CRIE SUA VIDA COMO UMA OBRA DE ARTE

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Primeiro Passo : Observação Diária

Comece tornando-se cônscio do seu dia a dia, ações de rotina e enquanto você estiver fazendo suas ações de rotina, permaneça relaxado.

Não há necessidade de ficar tenso. Quando você estiver lavando o chão, qual é a necessidade de ficar tenso? Ou quando você estiver cozinhando sua comida, qual a necessidade de ficar tenso? Não há nem um só momento na vida que exija sua tensão. É somente sua inconsciência e sua impaciência.
Eu não encontrei coisa alguma – e tenho vivido de todas as maneiras, com todo tipo de pessoas. Eu sempre fiquei perplexo: porque eles estão tensos? Parece que a tensão não tem nada a ver com qualquer coisa externa a você, ela tem algo a ver com algo dentro de você. Externamente você sempre encontra uma desculpa só porque isso parece ser tão idiota estar tenso sem nenhum motivo. Apenas para racionalizar, você encontra alguma razão fora de si mesmo para explicar porque você está tenso.
Mas a tensão não está fora de você, é o seu estilo de vida incorreto.

Passo 2: Aceite a si mesmo

Você está vivendo em competição – isso vai gerar tensão. Você está vivendo em contínua comparação – que irá criar tensão. Você está sempre pensando ou no passado ou no futuro e perdendo o presente que é a única realidade – isso irá criar tensão.
Basta encontrar seu próprio talento. A natureza nunca envia qualquer individuo sem algum presente único. Apenas uma pequena busca… Qualquer qualidade e qualquer talento que você tenha, use-os ao máximo, e a energia que está envolvida nas tensões tornar-se-á sua graça, sua beleza.

Passo 3: Seja um Artista do Amor

O que quer que você esteja fazendo, faça-o com um tal amor, com tal cuidado que a menor coisa no mundo torna-se uma peça de arte. Isso lhe trará grande alegria. E isso criará um mundo sem competição, sem comparação; isso dará dignidade a todas as pessoas. Irá restaurar o orgulho delas, que as religiões destruíram.
Qualquer ato feito com totalidade torna-se sua oração.

– Osho, em “The Hidden Splendor” –

Via: Prem Abodha – https://www.facebook.com/prem.abodha

Soltar as Amarras da Personalidade – Osho

 

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Respeite mais intensamente o seu coração.

 Pois através do seu coração surge a única luz que pode iluminar a vida e torná-la clara a seus olhos.

 “…Só uma coisa é mais difícil de se conhecer – o seu coração. Antes que as amarras da personalidade sejam soltas, o profundo mistério do eu não pode começar a ser visto. Enquanto você não sair do caminho, ele não se revelará, de modo algum, à sua compreensão. Só então, e jamais antes, você poderá apreendê-lo e governá-lo. Só então, e jamais antes, você poderá usar todos os seus poderes e devotá-los a um trabalho valioso.”

 

A coisa fundamental a ser entendida é que você não pode conhecer sua própria natureza, seu próprio coração, seu próprio ser, por causa de sua personalidade, por causa de uma entidade falsa que você criou ao seu redor. Vivemos encerrados dentro de personalidades. As personalidades são falsas. Elas são, simplesmente, máscaras, fachadas a serem mostradas aos outros. Mas esse hábito torna-se tão arraigado que você se esquece completamente de sua face original. Mostrando suas falsas faces aos outros, aos poucos você se identifica com elas e começa a pensar que elas são as suas faces. Então, sua face original, sua face real, permanece oculta.

O que quer que você faça, como quer que você aja, seja o que for que você diga, lembre-se sempre de ver se isso vem de seu coração ou de sua personalidade. Distinga claramente. Isso lhe será de grande auxílio na busca interior.

Quando você diz a alguém: “Eu te amo” – de onde estão vindo estas palavras? De onde? Qual é a sua origem? Estão vindo do seu coração? Seu coração está realmente repleto de amor? Ou estão vindo meramente de sua personalidade, de sua face falsa? Você as está dizendo apenas de um modo polido, como uma formalidade, uma etiqueta, ou as está dizendo para expressar algo mais?

