O CAMINHO DA GUERREIRA

 

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Aumenta cada vez mais no atual caminho da espiritualidade feminina a necessidade do fortalecimento do poder pessoal, para remover as marcas sofridas dos séculos de opressão, anulação e subjugação pelas estruturas e valores patriarcais, que impuseram regras de comportamento e crenças através de força, intimidação e agressão.

Nas antigas sociedades matrifocais prevaleciam valores de solidariedade e parceria entre homens e mulheres, visando a sustentação, defesa e florescimento das comunidades. A mudança para as culturas e estruturas patriarcais levou à substituição da Deusa Mãe – criadora e nutridora da vida – pelo Deus Pai, longínquo e punitivo; a ordem religiosa e social tornou-se androcrática e hierárquica e a mulher foi relegada ao papel de vilã, vitima ou escrava, sendo considerada como desprovida de alma e de direitos, por não ter sido criada à imagem do Deus masculino.

Para legitimar o poder patriarcal adotou-se o axioma de que Deus era unicamente masculino, portanto, apenas os homens eram Seus reflexos e somente eles poderiam se comunicar com o divino. Esse dogma oprimiu a alma feminina nos últimos três milênios e destruiu a autoconfiança nos seus direitos e valores, permitindo assim a violência e opressão nos níveis físico, emocional, mental e espiritual. Como consequência resultou um mundo com predominância de valores e ações masculinas, a egrégora desse poder aparecendo disfarçada nos valores culturais, sociais, familiares, espirituais e científicos.

Até hoje em certas tradições místicas e práticas mágicas persiste o conceito patriarcal da liderança espiritual masculina, negando o direito e a capacidade da mulher em dirigir rituais, fazer iniciações, ter visões e revelações ou receber mensagens espirituais fide dignas. A razão oculta da permanência desta supremacia patriarcal continua sendo o medo milenar e atávico dos homens em relação ao poder inato das mulheres no nível mágico e oracular. Esses dons sempre pertenceram a elas, mas lhes foram negados e ao exercê-los, elas sofreram punições ou mortes, por isso o desafio atual das mulheres no caminho da Deusa é superar seus medos, sair do ostracismo e assumir seu poder.

As mulheres contemporâneas precisam de uma tradição isenta de valores e conceitos masculinos, em que não se sintam controladas, podadas ou oprimidas, mas que também não ative nelas a rivalidade e arrogância, conscientes ou não. A autoestima feminina será reconquistada quando a mulher se sentir livre do controle patriarcal, tendo direito para usar suas habilidades psíquicas e criativas, sem se preocupar com a aprovação, aceitação ou rejeição masculina. Todavia, ela deverá evitar os padrões comportamentais nela incutidos pelo patriarcado com a milenar tática de “dividir para conquistar”, competindo com suas irmãs ou perpetuando os jogos de poder. As mulheres atuais devem se unir em uma mesma busca espiritual, conscientes de que o “empoderamento” de uma irmã não ameaça as outras, pelo contrário, contribui para fortalecer a todas.

Quando uma mulher contemporânea decide não mais se deixar dominar, enquadrar ou controlar por idéias, limitações ou crenças patriarcais, ela poderá sentir medo em assumir a responsabilidade pelas mudanças necessárias e as inerentes conseqüências na sua vida. A fé, a devoção e a entrega das suas decisões, opções e ações para uma imagem divina feminina lhe irão permitir a necessária ajuda e proteção, por perceber-se como sagrada e merecedora da liberdade alcançada ao assumir as rédeas da sua vida. Amparada pela conexão com os arquétipos divinos femininos, ela se tornará uma guerreira a serviço da Deusa, de si mesma e de suas irmãs.

O caminho da sacralidade feminina conduz a uma reavaliação de valores, conceitos, atitudes e objetivos, levando ao resgate do poder pessoal, intrínseco e ancestral, que permitirá definir com segurança os objetivos e escolhas. No entanto, o “empoderamento” feminino não significa imitar ou assumir modos, atitudes e comportamentos masculinos, pois a mulher não almeja tornar-se um homem, nem tomar o lugar dele.

O seu propósito é resgatar o poder feminino inato, que lhe permitirá expressar a vasta gama dos seus dons e possibilidades, escolhendo o papel que quer cumprir na sociedade, em família ou no caminho espiritual como “Filha da Deusa”. Como tal ela é forte, mas compassiva, determinada, porém flexível, guerreira mas companheira das suas irmãs de caminhada; ela saberá quando investir ou ceder, usar a espada ou o manto de penas, a armadura ou as asas de cisne. Ao descobrir sua verdadeira identidade, a mulher consciente da sua sacralidade agirá de forma segura, responsável e firme, defendendo seus interesses e limites, mas sem agredir, desrespeitar ou competir com suas irmãs, pois em cada uma ela reconhecerá um reflexo da Deusa. Juntas e de mãos dadas elas irão percorrer, irmanadas, o caminho espiritual que conduz as filhas terrenas ao abraço acolhedor e protetor da Grande Mãe.

Para favorecer e ampliar o crescimento multifacetado da mulher atual, torna-se imperioso que ao restabelecer sua conexão com a Deusa, ela conheça e aplique os conceitos das cinco áreas tradicionais da ancestral sabedoria feminina, ou seja: o caminho da mestra, da curadora, da visionária, da sacerdotisa e da guerreira, que abrangem os aspectos físicos, emocionais, psíquicos, mentais e espirituais femininos.

Ao longo da dominação milenar patriarcal foram permitidos e aprovados os aspectos de mãe e mestra, o ensino sendo a profissão designada pro excelência para a mulher e sua missão existencial, a condição de mãe. Para entrar no campo da cura a mulher está batalhando até hoje, apesar de que as mulheres sempre foram as curandeiras, parteiras e herbalistas. A história de diversas culturas atesta também que as visionárias eram sempre mulheres, que guiavam as decisões dos chefes de tribos, os conselhos das comunidades, as opções de guerra ou paz, prevendo o desfecho das batalhas e as calamidades naturais, que transmitiam as mensagens das divindades e dos espíritos ancestrais. Porém, o patriarcado reprimiu e depois proibiu a atividade visionária das mulheres e negou sua inata capacidade de conexão com o plano divino.

Da mesma forma, foi condenada e cerceada a atuação da mulher como guerreira, mesmo conhecendo sua inata e feroz capacidade defensora dos seus filhos, bem como sua astuta atuação mediadora nas negociações de paz. O aspecto mais combatido e perseguido foi o sacerdotal, por temer sua associação com os poderes mágicos da Lua, dos ciclos, dos espíritos e das energias naturais. As religiões patriarcais como a hebraica, muçulmana e cristã destruíram a tradição sacerdotal feminina, sendo que a Inquisição criou a odiosa “caça às bruxas”, perseguindo e aniquilando as mulheres devido ao seu reconhecido e temido poder sagrado e mágico. Almejava-se também a negação dos direitos ancestrais das mulheres, que lhes permitiam possuir bens, escolher parceiros, ter a opção de gerar ou não, nomear filhos, transmitir conhecimentos, desenvolver e praticar seus dons espirituais e criativos, reverenciar e celebrar as Deusas e a Mãe Natureza.

