XAMANISMO É UM MODO DE VIDA

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Não se pode falar do Xamanismo como uma doutrina . O Xamanismo não é um conjunto de conhecimentos dogmáticos . Não existe um livro sagrado do Xamanismo. O Xamanismo é um conhecimento vivo . É como o fogo. Nasce com o Xamã e morre com ele . É um conhecimento transmitido através de gerações, vivo , passado de lábios à ouvidos . É um conhecimento prático . O xamã é fruto da Águia e da Mulher, não um produto acadêmico. O xamã é gestado no útero da Terra. O xamanismo pode-se dizer que é uma Religião da Terra, e mais do que isso. Para o Xamã a Terra é sua Mãe. A Terra é sagrada. As pedras, as árvores, os animais são sagrados e são um com o Xamã, são seus irmãos. O Xamã observa, sente o ritmo do Terra e harmoniza-se com ele. O xamã busca o desenvolvimento de sua capacidade perceptiva, pois vê a si mesmo como parte do mistério do universo e busca desvenda-lo. Ele mesmo é parte desse mistério e olhando para si busca revelar-se. Percebendo a sua tripla natureza (animal, humana e divina) o xamã busca um desenvolvimento equilibrado de si. Nesse sentido podemos dizer que o Xamanismo tem profundas afinidades com o que poderíamos chamar de uma escola do quarto caminho. Uma escola do quarto caminho busca um desenvolvimento equilibrado do físico, do emocional e do mental do ser humano através do trabalho sobre si. Esse trabalho tem como ponto de partida a observação de si, um olhar para dentro de nós mesmos sem críticas, condenações ou justificativas afim de descobrirmos o mistério de ser.

Hoje em dia quando falamos em Xamanismo um nome vem a nossa mente: Carlos Castaneda. Seus livros são um sucesso internacional há anos, começando a Erva do Diabo e depois Uma Estranha Realidade, Viagem a Ixtlan, Porta para o Infinito , o Segundo Círculo do Poder, o Presente da Águia, o Fogo Interior, etc . Seus livros são relatos, praticamente auto-biográficos , de uma vivência poderosa que transformou o cientista social (antropólogo) num feiticeiro da linhagem do nagual conhecido como Juan Matus. O Xamanismo de D. Juan é conhecido como o Caminho do Guerreiro, uma tradição xamânica que remonta à 25 gerações. Essa linhagem que remonta a antigos feiticeiros mexicanos baseia a sua arte num trabalho que envolve uma poderosa disciplina pessoal no aspecto físico, emocional e mental. Segundo D. Juan, a chave fundamental da feitiçaria está na capacidade de parar aquilo que ele define como diálogo interno. O diálogo interno é a conversação que estabelecemos com nós mesmos e nunca cessa, é o contínuo agito da mente, é o incessante desfile de pensamentos, lembranças, desejos e memórias de nossa tela mental responsável pelo nosso sistema de interpretação do mundo (Matrix), ou seja, o mundo tal como nós o percebemos é decorrente desse sistema de interpretação  Esse sistema de interpretação nos foi imposto através da educação, da cultura e dos condicionamentos sociais. O diálogo interno pode ser interrompido através de inúmeras técnicas xamânicas, justamente com o objetivo de rompendo com o nosso sistema de interpretação usual, permitir-nos utilizar o enorme potencial de nossa capacidade perceptiva ou de consciência, também denominada de Visão. Dentre essas técnicas temos aquilo que Castaneda denominou de Tensegridade ou Passes Mágicos ou, ainda, Gestos de Poder. Os xamãs do antigo México perceberam que em estados de consciência intensificada determinados movimentos eram capazes de produzir grande bem estar físico e mental. Na busca por reproduzir esse bem estar conceberam os passes mágicos como um grande conjunto de séries de movimentos capazes de redistribuir a energia e inibir o diálogo interno. Energia é um conceito fundamental no Caminho do Guerreiro. Só poderemos romper com as limitações impostas pelo diálogo interno através de uma redistribuição adequada de nossa força (energia). Para os Xamãs os seres são seres luminosos, que do ponto de vista da energia, apresentam-se como um campo de energias. Os seres humanos apresentam-se como enormes ovos luminosos ou bolas luminosas. Normalmente, a energia dos seres humanos encontra-se na periferia do ovo luminoso, formando uma grossa casca, redireciona-la para o centro, onde localizam-se determinados centros de energia é um dos objetivos do xamãs através dos passes mágicos. Segundo eles, os seres humanos possuem em seu ovo luminoso um ponto especial responsável pela nossa forma de ver o mundo. Eles o chamam de ponto de aglutinação, pois a energia concentra-se ali de uma forma especial. Sua localização está na altura das omoplatas a cerca de um braço de distância. Deslocar esse ponto, tornando-o mais fluido é outro objetivo da prática xamânica, pois esse deslocamento e fluidez permitiria um estado de consciência intensificada, capaz de nos permitir ver outras realidades. Para os xamãs o Universo compara-se a uma cebola, divide-se em camadas, e nossa percepção ordinária permite-nos ver apenas uma dessas camadas. A grande obsessão dos xamãs é acessar as outras camadas.