Você pode desejar o corpo de alguém, pode desejar sexualmente alguém, mas você diz: “Eu te amo.” Essa afirmação não passa de uma simulação. Seria melhor se você dissesse, “Desejo você sexualmente, mas não existe amor. Seu corpo me atrai, me seduz, mas não existe amor. Pode ser que o amor aconteça, mas por enquanto ele não existe. Estou apenas interessado em seu corpo.”
Mas se alguém disser que é somente o seu corpo que o atrai, você não quererá essa pessoa. Você se esquivará! Dirá: “Que absurdo você está dizendo?” A face falsa precisa estar presente. Só então o corpo pode ser dado ou tomado.

Assim, você continua a cultivar a sua personalidade. Quando se sente magoado, triste interiormente, mesmo assim, você continua a sorrir. Considere se o seu sorriso é apenas um sorriso pintado em seus lábios, um exercício dos lábios ou se ele nasce lá dentro e se espalha pelos lábios. A fonte se encontra em algum lugar lá dentro, ou não há nenhuma fonte, e ele é apenas um sorriso pintado? Quando você sorrir, observe o seu sorriso e poderá saber se ele é falso ou real.

Quando alguém está triste, ou sofrendo, por ter perdido um amigo, a namorada, o marido ou a esposa, aproxime-se dele. Você se mostrará triste e pesaroso. Lembre-se, e observe profundamente em seu interior, se essa tristeza é real, ou se você está apenas aparentando-a enquanto no fundo está enfadado, tentando descobrir uma desculpa para ir embora, ou está pensando em outras coisas e não está de modo algum interessado na pessoa: em seu sofrimento, em sua mágoa. Fique observando isso e conhecerá duas camadas diferentes em seu interior. A camada falsa é a personalidade.

A palavra “personalidade” é muito significativa. Ela se origina da palavra grega persona.Persona significa “máscara”. Nos dramas gregos, os atores usavam máscaras, faces falsas. Essas faces falsas eram chamadas personae. E foi dessa palavra que se originou a palavra “personalidade”. Ela é perfeita. Significa que você está agindo com uma face falsa. Ela não é você. Você está se ocultando por trás da face falsa, porque não pode revelar a sua verdadeira face.

Não estou dizendo para você sair por aí mostrando sua verdadeira face por toda parte. Não é necessário. Em alguns lugares, a persona é necessária. Mas deve ficar claro que, nesses casos, trata-se da persona, não se trata de você. Interiormente, você precisa saber quando está representando e quando é verdadeiro. Você não deve se deixar enganar por sua representação! Não deve se identificar com a sua representação! Eu sei que as faces são necessárias. De outro modo, seria difícil viver em sociedade, muito difícil. De certo modo, as faces são boas. Elas facilitam, servem para lubrificantes. E numa grande sociedade, com tantas pessoas, você não precisa revelar sua realidade por toda parte.

Alguém se encontra com você pela manhã. Você se sente incomodado com esse encontro. Você pensa: “Por que tenho de ver esse homem esta manhã? Sua presença pode estragar todo o meu dia.” Mas, exteriormente, você sorri e diz: “Bom-dia. Fico feliz em vê-lo.” Interiormente, você não está de modo algum feliz!

Contudo, no que se refere à educação, não há nada de errado nisso. Não seria adequado dizer ao homem: “Sinto-me totalmente infeliz. Você estragou a minha manhã. Sua presença é uma ameaça. Receio que, pelo fato de tê-lo visto, meu dia esteja arruinado.” Isso não seria adequado. Desnecessário. Iria perturbar desnecessariamente o outro homem. Não há necessidade disso.

Mas você precisa saber o que é uma máscara e o que é real. Precisa estar ciente daquilo que está acontecendo dentro. O que acontece no interior é o seu ser real e o que acontece na superfície é apenas uma utilidade social. Se você pode fazer uma distinção nítida entre você e sua personalidade, então a personalidade torna-se como uma roupa. Você pode abandoná-la a qualquer momento e ficar nu.

Se você pode abandoná-la, isso significa que você está tão preso a ela que não consegue distinguir-se dela, separar-se dela; não há nenhuma distinção. Essa distinção é necessária para que pelo menos em seu quarto, em seu banheiro, você possa colocar sua personalidade de lado e tornar-se real; pelo menos em meditação, você pode jogar sua personalidade fora e tornar-se real. Ali ela não é necessária.