Na ativação dos cinco caminhos da ancestral sabedoria feminina, a mulher atual assimila facilmente os conceitos de ensino, cura e percepção sutil, mas enfrenta maiores desafios e oposições (internos e externos) para assumir sua capacidade sacerdotal e mágica, devido ao contexto e ambiente religioso, familiar e social em que vive. Porém, o aspecto mais difícil e desafiador para aceitar e exercer é o da guerreira, devido à associação cultural e histórica da luta com violência e agressão. No entanto, a energia de combate e defesa é um dom intrínseco e um direito natural da mulher para se defender de abusos, ameaças, dominação, opressão, injustiças e violências contra si e seus filhos.

O reconhecimento do direito sagrado de assumir o poder da guerreira é o primeiro passo para que a mulher contemporânea alcance seu “empoderamento” e se reconecte com todos os aspectos e faces da Deusa. A Deusa não se apresenta apenas com a sua face de luz, bondade, e compaixão, pois Ela também é a Senhora das batalhas, a Rainha do mundo subterrâneo e a Ceifadora da vida, das fases, dos ciclos e dos relacionamentos naturais e humanos.

O desafio da mulher que quer reaprender como despertar e direcionar seu poder de guerreira consta em falar e agir sem se tornar agressiva, rude, impositiva, desleal ou injusta, reproduzindo traços indesejáveis do comportamento masculino. O “patriarcado interior” é um resquício negativo e nocivo que a mulher deve detectar e eliminar do seu subconsciente e da sua conduta diária, seja em que situação ou nível se manifeste.

Nem sempre o real arquétipo mítico das Valquírias é bem compreendido e assimilado, sua avaliação costumeira permanecendo na interpretação tradicional como auxiliares armadas do deus Odin e condutoras aladas das almas dos guerreiros mortos em combate. Todavia o seu simbolismo é muito mais complexo e amplo, pois a sua verdadeira natureza é de sacerdotisas da deusa Freyja na sua manifestação de Valfreyja, a Senhora do amor, da guerra e da magia.

Conhecidas sob diversos nomes – Waelceaig, Waelcyrge, Valkyrje ou Alaisiagae – elas eram “realizadoras dos desejos humanos” (como Oskemeyjar), “mulheres vitoriosas” (Sige wif), “portadoras dos escudos” (Shield Women) ou apenas as Idisi, as magas ancestrais que enfeitiçavam ou desfaziam maldições e amarras (materiais e mentais), faziam encantamentos (para mudar o tempo, proporcionar vitórias e proteger as mulheres) ou apareciam em sonhos ou visões transmitindo mensagens e alertando sobre perigos iminentes.

Uma mulher que precisa ativar ou reforçar seu poder pessoal desenvolvendo a determinação, assertividade, resiliência, espírito combativo e destemor, irá encontrar na conexão com sua “Valquíria interior” um poderoso auxílio para seu crescimento mágico e espiritual. Para descobrir e ativar a “Valquíria interior” é necessário criar e projetar uma aura de confiança, segurança, altivez e invulnerabilidade, prestando atenção às sutis invasões do seu espaço, às provocações ou falta de respeito em relação à sua pessoa ou atuação, seja humana, sacerdotal ou mágica, atos estes provenientes de homens ou mulheres, que, se forem permitidos ou aceitos passivamente, enfraquecem a essência verdadeira do ser. Muitas vezes as próprias mulheres não aceitam a postura e as ações de uma irmã quando ela revela o seu “empoderamento”, julgando-a agressiva ou hostil, quando ela se posiciona e defende seus ideais, sonhos ou valores, em qualquer um dos caminhos que ela esteja trilhando.

Invocar o auxilio e a força das Valquírias requer também a coragem de mudar, pois Elas são deusas de transformação e renovação. Elas ensinam que a mudança e a morte fazem parte das nossas vidas e que comportamentos, valores, atitudes e objetivos ultrapassados ou prejudiciais (a si ou aos outros) devem “morrer”, seguindo o ciclo dinâmico e o pulsar da vida. Precisamos nos abrir e permitir o processo de desapego, sem impedi-lo ou desviá-lo pelos medos, remorsos, mágoas ou dúvidas, colaborando voluntariamente com a mudança para que ela seja suave e não repentina, nem traumática.

Usando o poder da Valquíria para assumir o controle da sua vida, defender seus direitos e limites, fortalecer e expressar seu magnetismo pessoal irá permitir à mulher moderna novos meios e formas de afirmação e realização, resgatando seu ancestral e sagrado poder de guerreira, para o seu bem e em benefício do Todo

 

Por: Mirella Faur

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A Sacerdotisa Gnóstica e as Iniciações

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A mulher é a mais bela expressão da Divindade, seja no Cosmo e na Natureza, seja na Sociedade. Como reflexo potencial do Aspecto Materno e Feminino de Deus e do Universo, a mulher deve também expressar as 7 funções sagradas do Eterno Feminino, que são: Gerar, Gestar, Parir, Nutrir, Educar, Manter e Absorver.

A mulher é a expressão da Natureza velada através de suas FUNÇÕES SAGRADAS.

A Sacerdotisa deve ser, para o sacerdote, simultaneamente: Esposa, Irmã, Mãe, Filha e Deusa.

Para o VM Samael Aun Weor, “sem a mulher não haveria Deuses”. Mas o que é ser uma Sacerdotisa, uma Iniciada?

Para a Gnose eterna, a Sacerdotisa é aquele Ser, encarnado em corpo de mulher, que potencializa em seu interior, por meio do autoconhecimento, arquétipos sagrados que nos tornam unos com a Realidade, o Todo e a Verdade.

Dentro do ser humano, independentemente de sexo, raça, religião e condições sociais diversas, há duas forças que se combatem mutuamente desde o início dos tempos. São a ovelha e o lobo interiores.

A ovelha é aquela nossa Essência, ou Alma, a Chispa Sagrada que veio das estrelas, do centro mesmo da galáxia, do coração cósmico que nos deu vida. E o Lobo são as forças que nos mantêm aprisionados a Maya, às ilusões fascinantes, o canto das sereias que nos ata e mata.

Essas duas forças interiores são as duas sendas da vida, a Senda Horizontal, da vida profana e sem metas, o existir por existir; e a Senda Vertical, a que nos leva diretamente ao mais profundo de nossa Alma e coração.

A mulher, quando decide trabalhar sobre si mesma, eliminando seus bloqueios, traumas, fobias, condicionamentos, complexos e ilusões sensoriais, passa a trilhar por uma Senda que a levará a encarnar princípios espirituais sagrados que foram apresentados em todos os mitos, religiões e tradições iniciáticas.

Esses princípios, ou mitos sagrados, femininos são as sacerdotisas, as profetisas, as heroínas, as deusas e as supermulheres (no sentido mais espiritual do termo).

Na tradição iniciática judaico-cristã, os arquétipos tanto positivos quanto negativos que a mulher pode encarnar estão representados nas seguintes personagens:

Arquétipos Positivos: Eva, Sara, Miriam (irmã de Moisés e Aarão), Maria mãe de Jesus, Maria Madalena etc.

