seres humanos de suas verdadeiras origens, que é compartilhar, aprender, crescer e se desenvolverem juntos em uma única intenção, Evolução.

Todos os Espíritos vivendo juntos mais uma vez de muitas já vividas em muitos corpos, mundos, planos e realidades. Agora vivendo mais uma experiência nesta jornada encarnatória no planeta chamado Terra.

Seja presente, participe desta história, não se isole ou sinta solidão, pois nunca, nunca estivemos sozinhos em nenhum instante sequer. Pode ter certeza disso.

Busque auxílio se não conseguir sair desse estado, pois ninguém, ninguém vence na vida sozinho. Sempre precisamos dos outros e do todo para crescer.

Vou terminar este texto com dois pensamentos maravilhosos do Professor Hermógenes** que tem uma simplicidade, profundidade sem igual e uma sabedoria incrível. Gosto muito dele, pois sempre estou buscando a essência divina nas coisas simples da vida.

“Entrego, Confio, Aceito e Agradeço”.

“A verdadeira liberdade está na unidade. Eu preciso deixar de me sentir diferente dos outros. Cultivar o Amor. O amor reaproxima, vencer a distância e a ignorância”.

Amor
Determinação
Confiança

Jefferson L. Orlando***

* Para saber mais sobre Göbekli Tepe:
 www.peregrinacultural.wordpress.com/2011/06/18/gobekli-tepe-a-descoberta-do-jardim-do-eden/

** Professor Hermógenes: http://bit.ly/12kmIlg  

*** Jefferson L. Orlando – Psicoterapeuta Reencarnacionista, Escritor, Apresentador do Programa Sol do Everest (Canal YouTube), Colunista do site Somos Todos Um (Stum) e Horóscopo Virtual (UOL), Palestrante, Ministrante, Outorgado pela Magia Divina, Projetor Extrafísico e Espiritualista. Seu objetivo é auxiliar as pessoas a encontrarem seu caminho de evolução consciencial, desenvolvimento da espiritualidade, missões de alma, prosperidade e alegria plena em suas vidas. Reside e atende em São Paulo/SP com a Psicoterapia Reencarnacionista, Regressão Terapêutica (Método ABPR – Conduzido pelos Mentores Espirituais) e Bioenergético Anímico-Mediúnico através das Mandalas pela Magia Divina.

Site: www.soldoeverest.com.br
Canal Youtube: www.youtube.com/soldoeverest
E-mail: jefferson@soldoeverest.com.br

O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER…

venda nos olhos

Este provérbio guarda semelhança com outro que foi objeto de reflexão em um dos meus textos anteriores: “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Ambos significam a negação do querer ver. A conveniência sempre impondo a decisão de ficar cego diante de determinadas situações.

O ditado popular a que me reporto agora, tem , a meu ver, uma carga de crítica social e política muito forte. Existem pessoas que preferem não perceber crises, dificuldades, injustiças, para que não sejam obrigadas a assumir responsabilidades na busca de solução para tais problemas. Se recusam a ver a verdade. Se omitem. Se alienam. Só enxergam o que querem e o que lhes interessa. É, no mínimo, uma atitude de comodismo e de indiferença.

“O pior cego é aquele que não quer ver”, porque dessa forma ele se torna conivente com os males que afligem a sociedade e protege os que oprimem, humilham, escravizam e desrespeitam seus semelhantes.

Temos a mania de querermos ver o mundo como desejamos e por isso evitamos enxerga-lo como ele é na realidade. Na nossa cegueira optamos por construir e idealizar um mundo bem ao nosso gosto.

Nessa linha de raciocínio é que surgiu esse provérbio. Nasceu de uma história ocorrida no século XVII na França. Um aldeão de nome Argel foi a primeira pessoa a receber um transplante de córnea, num extraordinário sucesso da medicina da época. Ao enxergar, ele se tomou de um estado de horror com o mundo que passou a conhecer, bem diferente do que imaginava quando vivia na escuridão da cegueira. Solicitou então ao cirurgião que o operou a extrair-lhe os olhos, preferia voltar a ser cego. Com a recusa do médico apelou para os tribunais de Paris e do Vaticano e teve ganho de causa. Passou então a ser conhecido como “o cego que não quis ver”.

A narrativa, ou parábola, dá força ao sentido filosófico deste provérbio, porque demonstra que em muitos momentos agimos como Argel, preferimos ficar cegos para não vermos o mundo que não queremos enxergar.