A meditação não é social. Ela não diz respeito a ninguém mais; só diz respeito a você mesmo. Assim, nenhuma máscara é necessária; você pode ser autêntico. Mas você não pode ser autêntico porque não conhece a distinção. Até mesmo ao meditar, eu sinto que você está fazendo muitas coisas falsas.

Freud se conscientizou – quando iniciou a psicanálise ele ainda não havia se conscientizado disso, mas, aos poucos, percebeu que os pacientes diziam coisas que não eram verdadeiras, apenas para deixá-lo feliz, para confirmar suas teorias porque, quando Freud ficava feliz, eles também ficavam felizes – somente depois de vinte anos de psicanálise foi que ele se conscientizou de que o que os pacientes diziam não era verdadeiro.

Por exemplo: Freud diz que o sexo é a raiz de toda perturbação mental. Os pacientes iam vê-lo e contavam-lhe a respeito de suas perturbações. Então eles revelaram que o sexo era a raiz de suas perturbações. Freud pensava que suas teorias estavam sendo confirmadas por centenas e centenas de exemplos. Só mais tarde, ele se conscientizou de que muitos de seus pacientes estavam mentindo, apenas para deixá-lo feliz, para confirmar sua teoria.

Às vezes, eu sinto a mesma coisa. Quando digo: “Fique louco!” – e você fica louco, sei que você está fazendo isso apenas para me deixar feliz. Mas não há necessidade. Eu já sou muito feliz! Não há necessidade. Não faça nada que não seja verdadeiro, pelo menos em sua meditação – porque ela só diz respeito a você.

Tillich disse, em algum lugar, que a religião é algo que diz respeito ao indivíduo, é um assunto totalmente pessoal de cada um consigo mesmo. Ela não diz respeito a ninguém mais. A religião é individual; portanto, durante a meditação, você não precisa se preocupar com mais ninguém, nem mesmo comigo. Seja verdadeiro. Jogue fora suas máscaras. Qualquer coisa autêntica o ajudará a mover-se para dentro, qualquer coisa não verdadeira o ajudará a mover-se para fora.

Essa é a razão pela qual Shankara chama o mundo de ilusão. Quanto mais você se move para fora de si mesmo, tanto mais você se move na ilusão; e quanto mais você vai para dentro, mais você se move na realidade. Sua personalidade é a porta para a ilusão, para um mundo irreal de sonhos. Livre-se dessa parte, livre-se completamente dessa ponte. Pelo menos na meditação.

Não estou lhe dizendo para ser autêntico ao comportar-se na sociedade. Você ficará em dificuldades. Se tiver vontade de fazê-lo, pode fazê-lo, mas não estou pedindo isso; não me responsabilize. A sociedade lhe criará problemas. Ela não quer as suas faces verdadeiras; quer as suas faces falsas.

Mas, no que se refere à sociedade, não há nenhum problema quanto à isso. Use uma face falsa quando se dirigir para fora, mas quando se dirigir para dentro livre-se completamente dessa face. Não permaneça identificado com ela, não a carregue para dentro. Um dia poderá vir no qual você se tornará tão forte que até mesmo na sociedade você gostará de se comportar com sua face verdadeira, mas isso depende de você. Primeiro olhe para dentro e, pelo menos momentaneamente, coloque de lado sua personalidade.

 

Pois, através de seu coração, surge a única luz que pode iluminar a vida e torná-la clara a seus olhos.

 

“…Só uma coisa é mais difícil de se conhecer – o seu coração. Antes que as amarras da personalidade sejam soltas, o profundo mistério do eu não pode começar a ser visto.”

 

A personalidade age como uma barreira e a luz de seu coração não pode chegar até você. Desfaça-se da personalidade, mesmo que momentaneamente, temporariamente, e a luz o inundará, e você penetrará num mundo diferente: o mundo do coração.

 

“Enquanto você não sair do caminho, ele não se revelará, de modo algum, à sua compreensão.”

 

Você precisa se colocar de lado: sua personalidade, seu ego.
”Enquanto você não sair do caminho, ele não se revelará, de modo algum, à sua compreensão. Só então, e jamais antes, você poderá apreendê-lo e governá-lo. Só então, e jamais antes, você poderá usar todos os seus poderes e devotá-los a um trabalho valioso.”