Arquétipos Negativos: Lilith, Dalila, Salomé e Kundry (como veremos melhor em outro texto deste link A Mulher Gnóstica).

A Sacerdotisa e as Iniciações

A Iniciação é a sua própria vida. Se você quer a Iniciação, escreva-a sobre uma vara. Quem tiver entendimento que entenda, porque aqui há sabedoria. A Iniciação não se compra e nem se vende.

Fujamos das escolas que dão iniciações por correspondência. Fujamos de todos aqueles que vendem iniciações. A Iniciação é algo muito íntimo da Alma. O Eu não recebe iniciações. Aqueles que dizem, “Eu tenho tantas e tantas iniciações”, “Eu possuo tantos e tantos Graus”, são mentirosos e farsantes, porque o “Eu” não recebe Iniciações nem Graus.

Existem nove Iniciações de Mistérios Menores e cinco importantes Iniciações de Mistérios Maiores. É a Alma que recebe as Iniciações. Trata-se de algo muito íntimo, que não se anda dizendo e nem se deve contar a ninguém.

Todas as iniciações e graus que são conferidos por muitas escolas do mundo físico não têm realmente nenhum valor nos Mundos Superiores. Os Mestres da Loja Branca só reconhecem como verdadeiras as legítimas Iniciações da Alma. Isso é uma coisa completamente interna.

O discípulo pode subir as nove arcadas, pode atravessar todas as nove Iniciações de Mistérios Menores, sem haver trabalhado com o Arcano AZF (a Magia Sexual). Todavia, é impossível entrar nos Mistérios Maiores, sem a Magia Sexual (o AZF).

No Egito, todo aquele que chegava à Nona Esfera recebia inevitavelmente de lábios a ouvidos o segredo terrível do Grande Arcano (o Arcano mais poderoso, o Arcano AZF).

(fragmentos do livro: O Matrimônio Perfeito, de Samael Aun Weor.)

As Responsabilidades da Sacerdotisa Gnóstica

As Sacerdotisas, como os Sacerdotes, têm uma grande responsabilidade espiritual. Seu estado moral, de pureza e exemplo de vida refletem sobre todo o ambiente social ao seu redor, em geral, e sobre toda a comunidade gnóstica e os que dela participam, em particular, especialmente nos exemplos e na conduta.

A mulher gnóstica deve ser modelo de obediência espiritual e dedicação ao seu trabalho porque é um símbolo vivo da Mãe Divina.Como exemplo vivo da Mãe junto à comunidade, cabe também à Sacerdotisa participar ativamente da psicologia da comunidade, da consciência grupal e das naturais dificuldades iniciáticas individuais de cada irmão (questionamentos, crises emocionais, provas etc.).

As Sacerdotisas, com sua intuição, sentido de observação e na busca da função acalentadora e compreensiva de Mãe, Instrutora, Líder e Iniciada, deverão zelar veladamente pelo bem estar de todos ao seu redor.

As mulheres gnósticas são as “sacerdotisas do templo”. Portanto, além de se darem o respeito, devem igualmente fazerem-se respeitadas pela comunidade por seus conhecimentos, sabedoria, desprendimento, anelo de servir à Causa e, principalmente, seus exemplos de vida.

Para maior compreensão, a mulher gnóstica deve estudar e meditar nas seguintes obras: O Matrimônio PerfeitoPsicologia RevolucionáriaO Mistério do Áureo FlorescerTarot e Cabala(estudo dos Arcanos 2, 3, 6, 11, 14 e 19); Curso Esotérico de Cabala; Textos selecionados do VM Samael sobre a Mãe Divina e seus 5 aspectos; Textos selecionados do VM Samael sobre a mulher e as Deusas dos diversos mitos (deusas greco-latinas, astecas, nórdicas etc.).

FONTE: Gnosis On Line – http://www.gnosisonline.org

A LENDA DAS 13 MATRIARCAS

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Conta-se que há milhares e milhares de anos a Terra era o próprio paraíso. Os humanos viviam em paz e equilíbrio com todos os outros seres da criação, havendo respeito entre homens e mulheres e entre os diferentes povos. Porém, mesmo vivendo em plena harmonia, surgiu, não se sabe de onde, uma pequena semente de ganância que se plantou nas mentes e corações dos seres humanos. Essa semente germinou à medida que os homens começaram a tirar o ouro do ventre da terra, pois eles acreditavam que fosse a própria luz do Pai Sol materializada e que quem possuísse mais dessa luz teria mais poder e reinaria sobre os outros.

O desejo de poder e de dominação apoderou-se dos humanos. Não mais havia harmonia entre as raças. Atos de violência começaram a proliferar, uns contra os outros e contra os animais. Queimavam-se florestas inteiras e envenenavam-se as águas, até que a Terra foi completamente destruída, consumida pelo fogo. Mas essa destruição trouxe também purificação e, para que uma nova humanidade pudesse renascer e recuperar o equilíbrio perdido, a Mãe Terra concedeu o amor, o perdão e a compaixão, resguardados nos corações das mulheres.

Assim, durante o ciclo de um ano, 13 aspectos da totalidade da sabedoria da Mãe Terra foram trazidos para o mundo visível com a ajuda da Avó Lua. A cada lua cheia, a luz prateada da Avó Lua tecia seus fios e materializava uma mulher, uma Mãe do Clã. Cada uma delas detinha um conhecimento particular, um ensinamento especial para ser transmitido aos filhos e filhas da Terra. Elas criaram uma irmandade que trabalhou com a mais pura dedicação para devolver às mulheres a força do amor e o bálsamo da compaixão. A Casa da Tartaruga, como foi chamado o conselho das Mães dos Clãs, compartilhava sua sabedoria para a cura da Terra, da alma das mulheres e para o restabelecimento do equilíbrio entre todos os seres.

O treze é o número da transformação e das lunações ao longo de um giro da Mãe Terra ao redor do Vovô Sol. Depois de cumprirem sua missão, elas voltaram para o ventre da Mãe Terra. Deixaram registrada toda sua sabedoria em 13 crânios de cristal de quartzo que foram guardados em locais sagrados de diversos pontos do mundo.

Por meio dos laços de sangue dos ciclos lunares, as Matriarcas criaram uma Irmandade que une todas as mulheres e visa a cura da Terra, começando com a cura das pessoas. Somente curando a si mesmas é que as mulheres poderão curar os outros (…) Apenas honrando seus corpos, suas mentes e suas necessidades emocionais, as mulheres terão condições de realizar seus sonhos.” (FAUR, 2015, p. 512)

1ª lunação:
Mãe da Natureza. Aquela que ensina a verdade e fala com todos os seres.
Guardiã das necessidades da Terra. Ela nos mostra o parentesco entre todos os seres da criação, nos ensina a respeitar o ritmo e o espaço sagrado de cada manifestação de vida e a ter cuidado conosco e com a Mãe Terra. Ela é a conexão entre todas as formas de vida.
Cor laranja, que representa eterna chama do amor existente em toda a criação.
Palavra-chave: pertencimento.