Saramago, na primeira frase do seu livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, diz : “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

Por: Rui Leitão

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer

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Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:

“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.

Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”

Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.

O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens.

O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?

Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.

Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?

Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.

“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”

Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.

O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?

E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

Por: RUTH MANUS

Via:http://blogs.estadao.com.br/

Aristóteles: O mundo da experiência, as quatro causas, ética e política

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Em 1996, descobriu-se em Atenas, Grécia, o sítio arqueológico onde funcionou o Liceu – a escola fundada por Aristóteles (384-322 a.C.), para concorrer com a Academia, a escola anterior, fundada por seu antigo professor, Platão (427-347 a.C.). A fundação do Liceu não reflete nenhuma ingratidão do discípulo com seu mestre, que por sinal já havia morrido cerca de dez anos quando a escola aristotélica surgiu (336 a.C.).

Aluno de Platão, a quem reconhecia o gênio, Aristóteles passou a discordar de uma ideia fundamental de sua filosofia e, então, o pensamento dos dois se distanciou. Talvez seja esse o ponto de partida para se falar da obra filosófica aristotélica.

Platão concebia a existência de dois mundos: aquele que é apreendido por nossos sentidos – por assim dizer, o mundo concreto -, que está em constante mutação; e um outro mundo – abstrato -, o mundo das ideias, imutável, independente do tempo e do espaço, que nos é acessível somente pelo intelecto.

 

O mundo da experiência

Para Aristóteles, existe um único mundo: este em que vivemos. Só nele encontramos bases sólidas para empreender investigações filosóficas. Aliás, é o nosso deslumbramento com este mundo que nos leva a filosofar, para conhecê-lo e entendê-lo.

Aristóteles sustenta que o que está além de nossa experiência não pode ser nada para nós. Nesse sentido, ele não acreditava e não via razões para acreditar no mundo das ideias ou das formas ideais platônicas.

Porém, conhecer o mundo da experiência, “concreto”, foi um desejo ao qual Aristóteles se entregou apaixonadamente. Assim, ele descreveu os campos básicos da investigação da realidade e deu-lhes os nomes com que são conhecidos até os nossos dias: lógica, física, política, economia, psicologia, metafísica, meteorologia, retórica e ética.

Aliás, ele inventou também os termos técnicos dessas disciplinas e eles também se mantêm em uso desde então. Exemplos? Energia, dinâmica, indução, demonstração, substância, essência, propriedade, categoria, proposição, tópico, etc.

O que é ser?

Filósofo que sistematizou a lógica, Aristóteles definiu as formas de inferência que são válidas e as que não são, além de nomeá-las. Durante dois milênios, estudar lógica significou estudar a lógica aristotélica.

Aristóteles aplicou a lógica, antes de mais nada, para responder a uma questão que lhe parecia a mais importante de todas: o que é ser?, ou, em outras palavras, o que significa existir? Primeiramente, o filósofo constatou que as coisas não são a matéria de que se constituem.

Por exemplo, uma pilha de telhas, outra de tijolos, vigas e colunas de madeira não são uma casa. Para se tornarem casa, é necessário que estejam reunidas de um modo determinado, numa estrutura muito específica e detalhada. Essa estrutura é a casa; e os materiais, embora necessários, podem variar.

Com o tempo, nosso corpo está em constante mutação – transforma-se da infância para adolescência, desta para a idade adulta e, finalmente, para a velhice. Nem por isso deixamos de ser nós mesmos. Da mesma maneira, um cão é um cão em virtude de uma organização e estrutura que ele compartilha com outros cães e que o diferencia de outros animais que também são feitos de carne, pelos, ossos, sangue…

As quatro causas

Para Aristóteles uma coisa é o que é devido a sua forma. Como, porém, o filósofo entende essa expressão? Ele compreende a forma como a explicação da coisa, a causa de algo ser aquilo que é. Na verdade, Aristóteles distingue a existência de quatro causas diferentes e complementares:

  • Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.
  • Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção.
  • Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.
  • Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor.Embora Aristóteles não seja materialista (vimos que a forma não é a matéria), sua explicação do mundo é mundana, está no próprio mundo. Finalmente, para o filósofo, a essência de qualquer objeto é a sua função. Diz ele que, se o olho tivesse uma alma, esta seria o olhar; se um machado tivesse uma alma, esta seria o cortar. Entendendo isso, entendemos as coisas.