 

E enquanto você mesmo não entrar em profundo contato com o âmago do seu coração, não poderá fazer nada que seja bom, que seja valioso. Não poderá prestar nenhuma ajuda a ninguém. Tudo o que você fizer, mesmo que seja com boa intenção, criará o mal, porque aquele que faz o mal é ignorante. O que você faz não é importante. Mais importante é quem você é.

Se você é ignorante, se vive em total escuridão – se a luz do coração não penetrou em você, ainda não o preencheu – você pode ter boas intenções, boa vontade, mas tudo o que fizer resultará em mal, porque nada de bom pode vir de um coração escuro. Assim, não tente prestar nenhuma ajuda a alguém, a menos que você tenha alcançado a luz interior. Então, toda a sua vida tornar-se-á uma ajuda. Não haverá mais necessidade de fazer disso um dever; você não ajudará mais a alguém por mera obrigação. Então, a ajuda fluirá espontaneamente de você.

E quando a ajuda se torna espontânea, isenta de qualquer noção de dever, quando ela se torna amor, você não pode fazer outra coisa senão ajudar; quando não há a preocupação de fazer os outros felizes, quando, na verdade, ocorreu o contrário: você está tão feliz que agora a felicidade transborda de você e atinge os outros – só então tudo o que você fizer terá bons resultados.

Se você está repleto de luz, de felicidade, o bem acontece, sem que qualquer boa vontade se faça necessária. Contudo, boa vontade em demasia, sem que haja luz interior, pode ser perigosa aos outros. As pessoas que se ocupam em ajudar os outros, sem possuírem qualquer sadhanainterior, criam muito mal. Toda a sociedade está sofrendo por causa dessas pessoas maléficas que se põem a ajudar os outros sem terem, de algum modo, realizado sua própria luz interior. Lembre-se disto: a primeira coisa é a sua própria auto-realização. Ajudar os outros é secundário. E não pense que, por ajudar os outros, você pode se realizar. É realizando-se que você poderá ajudar os outros, e não o contrário.

 

“É impossível ajudar os outros antes de ter alcançado algum conhecimento de si próprio. Quando você tiver aprendido as primeiras 21 regras e tiver penetrado no Saguão do Saber com seus poderes desenvolvidos e sua inteligência liberada, então você descobrirá que há em seu interior uma fonte da qual nascerá a fala.”

 

“…Essas palavras estão escritas só para aqueles que podem ler o que escrevi tanto com o sentido interior como o exterior.”

 

Lembre-se disto. É impossível ajudar os outros antes de ter alcançado algum conhecimento de si próprio. Resista à tentação de ajudar os outros. Será desastroso, a menos que você tenha algum conhecimento de si próprio. Não tente ser um guru, não tente prestar nenhuma ajuda, porque você causará danos, criará mais problemas. Não se esqueça de que você não pode ajudar, não pode orientar ninguém, a menos que tenha alcançado a luz interior. Quando a luz interior está presente, a ajuda, a orientação, fluirá de você.

Resista à tentação. A tentação é enorme porque o ego se sente muito satisfeito. Alguém lhe pede um conselho. Você é tentado a dar o conselho sem saber o que está fazendo, sem estar consciente de que não sabe. Se alguém lhe pergunta se Deus existe, você não é suficientemente forte para dizer: “Eu não sei.” Você diz alguma coisa. Ou diz: “Sim, Deus existe. Sou um crente” – ou então “Não, Deus não existe. Sou um descrente” – mas, em ambos os casos, você deu a sua opinião. Em ambos os casos, você confirmou algo que não sabe.

Lembre-se disto: trata-se de um ponto básico, muito importante a qualquer buscador espiritual: confirme aquilo que você sabe realmente. Se não sabe, é melhor dizer: “Não sei.”

Uma vez perguntaram a Albert Einstein: “Qual a diferença entre ciência e filosofia?”

Sua resposta foi uma das mais sábias. Ele disse: “Se você procurar um cientista e lhe fizer uma centena de perguntas, para noventa e nove dessas perguntas ele lhe dirá: ‘Não sei.’ Apenas a uma delas ele dirá: ‘Eu sei.’ Contudo, acrescentará: ‘Mas trata-se apenas de um conhecimento relativo. Amanhã ele pode mudar. Não é absoluto.”

“Se você procurar um filósofo e lhe fizer uma única pergunta, ele lhe dará uma centena de respostas. E com absoluta convicção de que essas são as respostas corretas. Se alguém der alguma outra, será escorraçado. O filósofo dirá: ‘Ele está errado!’.”