2ª lunação:
Mãe da Sabedoria. Aquela que honra a verdade e guarda os conhecimentos antigos.
Guardiã da Sabedoria. É protetora de todas as Tradições Sagradas e da Memória. Ela tem uma grande conexão como Povo das Pedras, pois esses têm registrado todas as experiências já vividas pela Mãe Terra. Ela nos ensina a honrar a Verdade em todos os Sagrados Pontos de Vista. Em sua sabedoria, compreende que existe verdade em todas as formas de vida.
Cor cinza, que representa imparcialidade, amizade e a aceitação da presença e verdade alheia, sem querer impor nossos próprios pontos de vista, valores e conceitos.
Palavra-chave: tolerância.

3ª lunação:
Mãe da Verdade. Aquela que avalia a verdade e ensina as leis divinas.
Guardiã da Justiça. Ensina os princípios da Lei Divina, o equilíbrio, a lei de ação e reação, a aceitação da verdade e o reconhecimento da nossa força e fraqueza, focalizando as qualidades e possibilidades para expandir a nossa essência.
Cor marrom, que representa o solo fértil da Mãe Terra e a conexão da Terra com as leis divinas.
Palavra-chave: compaixão.

4ª lunação:
Mãe das Visões. Aquela que vê a verdade em tudo e enxerga longe.
Guardiã das Profecias. É a que guia os espíritos durante os sonhos e as viagens astrais e ensina como compreender os símbolos das visões e os sinais que a vida apresenta. Ajuda o buscador a desenvolver a visão interna e avaliar as oportunidades e opções através da intuição. Embarcar na viagem interior, superar o medo pela confiança.
Cores pastéis, que representam a projeção da verdade em todos os matizes.
Palavra-chave: confiança na intuição.

5ª lunação:
Mãe da Quietude. Aquela que ouve a verdade e escuta as mensagens.
Guardiã do Silêncio. Ensina como silenciar para ouvir as mensagens da natureza, dos espíritos, dos Mestres, dos homens, dos nossos corações. Precisamos ouvir os pontos de vista de todos para aprender e progredir, discernindo a verdade das mentiras criadas como defesas.
Cor preta, que representa a busca de respostas e o silêncio necessário para encontrá-las.
Palavra-chave: silêncio.

6ª lunação:
Mãe da Fala. Aquela que fala a verdade e conta histórias que curam.
Contadora de Histórias. Ensina a falar sempre com o coração, dizer a verdade, mas com amor e sem incluir nossas projeções pessoais e os julgamentos a priori. Usar o humor para afastar os medos, equilibrar o sagrado com o profano, preservar a sabedoria dos ancestrais e a tradição oral.
Cor vermelha, a cor do sangue, que contém no DNA a sabedoria do legado ancestral.
Palavra-chave: poder da palavra.

7ª lunação:
Mãe do Amor. Aquela que ama a verdade em todas as manifestações da vida.
Guardiã do Amor Incondicional. Ensina a compaixão e o amor em todas as manifestações da vida (nosso corpo, nossos prazeres, respirar, comer, andar, brincar, trabalhar, amar, dançar).
Cor amarela (Avô Sol), que ama todos os filhos igualmente, sem julgar seus comportamentos e permitindo que eles passem pelas lições da vida arcando com as consequências dos seus erros ou escolhas prejudiciais.
Palavra-chave: desapego.

8ª lunação:
Mãe da Intuição. Aquela que serve à verdade e cura os filhos da Terra.
Protetora dos Mistérios da Vida e da Morte. Ensina as artes de curar e conhecimento sobre os ciclos da natureza, cura as feridas do corpo e da alma. Rege os momentos de passagem do nascimento à morte.
Cor azul, que representa intuição, verdade, harmonia, água e emoções.
Palavra-chave: auto-cura.

9ª lunação:
Mãe da Vontade. Aquela que ensina como viver a verdade.
Guardiã das Gerações Futuras e dos Sonhos. Rege a direção Oeste, lugar do princípio feminino. Ela ensina como olhar para dentro de si e encontrar a verdade pessoal, a encarar o futuro sem medo e manifestar os sonhos na Terra.
Cor verde, que representa a verdade.
Palavra-chave: futuro.

10ª lunação:
Mãe da Criatividade. Aquela que ensina como trabalhar com a verdade.
Guardiã da Força Criativa. Ela ensina como expressar nossa criatividade, desenvolver nossas habilidades e materializar nossos sonhos e idéias, destruindo as limitações e saindo da estagnação. Para materializar nossos sonhos devemos ter o desejo de criar, decidir fazê-lo e tomar as medidas necessárias para usar a força vital.
Cor de rosa.
Palavra-chave: autoexpressão.

11ª lunação:
Mãe da Beleza. Aquela que caminha com verdade, altivez e firmeza.
Guardiã da Liderança. Ensina a termos orgulho das nossas realizações, afirmar nossa auto-estima, criar nossa reputação pela nossa integridade e conhecimento. Traz novas idéias aos caminhos e verdades dos ancestrais. É a criadora da tradição da Tenda da Lua.
Cor branca, do uso adequado da vontade e autoridade e o lema é ‘pratique aquilo que fala’.
Palavra-chave: autoestima.

12ª lunação:
Mãe da Coragem. Aquela que louva a verdade e ensina a gratidão.
Guardiã da Abundância. Ela ensina a agradecer por tudo que recebemos da vida, abrindo espaço para a futura abundância. Através de testes e lições progredimos na nossa senda, não importa quais os desafios e as dificuldades, devemos agradecer por estas oportunidades que nos permitem desenvolver a nossa força interior. Ela nos mostra o valor do dar e receber e a celebrar a vida e louvar as bênçãos.
Cor púrpura.
Palavra-chave: gratidão.

13ª lunação:
Mãe da Transformação. Aquela que se torna a visão e ensina a mudança.
Guardiã dos Ciclos de Transformação. Ela é a síntese das qualidades das outras 12 Mães, mais do que a soma de todas elas, é aquela que realiza sua Orenda (missão espiritual) e cria um Sistema de Saber. Ela ensina como passar através das lições e mudanças para evoluir espiritualmente, sem nos deixar desviar pelas ilusões, buscando sempre a realização da essência do Ser.
Cor cristalina e luminosa, como os raios lunares e o brilho dos crânios de cristal.
Palavra-chave: realização.

Meditação para entrar em contato com as Matriarcas

Para entrar em contato com a Matriarca de qualquer lunação, sente-se confortavelmente, sozinha ou em grupo, e transporte-se mentalmente para uma planície longínqua. Ande devagar por entre os arbustos e diferente tipos de cactos, nascendo do chão pedregoso. O ar está calmo, o silêncio quebrado apenas pelo canto de alguns pássaros. Veja o Sol se pondo, colorindo o céu nos mais variados tons de dourado e púrpura. No meio dos arbustos, você enxerga uma construção rudimentar de adobe, meio enterrada no chão, lembrando o casco de uma tartaruga. Ao redor, há um círculo de treze índias, algumas idosas, outras jovens, vestidas com roupas e xales coloridos e enfeitadas com colares e pulseiras de prata, turquesa e coral. A mais idosa bate um tambor, as outras cantarolam uma canção que lhe parece familiar. Uma delas lhe faz sinal para que você se aproxime e você a segue respeitosamente.