Assim o objetivo do guerreiro xamânico é desenvolver sua percepção, desenvolvendo todo o potencial oculto do homem, rompendo com os limites estreitos de nossa consciência comum, buscando a totalidade de ser e de perceber  O guerreiro se distingue por ter um corpo apto a enfrentar os rigores de uma árdua disciplina , equilíbrio emocional e domínio do silêncio interior.

No caminho do guerreiro certas qualidades são de suma importância, dentre elas:

Sobriedade: dispensar tudo aquilo que não for essencial ao caminho.

Pragmatismo: o guerreiro não é fanático, utiliza-se de tudo que pode ser útil no seu caminho guiando-se pela experiência e adaptando-se a realidade que o cerca.

Humor: o guerreiro aprende a rir de si mesmo como arma contra a auto-importância.

Equilíbrio: o guerreiro busca o desenvolvimento equilibrado de si, extraindo a máximo do mínimo.

Viver o aqui e o agora: o guerreiro vive intensamente cada segundo, sem distrair-se, alerta e ao mesmo tempo relaxado.

Impecabilidade: dar o máximo de si em tudo o que faz.

O caminho do guerreiro é um caminho para poucos.

O caminho xamânico não é para todos.

Alguém se torna xamã por uma escolha do Poder que rege o nosso destino. Alguém está apto a seguir esse caminho por uma indicação do Poder através de presságios, sinais , pelo oráculo ou pela Visão de um verdadeiro xamã. Enquanto seres luminosos possuímos em nossa configuração energética determinadas características que indicam nosso potencial e nossa vocação no caminho xamânico, só um xamã que disponha da visão pode identificar essas características. Alguém inicia-se no caminho xamânico por uma transmissão direta do conhecimento por parte de um xamã. Ninguém se torna xamã por correspondência ou através de workshops. É um estudo e uma prática que exigem uma disciplina férrea pela vida inteira. Questões como animal de poder não são uma mera curiosidade de natureza esotérica. O animal de poder é uma parte de nosso próprio ser, de nossa própria energia que deve ser reintegrada a nós mesmos dentro de uma relação de troca e não de escravidão. O animal de poder não serve ao xamã, é um companheiro de jornada, um xamã não tem servidores, pois seu objetivo é a liberdade total. Assim como existe um animal de poder, existe uma planta de poder e uma pedra de poder. O xamanismo é um modo de vida e uma opção de vida. Aqueles que não estão satisfeitos com o modo de vida comum tem a possibilidade de obter o Presente da Águia: a liberdade, para isso devem buscar o modo de vida do guerreiro. Uma coisa distingue o guerreiro do homem comum: o poder pessoal. Isto está bem caracterizado na seguinte frase: “Existe uma grande diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”.