É por isso que a filosofia não leva a parte alguma. Respostas e respostas e respostas não levam a parte alguma. Tantas respostas para não responder nem mesmo a uma única pergunta. Falta o fundamental: o filósofo não é bastante forte para dizer: “Não sei.”

O cientista é mais forte. Ele pode dizer: “Não sei.” E mesmo quando ele diz: “Eu sei” – acrescenta: “Até o momento isto é considerado verdadeiro. Mas nada posso dizer quanto ao amanhã. As coisas podem mudar, muitos fatos novos podem se tornar conhecidos e então a verdade terá de ser reajustada.”

Eu gostaria de dizer que a ioga também é uma ciência; não é uma filosofia. A meditação é uma ciência; não é uma filosofia. Lembre-se disto: não dê nenhuma orientação a ninguém, a menos que você tenha algum conhecimento, alguma experiência. E, mesmo nesse caso, não deixe de dizer aos outros que “essa é a minha experiência. Pode não ser assim para você. É a maneira pela qual eu cheguei a isso. Seu caminho pode ser outro; isto pode não se mostrar verdadeiro para você. Portanto, não siga o meu conselho cegamente. Você pode experimentá-lo. É uma experiência aberta.”

Então você pode ser de alguma ajuda. De outro modo, poderá criar perturbações. Não se deixe levar pelas tentações. Não aconselhe, a menos que saiba realmente. Não oriente. Primeiro, seja um discípulo; não tente ser um mestre. Um dia você será um mestre. Quando tiver se tornado um discípulo total e completo, o mestre emergirá de você. Mas não antes desse momento, não antes desse tempo. Aguarde. O tempo virá.

Por: Osho – A Nova Alquimia

Via: Metamorfose – Centro de Desenvolvimento Integral – http://www.centrometamorfose.com.br/

SERÁ QUE JÁ SOMOS CIVILIZADOS?

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Uma das coisas mais fundamentais para ser sempre lembrada é que estamos vivendo numa sociedade hipócrita.
Uma vez foi perguntado a um grande filósofo: “O que você acha da civilização?”
O filósofo respondeu:
“É uma boa idéia, mas alguém precisa transformar a idéia em realidade.”

A civilização ainda não aconteceu. É um sonho futuro. As pessoas que estão no poder – político, religioso, social – estão no poder porque a civilização ainda não aconteceu. Um mundo civilizado, um homem amadurecido não necessita de nenhuma nação. Todas essas fronteiras são falsas. Não necessita de nenhuma religião, pois todas essas teologias são simples ficções.

As pessoas que estão por milhares de anos no poder – os sacerdotes, os políticos, os bilionários – possuem todos os poderes para impedir a evolução. Mas a melhor maneira de fazer isso é convencer o homem de que ele já é civilizado. Convencer o homem que ele já é um ser humano, que você não necessita passar por nenhuma transformação, que isso é desnecessário.

Milhões de pessoas morreram acreditando que a civilização já aconteceu. Assim a primeira coisa que quero que vocês compreendam é que ainda somos bárbaros, não seres humanos, pois somente bárbaros podem fazer o que estivemos fazendo por milhares de anos.

– Osho, em “Sermons in Stones” # 26 –

EGO, O FALSO CENTRO

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“O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.


Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.
Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu.
Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o ‘outro’, também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.
Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma.
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz ‘você é bonita’, se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.
Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.
E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce – um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.
Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O verdadeiro só pode ser conhecido através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.
Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.
Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro…
Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu – não é possível.
E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.
Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz ‘que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.’ Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala – ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.
O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção.
Você obtém dos outros a idéia de quem você é.  Não é uma experiência direta.
É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.
Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade – o ego. Esse é algo falso –  é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.
Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas…
Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de “eu sou”. Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos – porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser… É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca – a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.
Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.
E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.
Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca –  e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.
Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o eu.
Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade – essa é a própria ordem da existência.
É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas…
O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?
O ego não é individual. O ego é um fenômeno social – ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa?  E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer…
E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.
Tente entender isso. E comece a procurar o ego – não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.
Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu – seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.
A causa básica está dentro de você – mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: ‘Quem está me tornando infeliz?’ ‘Quem está causando a minha raiva?’ ‘Quem está causando a minha angústia?’
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.
E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo – porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.
Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: ‘tornei-me humilde’…
Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria – então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.
E então você nunca diz: ‘eu abandonei o ego’. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade…
É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.
Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.
Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.
Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo… e então o verdadeiro centro surge.
E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir.”