Sabendo que chegou à Casa do Conselho, onde receberá apoio e orientação, você entra na estranha construção de teto, por uma abertura, descendo por uma escada rústica de madeira. Ao descer a escada, você se percebe dentro de uma Kiva, a câmara sagrada de iniciação dos povos nativos. As paredes estão decoradas com treze escudos, cada um ornado de maneira diferente, com penas, símbolos, conchas e fitas coloridas. O chão de terra batida está coberto de ervas cheirosas e algumas esteiras de palha trançada. No fundo da Kiva, você vê duas pequenas fogueiras, cuja fumaça sai por duas aberturas no teto. Esses fogos cerimoniais representam os dois mundos – o material e o espiritual – e as aberturas representam os canais ou “antenas ” que permitem a percepção dos planos sutis. A fumaça representa o caminho pelo qual os pedidos de auxílio e as preces são encaminhados para o Grande Espírito.

No centro, perto de um caldeirão, está sentada a Matriarca que você veio procurar. Ajoelhe-se e exponha-lhe seu problema. Ouça, então, sua orientação sábia ecoando em sua mente. Peça, em seguida, que ela toque seu peito, acendendo assim o terceiro fogo, a chama amorosa de seu próprio coração. Sinta o calor de sua benção curando antigas feridas e dissolvendo todas as dores, enquanto a chama lhe devolve a coragem, a força, a fé e a esperança. Agradeça à Matriarca pela dádiva que lhe devolveu seu dom inato e comprometa-se a restabelecer os vínculos com a Irmandade das mulheres, lembrando e revivendo a sabedoria ancestral. Despeça-se e volte pelo mesmo caminho, tendo adquirido uma nova consciência e a certeza de que jamais estará só, pois a Matriarca da Lunação de seu nascimento a apoiará e guiará sempre.

FAUR, M. O Anuário da Grande Mãe;
FAUR, M. Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas)

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30 DE MAIO – DIA DE SANTA JOANA D’ARC

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Joana D’arc, nascida como humilde camponesa, sem qualquer tipo de instrução, mas portadora de extraordinários dons mediúnicos, obtinha com freqüência as visões do além e a audição de vozes, as quais a guiaram e sustentaram na grande missão que desempenhou, libertando sua pátria do domínio inglês, além de pacificá-la e uní-la.

Ó Santa Joana D’arc, vós que, cumprindo a vontade de Deus, de espada em punho, vos lançastes à luta, por Deus e pela Pátria, ajudai-me a perceber, no meu íntimo, as inspirações de Deus.
Com o auxílio da vossa espada, fazei recuar os meus inimigos que atentam contra minha fé e contra as pessoas mais pobres e desvalidas que habitam nossa Pátria.
Santa Joana D’arc, ajudai-me a vencer as dificuldades no lar, no emprego, no estudo e na vida diária.
Que nada me obrigue a recuar, quando estou com a razão e a verdade: nem opressões, nem ameaças, nem processos, nem mesmo a fogueira.
Santa Joana D’arc, iluminai-me, guiai-me, fortalecei-me, defendei-me.
Que assim seja.!

 

 

As divindades femininas: No princípio, eram as Deusas

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Nos quatro cantos do mundo, as primeiras divindades eram mulheres: Pótnia, Astarte, Ísis, Amaterazu, Nu Gua. Nas antigas sociedades, elas representavam o começo e o fim de tudo. Hoje, ajudam a entender o passado remoto dos homens.

Em Çatal Huyuk, na Turquia, a estatueta de uma mulher sentada num trono e ladeada por duas panteras, em cujas cabeças ela coloca as mãos, sugere ao mesmo tempo a imagem da mãe e da senhora da natureza. Suas formas generosas — quadris largos e seios grandes— reforçam ainda mais essa idéia. O nome da figura feminina é Pótnia, a deusa de Çatal Huyuk, a mais antiga cidade que se conhece do período Neolítico, cerca de 10 mil anos atrás. De Pótnia nasceram outras divindades femininas também adoradas pelos homens pré- históricos. Sua estatueta, esculpida por volta de 6500 a.C., foi uma das muitas encontradas na Europa e no Oriente Médio, algumas mais antigas, do Paleolítico Superior (de 50 mil a 10 mil anos atrás).

Essas descobertas levaram historiadores e arqueólogos a sugerir que, bem antes de venerar deuses masculinos, os antepassados do homem teriam adorado as deusas, cujo reinado chegou até a Idade do Bronze, há cerca de 5 mil anos. Não se sabe a rigor o exato significado daquelas estatuetas, até porque pouco ou quase nada se conhece dos costumes dos homens pré-históricos. Mas não resta dúvida de que por um bom tempo as deusas reinaram sozinhas, deixando os poderes masculinos à sombra. Em seu livro Um é o outro, a filósofa e professora francesa Elisabeth Badinter tenta explicar a supremacia feminina a partir do que se supõe teriam sido as relações entre homens e mulheres naquelas épocas distantes.

A idéia é que o homem do Neolítico—ao contrário dos seus antecessores do Paleolítico, que eram caçadores, e dos seus descendentes da Idade do Bronze, guerreiros—dedicava-se à criação de rebanhos e à agricultura. Ou seja, já não era necessário arriscar a vida para sobreviver. Nesses tempos relativamente pacíficos, em que a força bruta não contava tanto como fator de prestígio e as diferenças sociais entre os sexos se estreitavam, é bem possível que deusas—e não deuses—tivessem encarnado as principais virtudes da cultura neolítica.

Entre as centenas de estatuetas encontradas, algumas têm em comum os seios fartos e os quadris volumosos como Pótnia. Talvez a mais famosa seja a Vênus de Willendorf, encontrada às margens do rio Danúbio, na Europa Central. Nela, os seios, as nádegas e o ventre formam uma massa compacta, de onde emergem a cabeça e as pernas — na verdade, pequenos tocos. Igualmente reveladora é a Vênus de Lespugne, descoberta na França: embora mais estilizada, guarda as mesmas características de sua irmã de Willendorf.

Mas, das esculturas pré- históricas encontradas até hoje, são raras as que apresentam os traços femininos tão exagerados — o que dá margem a um debate sobre o que significava afinal a figura feminina (devidamente divinizada) nos primórdios das sociedades humanas. Os historiadores tendem a achar que os primeiros homens a viver em grupos organizados davam mais importância à sexualidade feminina do que à fertilidade, embora não seja nada fácil separar uma coisa da outra. No entanto. a imagem à qual acabaram associadas foi a da maternidade. Há quem não concorde. “Traduzir o culto dos ancestrais às deusas como simples exaltação à fertilidade é simplificar demais”, comenta a historiadora e antropóloga Norma Telles, da PUC de São Paulo, que estuda mitologia praticamente desde criança. “Na realidade, a deusa não é aquela que só gera. Ela é também guerreira, doadora das artes da civilização, criadora do céu, do tecido e da cerâmica, entre muitas outras coisas.”

