06 de Janeiro – Dia dos Santos Reis

santo rei
Também conhecido como Epifania do Senhor, hoje é o dia que se celebra os Três Reis Magos, as testemunhas oculares de Jesus recém-nascido, indicados ao caminho por uma estrela muito luminosa.
De celebração eucarística à festa popular, a comemo- ração ao Dia dos Santos Reis veio de Portugal, confundindo-se com o folclórico Folia de Reis ou Reisado. Em termos litúrgicos, a Epifania do Senhor ocorre dois domingos após o Natal, sendo que o Dia de Reis é comemorado em 6 de janeiro. Na Antiguidade, as comemorações natalinas duravam 12 dias, exatamente por ter sido o tempo que os Três Reis Magos levaram para chegar até o Menino Jesus em Belém.
Afinal, quem são esses Três Reis Magos e como surgiu a comemoração?

Embora esses personagens não tenham sido citados em detalhes no Evangelho de São Mateus, o qual aborda o nascimento e infância de Jesus, eles são constantemente associados aos relatos da Santa Natividade e figuras imprescindíveis às comemorações natalinas. O número de 3 não é especificado no Evangelho, mas o 3 (igualmente com os números 7 e 12, são considerados cabalísticos e aparecem diversas vezes nos Evangelhos e no Velho Testamento).

Os Três Reis Magos são: Gaspar, Baltazar e Melquior. Porém, na própria Bíblia, nada se diz sobre a identidade desses supostos reis, o que leva-nos a crer que a história que se formou a partir do relato bíblico é fictícia, tornando-se um relato folclórico. Há estudiosos que acreditam que os supostos três reis sequer eram 3 ou mesmo reis. A suposição em número de três se refere à quantidade de presentes que o Menino Jesus ganhou, que foram a mirra, o incenso e o ouro. Quanto ao título de rei e mago, acredita-se que esses homens eram Sacerdotes do Zoroastrismo, religião fundada na antiga Pérsia. E que esses homens eram versados em Astrologia, por isso foram capazes de identificar uma estrela que naturalmente não fazia parte do mapa estelar que conheciam.

E tendo o conhecimentos de antigas profesias em que se diziam que nasceria um Rei que traria a salvação à Humanidade, os Reis Magos seguiram, primeiro, até o palácio de Herodes, para saber de tal criança divina. Isso apenas fez com que Herodes temesse ser tirado do trono e planejou o assassinato da criança. O que, de fato aconteceu um tempo depois, quando ele ordenou que matassem a todos os bebês meninos de até 2 anos. Foi quando se deu o episódio da fuga para o Egito pela Sagrada Família. Os bebês mortos foram considerados pela Igreja os primeiros mártires de Cristo, chamados de Santos Inocentes, comemorados em 28 de dezembro.

devoção aos Três Reis Magos se iniciou na Idade Média, no século 6. Apenas em 1164 foram tornados Santos e venerados como tal pela Igreja Católica.

A passagem bíblica, um pequeno parágrafo, que faz referência aos Magos é esta:

“Entrando na casa, viram o menino, com Maria sua mãe. Prostando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho à sua terra.” (Mateus 2:11-12)

Porém, São Beda foi o responsável por dar maior importância a tais personagens ocultos, ao criar o texto entitulado “Excerpta et Colletanea”, relatando o seguinte:

Belquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos CaldeusGaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia 

FOLIA DE REIS OU REISADO

A Folia de Reis ou Reisado é uma festa religiosa que se tornou parte do nosso Folclóre quando, ainda nos primórdios do Brasil Colonial, por volta de 1530, fora trazida pelos Padres Jesuítas, para ser usada como instrumento de catequisação dos povos aborígenes brasileiros e, posteriormente, dos africanos, trazidos como escravos pelos portugueses.

A festividade era uma tradição que ocorria em toda Península Ibérica, sendo originada na Espanha. Consistia de visitações às residências, em que os foliões cantavam e dançavam, representando uma peça que contava sobre a Santa Natividade e os Três Reis Magos. Os anfitriões presenteavam os participantes com dinheiro, comida e bebida.