Um mistério que ama,

Um afeto abstrato,

Uma chama que arde,

O infinito que nos chama.

O Nagual na forma de um homem, um animal, uma planta, um mineral.

Tudo e nada, e ainda assim, fantasticamente real.

Estranho e, mesmo assim, real.

 

Um Guerreiro do Coração

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O Xale… O Lenço… A conexão com seu Manto Sagrado

xales

Para os povos nativos, simboliza o retorno ao lar, aos braços da mãe Terra, estar protegido e acolhido pelo amor da Grande Mãe. O xale surgiu quando os povos indígenas não conseguiam mais viver no mundo dos brancos e necessitam se conectar com a sabedoria de seus ancestrais. Quando tecemos nosso xale e nos enrolamos nele, nos reconectamos com a força da Mãe Terra e de nossa Ancestralidade Sagrada. Usar o Xale é honrar a necessidade de retornar ao próprio lar, de buscar equilíbrio nos braços da Grande Mãe e dos Ancestrais Sagrados…. É voltar ao encanto e magia da simplicidade de amar e ser amado, simplesmente por ser quem se é.
“Tome seu xale e sinta também a responsabilidade de amar os outros, de amar aqueles que se esqueceram de trilhar o caminho sagrado, e que não encontraram ainda seu caminho de voltar ao lar” – JAMIE SAMS.

Em seus mais diversos formatos, cores e materiais, os xales sempre foram usados pelas mulheres em todos os quadrantes do planeta. Podem entrar e sair de moda, mas sempre retornam para nos aquecer, proteger e também embelezar, porque beleza não é luxo, é necessidade, como diz a poetisa mineira Amélia Prado.
As mulheres Incas usam seus xales presos por um broche (Tupus), um artefato que possibilitou aos arqueólogos identificar estátuas ou múmias como sendo do sexo feminino. Quando membros da raça vermelha dos nativos americanos decidiram retornar aos ensinamentos de seus ancestrais, chamaram este movimento de Tomada do Xale.

A mesma ideia do xale como os braços amorosos da Grande Mãe é expressa entre os celtas na figura de Brigid, como a Senhora do Manto. O Manto da Deusa não apenas cobre e protege todo o território, mas também envolve cada pessoa que recorre a ela por proteção. Os fios de seu manto são os filamentos que conectam todas as coisas em uma grande Teia de Vida. O manto de Brigid fazia parte do equipamento das parteiras celtas, que o colocavam sobre a parturiente para assegurar um bom parto. Também era usado para envolver qualquer parte do corpo que estivesse dolorida ou ferida, porque ajudava na cura.

Universais e acolhedores, os Xales são símbolo de inclusão e amor incondicional, que envolvem, confortam, cobrem, abraçam, protegem e embelezam, escreve Janet Bristow que, junto com Victoria Galo, fez do prazer de tricotar e “crochetar” uma prática de espiritualidade feminina, criando xales portadores de orações e bênçãos, para distribuir entre os necessitados de conforto.

Além disso, à medida que o outono avança e a temperatura declina, nada como um xale acolhedor envolvendo os ombros, para nos proporcionar uma sensação de calor e bem-estar.

Diante de tudo isso, quando pensamos na “Guardiã do Xale”, nossa ideia era de que uma mulher do círculo pudesse ocupar e ancorar esse honroso e importantíssimo lugar: aquela que envolve, conforta, cobre, abraça, protege e embeleza todas as pessoas do círculo com sua acolhedora e amorosa presença. As formas de realizar isso são muitas, e ficam à critério da imagina-ação de cada uma. Mas por certo, esse é um rico aprendizado, que possibilita ancorar no grupo a presença da Mulher Sábia, Portadora do Xale, o que tem reflexos profundos em nossa própria vida…

Sigamos juntas, tecendo os fios desse amoroso e acolhedor Xale de Retorno à nossa própria Casa!

Por: Patricia Feldman

Via: As Faces do Sagrado Feminino – @asfacesdosagradofeminino