De fato, em muitos mitos, a deusa aparece como quem dá o grão aos homens, e não apenas no sentido literal de nutrição. Assim, por exemplo, Deméter, venerada pelos gregos como a deusa da colheita, ajudava a cultivar a terra — arar, semear, colher e transformar os grãos em farinha e depois em pão. Deméter ensinava ainda os homens a atrelar as animais e a se organizar. Os gregos explicaram a origem do mundo com outro mito feminino: o da deusa Gaia. Doadora da sabedoria aos homens, ela limitou o Caos—o espaço infinito—e criou um ser igual a ela própria: Urano, o céu estrelado.

Pouco depois, Eros, símbolo do amor universal, fez com que Gaia e Urano se unissem. Desse casamento nasceram muitos filhos e, assim, a Terra foi povoada. A crença de que o Universo foi criado por uma divindade feminina está presente em quase toda parte.

Ísis, a mais antiga deusa do Egito, tinha dado a luz ao Sol. Na Índia, Aditi era a deusa-mãe de tudo que existe no céu. Na Mesopotâmia, Astarte, uma das mais cultuadas deusas do Oriente Médio, era a verdadeira soberana do mundo, que eliminava o velho e gerava o novo. Essa idéia aparece com clareza nas efígies datadas de 2 300 a.C., que mostram Astarte sentada sobre um cadáver. Também para os chineses foi uma deusa—Nu Gua — quem criou a humanidade. Seu culto apareceu durante o período da dinastia Han (202 a.C.-220 d.C.). Representada com cabeça de mulher e corpo de serpente, a venerável Nu Gua encarnava a ordem e a tranqüilidade.

Os chineses dizem que, cavando barro do chão, ela moldou uma figura que, para sua surpresa, ganhou vida e movimento próprio. Entusiasmada, a deusa continuou a moldar figuras, mas a natureza mortal de suas criaturas a obrigava a repetir eternamente o trabalho. Por isso, Nu Gua decidiu que os seres deviam se acasalar para se perpetuarem—daí também ela ser considerada pelos antigos chineses a deusa do casamento. Do outro lado do mundo, na América pré – colombiana, os astecas tinham em Tlauteutli sua deusa da criação. Para eles, o Universo fora feito de seu corpo. Os maias tinham igualmente sua deusa-mãe. Era Ix Chel. De sua união com o deus Itzamná nasceram os outros deuses e os homens.

Com o passar do tempo, deuses e homens passaram a dividir com as deusas o espaço no Panteão, o lugar reservado às divindades. Para Elisabeth Badinter, isso acontece quando a noção de casal vai deitando raízes nas sociedades. Pouco a pouco, da Europa Ocidental ao Oriente, “reconhece-se que é preciso ser dois para procriar e produzir”, escreve ela. Mas o culto à deusa – mãe ainda não é substituído pelo do deus – pai. O casal divino passa a ser venerado em conjunto. As deusas só serão destronadas com o advento das religiões monoteístas, que admitem um só deus, masculino. Com a difusão do cristianismo, as antigas deusas são banidas do imaginário popular.

No Ocidente, algumas acabaram associadas à Virgem Maria, mãe do Deus dos cristãos, outras se transformaram em santas. Mas outras ou foram excluídas da história ou acusadas pelos padres de demônios e prostitutas. As deusas das culturas indo-européias tinham em comum o poder de criar, preservar e destruir—davam a vida e recebiam de volta o que se desfazia. Esse aspecto destrutivo das divindades femininas foi o mais atacado pelos inimigos do politeísmo. A suméria Astarte, por exemplo, não escaparia à ira nem dos profetas bíblicos nem dos primeiros cristãos: para uns e outros, ela era a encarnação do diabo.

No império babilônico, Astarte foi venerada sob o nome de Ishtar, que quer dizer estrela. Nos escritos babilônicos, ela é a luz do mundo, a que abre o ventre, faz justiça, dá a força e perdoa. A Bíblia, porém, a descreveria como uma acabada prostituta. A importância dada ao lado violento, destrutivo, talvez explique por que a deusa hindu Kali Ma aparece no filme de Steven Spielberg, O templo da perdição, como a encarnação da violência. Ela é a sanguinária figura em nome da qual se matam e torturam adultos e se escravizam crianças.

No entanto, para os hindus, mais especialmente para os tantras — adeptos de uma derivação do hinduísmo —, Kali é a deusa da transformação e nesse sentido mais filosófico é que ela é destruidora, da mesma forma como a passagem do tempo destrói. Representada como uma mulher negra com quatro braços e uma serpente na cintura, pode aparecer também com um colar de crânios no colo e uma cabeça em cada mão.

Em seus templos, espalhados por toda a Índia, realizavam-se sacrifícios de búfalos e cabras. “Para os orientais, Kali é a desintegração contida na vida, visão essa que nós ocidentais não temos”, interpreta a antropóloga Norma Telles. Se Kali foi vista como deusa sanguinária, outras divindades compensavam tanta violência. Sarasvati, a deusa dos rios, era para os hindus a inventora de todas as artes da civilização, como o calendário, a Matemática, o alfabeto original e até os Vedas, o texto sagrado do hinduísmo.

Também na América pré-colombiana, sobretudo entre os astecas, o culto às deusas e deuses incluía muitas vezes sacrifícios humanos. A deusa Tlauteutli é um bom exemplo. Um dia, os deuses descobriram que ela ficaria estéril, a menos que fosse alimentada de corações humanos. Na verdade, os astecas tinham uma visão apocalíptica do mundo: se não alimentassem a deusa, a Terra se acabaria.

Mas, à medida que começava a crescer o culto à deusa da maternidade, Tonantzin, diminuía o interesse dos astecas pelos deuses aos quais se faziam sacrifícios sangrentos. Mais tarde, com a chegada dos conquistadores espanhóis, Tonantzin foi identificada com a Virgem Maria. Isso acabaria acontecendo também com a deusa Ísis. Cultuada no Egito e no mundo greco – romano, ela representava a energia transformadora. Casada com o deus Osíris, morto pelo próprio irmão, Ísis não sossegou enquanto não lhe restituiu a vida. A lenda conta que as enchentes do Nilo eram causadas pelas lágrimas da deusa que pranteava a morte do amado. Por isso, as festas em sua homenagem coincidiam sempre com a época das cheias. É evidente que, ao festejá-la, os egípcios comemoravam a generosa fertilidade do rio Nilo. Nos primeiros séculos cristãos, Ísis passou a ser identificada com Maria.

Já a deusa Brighid, cultuada pelos celtas, ancestrais dos irlandeses, foi transformada pelo cristianismo em Santa Brigida. A veneração daquele povo por Brighid era tanta que ela era chamada simplesmente “a deusa”. Dona das palavras e da poesia, era também a padroeira da cura, do artesanato e do conhecimento. As festas em sua homenagem se davam no dia 1º de fevereiro, antecipando a chegada da primavera. Na história cristã, a santa nasceu no pôr-do-sol, nem dentro nem fora de uma casa, e foi alimentada por uma vaca branca com manchas vermelhas. Na tradição irlandesa, a vaca era considerada sobrenatural.