OSHO, Além das Fronteiras da Mente.

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A EXPECTATIVA DOS OUTROS SOBRE VOCÊ – POR OSHO

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Quando você começa a ficar responsável em relação a si mesmo, começa a abandonar suas máscaras. Os outros começam a se sentir perturbados, porque eles sempre tiveram expectativas e você satisfazia essas exigências. Agora eles sentem que você está ficando irresponsável.

Quando os outros dizem que você está sendo irresponsável, estão simplesmente dizendo que você está saindo do controle deles. Você está ficando mais livre. Para condenar o seu comportamento, eles o chamam de irresponsável.
Na verdade, sua liberdade está crescendo e você está se tornando responsável. Responsabilidade significa a habilidade de responder. Ela não é uma obrigação que precisa ser satisfeita no sentido comum. Ela é capacidade de responder, sensibilidade.

Porém, quanto mais sensível você se tornar, mais descobrirá que muitas pessoas acham que você está ficando irresponsável – e você precisa aceitar isso -, porque os interesses delas, os investimentos delas não serão satisfeitos. Muitas vezes você não satisfará as suas expectativas, mas ninguém está aqui para satisfazer as expectativas dos outros.

A responsabilidade básica é para com você mesmo. Assim, um meditador primeiro se torna muito egoísta. Porém, mais tarde, quando ele ficar mais centrado, mais enraizado em seu próprio ser, a energia começará a transbordar. Mas isso não é uma obrigação, não é que a pessoa precise fazê-lo. Ela adora fazê-lo; trata-se de um compartilhar.

Osho

TORNE-SE UM – POR OSHO

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Primeiro fique sozinho.

Primeiro comece a se divertir sozinho.

Primeiro amar a si mesmo.

Primeiro ser tão autenticamente feliz, que se ninguém vem, não importa; você está cheio, transbordando.

Se ninguém bate à sua porta, está tudo bem – Você não está em falta.

Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.

Você está em casa.

Se alguém vier, bom, belo.

Se ninguém vier, também é bom e belo

Em seguida, você pode passar para um relacionamento.

Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.

Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.

E a pessoa que viveu em sua solidão será sempre atraídos para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente, porque o mesmo atrai o mesmo.

Quando dois mestres se encontram – mestres do seu ser, de sua solidão -felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.

Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.

E eles não exploram um ao outro,, eles compartilham.

Eles não utilizam o outro.

Em vez disso, pelo contrário, ambos tornam-se UM e desfrutam da existência que os rodeia.

 

OSHO

O JULGAMENTO

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Essa é uma maneira de permanecer o mesmo… Esse é um truque da mente. Ao invés de compreender, a energia começa a se mover para a condenação. A mente é muito esperta: no momento em que você começa a perceber algo em você, a mente salta sobre aquilo e começa a condenar. Agora toda a energia se torna condenação, então a compreensão é esquecida, posta de lado e sua energia se move para a condenação… E condenar não pode ajudar.

Isso pode lhe deixar depressivo, pode lhe deixar com raiva, mas depressivo e com raiva, você nunca muda. Você permanece o mesmo e você se entra no mesmo círculo vicioso nova e repetidamente.

Compreensão é liberação. Assim, quando você vir um certo fato em você, não há nenhuma necessidade de condenar, não há necessidade de se preocupar. A única necessidade é olhar para ele profundamente e compreendê-lo. Olhar para ele, tentar se mover em torno dele, olhando de todos os ângulos… Se você condenar, você não pode olhar, não pode abordá-lo de todos os ângulos. Você já decidiu que aquilo é ruim; sem dar àquilo uma chance, você já julgou.

Escute o fato, penetre-o, contemple-o, durma sobre ele e quanto mais você for capaz de observá-lo, mais você se tornará capaz de sair fora dele. A habilidade de entender e a habilidade de sair fora, são apenas dois nomes para o mesmo fenômeno.

Se compreendo uma certa coisa, sou capaz de sair fora dela, ir além dela. Se não compreendo certa coisa, não posso sair fora dela. 

– Osho –