    Mas o pensamento aristotélico não se limitou a essa área da filosofia que podemos chamar de teoria do conhecimento ou epistemologia. Deixando de lado os domínios que deram origem a outras ciências e nos limitando à filosofia propriamente dita, Aristóteles ainda refletiu sobre a ética, a política e a poética (que, no caso, compreende não apenas a poesia, mas a obra literária e teatral).

    Ética e política No campo da ética, segundo Aristóteles, todos nós queremos ser felizes no sentido mais pleno dessa palavra. Para obter a felicidade, devemos desenvolver e exercer nossas capacidades no interior do convívio social.

    Aristóteles acredita que a auto-indulgência e a autoconfiança exageradas criam conflitos com os outros e prejudicam nosso caráter. Contudo, inibir esses sentimentos também seria prejudicial. Vem daí sua célebre doutrina do justo meio, pela qual a virtude é um ponto intermediário entre dois extremos, os quais, por sua vez, constituem vícios ou defeitos de caráter.

    Por exemplo, a generosidade é uma virtude que se situa entre o esbanjamento e a mesquinharia. A coragem fica entre a imprudência e a covardia; o amor-próprio, entre a vaidade e a falta de auto-estima, o desprezo por si mesmo. Nesse sentido, a ética aristotélica é uma ética do comedimento, da moderação, do afastamento de todo e qualquer excesso.

    Para Aristóteles, é a ética que conduz à política. Segundo o filósofo, governar é permitir aos cidadãos viver a vida plena e feliz eticamente alcançada. O Estado, portanto, deve tornar possível o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo. Por fim, o indivíduo só pode ser feliz em sociedade, pois o homem é, mais do que um ser social, um animal político – ou seja, que precisa estabelecer relações com outros homens.

    O papel da arte A poética tem, para Aristóteles, um papel importantíssimo nisso, na medida em que é a arte – em especial a tragédia – que nos proporciona as grandes noções sobre a vida, por meio de uma experiência emocional. Identificamo-nos com os personagens da tragédia e isso nos proporciona acatarse, uma descarga de desordens emocionais que nos purifica, seja pela piedade ou pelo terror que o conflito vivido pelas personagens desperta em nós.

    Tudo isso é, evidentemente, um resumo ultra-sintético do pensamento aristotélico. Sua obra é gigantesca, apesar de a maior parte dela ter se perdido ao longo dos tempos. O que chegou até nós corresponde a 1/5 de sua produção. São notas suas e de seus discípulos que passaram nas mãos de estudiosos da Antiguidade, da Idade Média (parte dos quais em países islâmicos), e que foram reorganizadas pela posteridade.

    Principalmente em função disso, a leitura de Aristóteles é difícil e seus textos não possuem a qualidade artística que encontramos nas obras de Platão. Para conhecer os aspectos relacionados às ciências na obra aristotélica clique aqui.

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.

Bibliografia

  • “Dicionário de Filosofia”, Nicola Abbagnano, Martins Fontes, 2000.
  • “História da Filosofia”, Bryan Magee, Edições Loyola, 2001.
  • “História da Filosofia”, Julián Marías, Martins Fontes, 2004.

A SOLUÇÃO

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Não é o fim que traz a solução; ao contrário, a solução é que determina o fim do problema.
 
Nem sempre a solução consiste na vitória nossa: por vezes, a nossa melhor solução é a derrota fragorosa.
 
Solução não é apenas tranquilidade serena, mas o passo dado à frente no sentido da evolução.
 
Soluções parciais, por vezes, são a chave da vitória final: no problema procuramos resolver cada incógnita separadamente.
 
Mas em todos os problemas a solução só se impõe quando todas as incógnitas e incertezas forem esclarecidas. Se uma só restar, por menor que seja, o problema não se acha solucionado.
 
Há soluções que findam apenas uma etapa: mas essas soluções parciais reclamam outras mais amplas e profundas.
 
Jamais deve satisfazer-nos uma solução parcial ou incompleta, pois a solução só pode ter tal nome se for total.
 
A violência não é a solução; a espada de Alexandre cortou, mas não solucionou o nó górdio.
 
Solução apressada pode falsear dados importantes, levando a erros irreparáveis: a calma é a base essencial para qualquer solução difícil.

Autor: C. Torres Pastorino