Antes mesmo da chegada das religiões monoteístas, os mitos dizem que o convívio entre deuses e deusas começou a se tornar difícil e a igualdade dos poderes divinos começava a ficar abalada. Assim, por exemplo, Amaterazu, a deusa japonesa do Sol, de quem descendiam os imperadores, não se dava muito bem com o deus da tempestade. Conta a lenda que certo dia ele foi visitar os domínios da deusa e acabou por destruir seus campos de arroz. Furiosa, Amaterazu resolveu vingar-se trancando-se numa caverna — o que deixou o mundo às escuras. Depois de um tempo, como ela não saísse da caverna, uma multidão de deuses e deuses menores decidiu armar uma estratégia para convencê-la a mudar de idéia. Assim, colocaram diante da caverna um espelho que refletia a imagem do deus da tempestade, como se ele estivesse enforcado numa árvore, e começaram a dançar.

Atraída pela música, a deusa decidiu sair para ver o que acontecia. Ao deparar com a imagem no espelho ficou feliz e voltou ao mundo. Com isso, tudo se normalizou e os dias continuaram a suceder às noites. Outro exemplo dos conflitos entre as divindades é o caso da deusa grega Deméter e seu marido Hades, o deus do mundo dos mortos. Eles começaram a brigar pela guarda da filha Perséfone e a questão só foi resolvida com a mediação de Zeus, o deus supremo do Olimpo. Salomonicamente, ele determinou que a menina ficasse com cada um seis meses por ano. Das deusas veneradas no mundo antigo, não houve tantas nem tão famosas como as da mitologia greco – romana. Afrodite (Vênus, em Roma) talvez fosse a mais popular de todas, por encarnar o amor e as formas belas da natureza.

Já Ártemis (Diana) era a caçadora solitária, senhora dos bosques e dos animais. Seus lugares preferidos eram sempre aqueles onde o homem ainda não tinha chegado. Atena (Minerva) protegia a cidade, as casas e as famílias. O predomínio que as divindades femininas exerceram ao longo do tempo levou alguns pesquisadores do século XIX a supor que na pré-história as mulheres detiveram alguma forma de autoridade política. Não há registros arqueológicos que confirmem isso — hoje os especialistas não admitem que tenha existido alguma sociedade cujo controle estivesse com as mulheres. Mas também é certo que nos tempos pré-históricos, quando era outra a divisão social do trabalho, as mulheres tinham um papel preponderante na luta pela sobrevivência do grupo. É impossível saber com exatidão quando e por que deixou de ser assim. De uma coisa, porém, não se duvida: foram os homens quem primeiro traçaram a mitologia das deusas.

A primeira mulher de Adão

Segundo uma antiga lenda, a primeira companheira de Adão não foi Eva, mas uma deusa chamada Lilith—”monstro da noite”, para os antigos hebreus—que brigou com Deus e por isso foi transformada em demônio. Na verdade, o castigo maior que Ihe impuseram os sacerdotes foi excluí-la dos relatos bíblicos da criação do mundo. Lilith, versão hebraica de uma divindade babilônica, sinônimo de “face escura da Lua”, não se dava bem com Adão. Certo dia, cansada de desavenças, Lilith abandonou o marido e foi para o mar Vermelho, onde passou a viver entre demônios, com quem teve vários filhos.

Inconformado, Adão foi pedir a interferência de Deus. Este determinou então que Lilith voltasse imediatamente para casa. Mas ela recusou-se e foi condenada a devorar todos os seus filhos. Não bastasse, passou a ser considerada um demônio igual a outras deuses do mundo das trevas. Por tudo isso, no folclore judaico, cada vez que morria uma criança, dizia-se que Lilith a tinha levado. A lenda de Lilith perdurou entre os judeus pelo menos até o século VII.

Para saber mais:

Nas montanhas dos deuses

(SUPER número 10, ano 3)

Prometeu, martir e herói

(SUPER número 4, ano 4)

Um touro seduziu a Europa

(SUPER número 6, ano 4)

O lado feminino do Brasil colonial

(SUPER número 4, ano 8)

Por: Maria Inês Zanchetta – Via https://super.abril.com.br/cultura/as-divindades-femininas-no-principio-eram-as-deusas/