Hoje, a festa ocorre em todo o território nacional, especialmente nas cidades pequenas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Goiás e São Paulo. É considerada, por sua popularidade, de caráter profano-religioso.

Faz parte das comemorações natalinas, que vão de 24 de dezembro até 6 de janeiro. À essas comemorações, são feitos diversos festejos populares Brasil afora, como o Congado, a própria Folia de Reis, o Império do Divino, o Reinado do Rosário e Pastorinhas.

Sendo um verdadeiro Teatro espontâneo a céu-aberto, os foliões representam uma peça através do canto e da dança. Ao iniciar, os chamados pastores e pastores se reúnem em um ponto de encontro a que chamam rancho e de lá parte pelas ruas, indo às casas, tocando viola, reco-reco, rabeca, cavaquinho, pandeiros e outros instrumentos populares, seguindo uma bandeira toda colorida e enfeitada com fitas. Esse cortejo segue de manhã bem cedo, para acordar o povo com cantorias e versos.

A peça segue por partes: abrição da porta; entrada; louvação ao Divino; chamadas do rei; peças de sala; danças; a guerra; as sortes; encerramento da função. E os personagens representados são: Os Reis, o Mestre, o contramestre, Mateus, Catarina, figuras e moleques. De acordo com a região onde acontece a Folia de Reis, esses personagens podem variar, mas todos os foliões vão fantasiados de forma extravagante.

E há quem diga que o Brasil é um país sem Cultura e sem Tradições. E, tão viciados pelos Folclóres de outros países, através do cinema deturpador e da Literatura comercial, com seus vampiros, lobisomens e outros bichos ridículos, não conseguem enxergar a beleza e a extrema riqueza do nosso maravilhoso Folclóre miscigenado, único e incomparável.

CARNAVAL : A FESTA DA CARNE – POR FREI BETTO

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Carnaval significa ‘festa da carne’. Outrora, uma festa religiosa. Às vésperas da Quaresma, diante da perspectiva de passar 40 dias em abstinência de carne, os primeiros cristãos fartavam-se de assados e frituras entre o domingo e a Terça-Feira Gorda. Na quarta, revestiam-se de cinzas, evocando que do pó viemos e para o pó voltaremos, e ingressavam no período em que a Igreja celebra a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A modernidade secularizou a cultura e, de certo modo, esvaziou o significado das festas religiosas, hoje apreendido apenas por cristãos vinculados à comunidade eclesial. Com certeza ganhou a autonomia da razão e perdeu a consistência da subjetividade. No Natal, trocou-se São Nicolau, que no século 5 distribuiu sua herança aos pobres, pela figura consumista de Papai Noel. O Carnaval transformou-se em festa da carne em outro sentido. E fez-se da Semana Santa um período extra de férias.

Enquanto todos se perguntam pelo sentido da vida, o neoliberalismo procura nos incutir que viver é consumir e que “fora do mercado não há salvação”. Derrubado o Muro de Berlim e constatado o fracasso crônico do neoliberalismo para implantar justiça social, globaliza-se a emergência espiritual.

A Quarta-Feira de Cinzas instiga-nos a refletir sobre esta experiência inelutável: a morte. O processo massificador da modernidade tende a tornar descartáveis também os ritos de passagem que se sobrepõem às esferas religiosas, como o nascimento, o casamento e a morte. Outrora, morria-se em casa e, contra a vontade do poeta, havia choro, vela e fita amarela.

A evocação da morte incomoda porque remete ao sentido da vida. Só assume morrer quem imprime à vida um sentido altruísta, que transcende a sua existência individual. Fora disso, a morte é brutal sonegação da vida. O Carnaval é celebração da vida quando festejado como comunhão de alegria. É o momento de ruptura das formalidades, de inversão de papéis sociais e expressão da utopia de uma sociedade em que estarão erradicadas todas as barreiras sociais, raciais e étnicas.

O Carnaval é também propício ao aprofundamento da fé, quando se aproveita o Tríduo de Momo para um encontro mais íntimo com Deus, longe das batucadas, dos bailes e dos desfiles alegóricos. Deixar a alma desfilar por suas profundezas, ao ritmo do silêncio, conduz à apoteose.

Frei Betto 

Via: http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2015-02-15/frei-betto-festa-da-carne.html