As três classes de Deusas na mulher

deusatriplice
Arquétipo é um modelo ou exemplo de ideias ou conhecimentos do qual se derivam outros tantos para modelar os pensamentos e atitudes próprios de cada indivíduo, de cada conjunto, de cada sociedade, inclusive de cada sistema.
O conceito de arquétipo foi introduzido pelo psicólogo Carl Gustav Jung como um termo dentro do campo do psíquico. A existência do arquétipo só pode ser inferida, já que é, por definição, inconsciente. Porém, as imagens arquetípicas penetram na consciência e constituem-se em nosso mode de perceber o arquétipo. Eles então aparecem na forma de imagens.
Os arquétipos se manifestam através de nossas projeções, o que nos permite inferir sua presença. As estruturas arquetípicas aparecem no homem por meio de formas determinadas: nas mitologias, nas lendas, nos sonhos, em certos desejos coletivos…
Os homens dividem uma série de experiências que ficaram, por sua natureza coletiva, incorporadas como padrões de compreensão da realidade.
São as imagens primordiais, os símbolos universais com os quais fazemos uma conexão com dimensões superiores das quais não somos conscientes. São os padrões de energia que expressamos tão espontaneamente como os instintos. São as máscaras que usamos para representar um papel. São a fachada que exibimos publicamente para dar uma imagem favorável e ser aceitos socialmente.
Podemos usar diferentes máscaras em diferentes circunstâncias: uma com a família, outra no trabalho, outra com os amigos etc.
As máscaras ainda podem ser proveitosas ou nocivas, permitem obter benefícios, igualmente podemos nos fusionar demasiado com uma delas, deixando de lado as demais e não permitindo que se manifestem equitativamente todos os aspectos místicos de nosso interior.
Veremos uma parte do universo feminino visto pelos diferentes rostos com os que a Deusa Mãe se expressa no mundo físico através da mulher.
No inconsciente coletivo estão registradas as experiências que marcam de forma profunda a vida de uma mulher, como o ciclo menstrual, o início da sexualidade, a gravidez, o parto e a menopausa.
Essas experiências produzem um impacto diferente em cada ser feminino, as quais são divididas em todas as épocas, mantendo o fio da trama que nos une de forma inegável com a Deusa que vive em todas nós.
Deusa que se expressa em uma multiplicidade de formas, que cresce e se enriquece com o passar dos séculos, chegando até os dias de hoje intacta, como foi idealizada pelas primeiras mulheres que deixaram suas marcas nesta Terra, antes do Começo dos Tempos.
A Mitologia da Deusa é um dos arquétipos femininos e explica as diferentes experiências vividas durante nossa vida.
Tradicionalmente, considera-se que a mulher deve atravessar três etapas diferentes: a mulher jovem, a mulher em sua plenitude ou mulher madura, e a mulher sábia e anciã. Essas experiências psicológicas e físicas únicas caracterizam cada etapa, formando assim os arquétipos pertencentes à mitologia da Deusa.
Cada um dos mitos da Deusa é um arquétipo que se expressa na vida de toda mulher, produzindo um impacto direto sobre seu psiquismo.
Por isso, compreender a mitologia das diferentes Deusas é compreender o reflexo que o arquétipo produz em nós: visto à luz do mito, um pequeno detalhe de nosso comportamento pode ter uma importância maior e revelar-nos as claves de um enigma que tentamos resolver desde há muito tempo.
A versatilidade da mitologia da Deusa possibilita que cada mulher reconheça suas próprias experiências e características dentro de seu contexto, desenhando o Caminho que a levará a seu verdadeiro Ser, e por isso podemos dizer: Há uma Deusa em e para cada Mulher.
Os Conjuntos de Deusas
Podemos resumir, de forma didática, as Deusas Arquetípicas em três classes: as Virgens, as Vulneráveis e as Alquímicas, que são a representação, por meio de suas metáforas, do que uma mulher pode fazer de sua diversidade e de seus conflitos interiores, manifestando a complexidade e as múltiplas facetas do funcionamento feminino.
Essas três categorias por sua vez podem ser divididas em outras categorias r fazer com que a lista seja interminável, já que uma deusa pode ser encontrada em várias categorias. Exemplos:
Deusas Virgens, independentes e invulneráveis: Ártemis ou Diana, Ateneia ou Minerva e Vesta. Amam sua liberdade pessoal, suas próprias decisões e não se deixam influir pelos outros. São as artistas, as inovadoras, e funcionam por si mesmas.
Deusas vulneráveis, maternas e emocionais: Hera, Demeter, Perséfone, Çatal Huyuk. São dependentes dos outros; seus sentimentos e sua ação estão muito influenciados por seus próximos. Muito emotivas, correspondem às esposas, mães, filhas.
Deusas de grande fortaleza pessoal: Ísis, Pachamama, Freya e Coatlicue, entre outras. São deusas criadoras, muito fortes e de grande capacidade de realização e contenção. Exercem uma influência na comunidade.
Deusas de Cura: Minerva, Birgit, Yemanjá. São muito inspiradoras, relacionadas principalmente com os elementos água e fogo, conectadas com emoções mais sutis. Ajudam no contato com o amor e as energias mais invisíveis.
Deusas Obscuras ou Ocultas: Innana, Perséfone e Sekhmet, entre outras. São a sombra, porém não que sejam forças negativas: a parte de cada uma que nos custa ver e assumir. Quando as energias dessas deuses saem à luz, ajudam a mulher a desenvolver o sentido mais profundo da Morte, não necessariamente a morte física, mas de todas as trevas interiores, dando assim um sentido de muita energia, transmutação e transcendência.
Deusas da Compaixão: Tara e Kuan Yin. Generosas, meditativas, sanadoras, Elas nos ensinam a meditação, a misericórdia e a bondade. São de origem oriental e irradiam luminosidade e paz com somente sua presença, e, ainda mais, com sua invocação.
Deusa da Boa Sorte: Lakshmi. Do panteão hindu, representa a deidade da fortuna pessoal, da dita no plano espiritual e na terra. Quando aparecem, os jardins florescem e tudo tende a melhorar. É a Roda da Fortuna, o arcano 10 do Tarô, que todos temos em nosso interior.
 
Fonte: Gnosis On Line

O Xale… O Lenço… A conexão com seu Manto Sagrado

xales

Para os povos nativos, simboliza o retorno ao lar, aos braços da mãe Terra, estar protegido e acolhido pelo amor da Grande Mãe. O xale surgiu quando os povos indígenas não conseguiam mais viver no mundo dos brancos e necessitam se conectar com a sabedoria de seus ancestrais. Quando tecemos nosso xale e nos enrolamos nele, nos reconectamos com a força da Mãe Terra e de nossa Ancestralidade Sagrada. Usar o Xale é honrar a necessidade de retornar ao próprio lar, de buscar equilíbrio nos braços da Grande Mãe e dos Ancestrais Sagrados…. É voltar ao encanto e magia da simplicidade de amar e ser amado, simplesmente por ser quem se é.
“Tome seu xale e sinta também a responsabilidade de amar os outros, de amar aqueles que se esqueceram de trilhar o caminho sagrado, e que não encontraram ainda seu caminho de voltar ao lar” – JAMIE SAMS.

Em seus mais diversos formatos, cores e materiais, os xales sempre foram usados pelas mulheres em todos os quadrantes do planeta. Podem entrar e sair de moda, mas sempre retornam para nos aquecer, proteger e também embelezar, porque beleza não é luxo, é necessidade, como diz a poetisa mineira Amélia Prado.
As mulheres Incas usam seus xales presos por um broche (Tupus), um artefato que possibilitou aos arqueólogos identificar estátuas ou múmias como sendo do sexo feminino. Quando membros da raça vermelha dos nativos americanos decidiram retornar aos ensinamentos de seus ancestrais, chamaram este movimento de Tomada do Xale.

A mesma ideia do xale como os braços amorosos da Grande Mãe é expressa entre os celtas na figura de Brigid, como a Senhora do Manto. O Manto da Deusa não apenas cobre e protege todo o território, mas também envolve cada pessoa que recorre a ela por proteção. Os fios de seu manto são os filamentos que conectam todas as coisas em uma grande Teia de Vida. O manto de Brigid fazia parte do equipamento das parteiras celtas, que o colocavam sobre a parturiente para assegurar um bom parto. Também era usado para envolver qualquer parte do corpo que estivesse dolorida ou ferida, porque ajudava na cura.

Universais e acolhedores, os Xales são símbolo de inclusão e amor incondicional, que envolvem, confortam, cobrem, abraçam, protegem e embelezam, escreve Janet Bristow que, junto com Victoria Galo, fez do prazer de tricotar e “crochetar” uma prática de espiritualidade feminina, criando xales portadores de orações e bênçãos, para distribuir entre os necessitados de conforto.

Além disso, à medida que o outono avança e a temperatura declina, nada como um xale acolhedor envolvendo os ombros, para nos proporcionar uma sensação de calor e bem-estar.

Diante de tudo isso, quando pensamos na “Guardiã do Xale”, nossa ideia era de que uma mulher do círculo pudesse ocupar e ancorar esse honroso e importantíssimo lugar: aquela que envolve, conforta, cobre, abraça, protege e embeleza todas as pessoas do círculo com sua acolhedora e amorosa presença. As formas de realizar isso são muitas, e ficam à critério da imagina-ação de cada uma. Mas por certo, esse é um rico aprendizado, que possibilita ancorar no grupo a presença da Mulher Sábia, Portadora do Xale, o que tem reflexos profundos em nossa própria vida…

Sigamos juntas, tecendo os fios desse amoroso e acolhedor Xale de Retorno à nossa própria Casa!

Por: Patricia Feldman

Via: As Faces do Sagrado Feminino – @asfacesdosagradofeminino