O CREDO DAS SACERDOTISAS

 

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Ouça agora a palavra das Sacerdotisas,
os segredos que na noite escondemos,
Quando a obscuridade era caminho e destino,
e que agora à luz nós trazemos.

Conhecendo a essência profunda,
dos mistérios da Água e do Fogo,
E da Terra e do Ar que circunda,
manteve silêncio o nosso povo.

No eterno renascimento da Natureza,
à passagem do Inverno e da Primavera,
Compartilhamos com o Universo da vida,
que num Círculo Mágico se alegra.

Quatro vezes por ano somos vistas,
no retorno dos grandes Sabás,
No antigo Halloween e em Beltane,
ou dançando em Imbolc e Lammas.

Dia e noite em tempo iguais vão estar,
ou o Sol bem mais perto ou longe de nós,
Quando, mais uma vez, Bruxas a festejar,
Ostara, Mabon, Litha ou Yule saudar.

Treze Luas de prata cada ano tem,
e treze são os Covens também,
Treze vezes dançar nos Esbás com alegria,
para saudar a cada precioso ano e dia.

De um século a outro persiste o poder,
Que através das eras tem sido levado,
Transmitido sempre entre homem e mulher,
desde o princípio de todo o passado.

Quando o círculo mágico for desenhado,
do poder conferido a algum instrumento,
Seu compasso será a união entre os mundos,
na Terra das sombras daquele momento.

O mundo comum não deve saber,
e o mundo do além também não dirá,
Que o maior dos Deuses se faz conhecer,
e a grande Magia ali se realizará.

Na Natureza, são dois os poderes,
com formas e forças sagradas,
Nesse templo, são dois os pilares,
que protegem e guardam a entrada.

E fazer o que queres, será o desafio,
como amar a um Amor que a ninguém vá magoar.
Essa única regra seguimos a fio,
para a Magia dos antigos se manifestar.

Oito palavras o credo das Sacerdotisas enseja:
sem prejudicar a ninguém, faça o que você deseja!

 

Doreen Valiente, “Witchcraft For Tomorrow” pp.172-173

Versão Traduzida para o Português

 

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A VONTADE DO CÉU

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Não basta conhecer os métodos que permitem que se tornem clarividentes, magos, alquimistas e etc. Deve-se questionar primeiro sobre o objetivo com o qual se trabalha, e saber que existem leis a serem respeitadas…

Quem pratica os métodos do Ocultismo apenas para o próprio interesse, infringe as leis da harmonia cósmica e, no final, será o próprio cosmos que colocará um veto, e ele fracassará lamentavelmente.
Muitos ocultistas ou pretensos espiritualistas, que trabalhavam para alcançarem determinadas realizações, sem se preocuparem em saber se trabalhavam em harmonia com os projetos da Inteligência cósmica, acabaram muito mal.
As obras sobre ciências ocultas propõem um grande número de técnicas, de ritos, dos quais muitos trazem riscos.
Mas nenhuma dessas práticas vale tanto quanto aquela de se colocar em harmonia com a ordem cósmica.
E as coisas vão mais além: para aquele que não se preocupa em conservar a harmonia e se deixa subjugar pelas próprias tendências anárquicas, até as práticas mais inofensivas se tornam perigosas e se voltam contra ele.(…)
Em que coisa os seres humanos se empenham todos os dias?
Em satisfazer os seus desejos e realizar as suas ambições.
Eles nunca se perguntaram sobre a natureza de todos esses cálculos, desses planos e desses arranjos?
Nunca pensaram em perguntar ao Céu: ´Oh, espíritos luminosos, estamos de acordo com os seus projetos?
Qual é a opinião de vocês?
Quais intenções vocês têm em relação a nós?
Onde e como devemos trabalhar para realizar a sua vontade?´.
Pouquíssimas pessoas se colocam essas perguntas. Porém, nada é mais importante para o homem do que suplicar às entidades invisíveis para que lhe dêem, finalmente, a possibilidade de realizar os projetos do Céu.
Nesse momento toda a sua vida muda, e ele pára de agir segundo os seus caprichos, as suas fraquezas, a sua cegueira.
Esforçando-se para conhecer a vontade do Céu, ele se coloca em outros trilhos, segue um rumo que corresponde aos projetos de Deus, e essa é a verdadeira vida!”


Por: Omraam Mikhaël Aïvanhov

Via: Gena Teresa – https://www.facebook.com/gena.teresa.3

OGUM – O SENHOR DOS CAMINHOS

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Ogum é o Senhor dos caminhos e realiza a abertura de caminhos, a ordenação, o afastamento da desordem e do caos, o corte das atuações negativas, mas tudo a partir do equilíbrio íntimo dos seres perante a Lei Divina. A primeira “batalha” que Pai Ogum nos ensina a realizar é vencer os vícios e a desordem interna para que, uma vez equilibrados, possamos atrair situações e relacionamentos ordenados, livres da desordem que nasce do desrespeito à Lei Maior e à Justiça Divina.

Lei e Justiça são interligadas, não se pode obter o amparo da Justiça Divina sem viver em obediência às Leis da Criação. O dragão subjugado por São Jorge e por São Miguel Arcanjo, que sincretizam com Ogum, representa exatamente o trabalho pela vitória sobre as nossas trevas interiores. O dragão é o símbolo da maldade, dos vícios, das negatividades, do ego exacerbado, da vaidade extrema, da ganância etc. Vencendo “o dragão”, sob o amparo de Ogum, nos habilitamos a atrair situações favoráveis, sob o amparo da Lei. Porque a Lei atua sem cessar, irradiando-se para toda a Criação. Sintonizados com a Lei, alcançamos o amparo da Lei e da Justiça do Criador. Então, os inimigos terão olhos, mãos, pés e armas, mas não conseguirão nos enxergar, não poderão nos tocar e nem nos alcançar ou ferir, como diz um ponto cantado.

Seu primeiro elemento de atuação é o Ar e o 2º. Elemento é o Fogo.

Na Linha pura da Lei Ogum faz par com Yansã, ambos atuando pelo elemento Ar.

Também faz par com Egunitá, a Mãe do Fogo e da Justiça, aqui formando com Ela uma Linha polarizada ou mista Lei/Justiça, pelos elementos Ar/Fogo.

Nos elementos, Ogum é o ar que refresca e a brisa que acalenta.

Na Lei, Ogum é o princípio ordenador inquebrantável.

Na Criação Divina, Ogum é a defesa de tudo o que foi criado, é a defesa da vida.

Na Irradiação da Lei, Ogum é passivo, pois seu magnetismo irradia-se em ondas retas, em corrente contínua, e seu núcleo magnético gira para a direita (sentido horário).

Seu Fator Ordenador nos ajuda a vencer nossas trevas e bloqueios interiores (as verdadeiras demandas) e nos protege dos obstáculos externos, quando vivemos de acordo com os ditames da Lei Divina.

Ogum é a Lei, é a via reta. É associado a Marte e ao número 7.

Na Bahia Ogum sincretiza com Santo Antonio de Pádua. Nos demais Estados, em geral é sincretizado com São Jorge e celebrado em 23 de abril.

A respeito do sincretismo de Ogum com São Jorge, FERNANDO FERNANDES, no excelente artigo “Astrologia e Mitos Religiosos”, comenta: “O simbolismo, aliás, não poderia ser mais adequado: São Jorge veste uma armadura de guerra (a proteção necessária para atuar em ambientes inferiores) e monta um cavalo branco (as forças da matéria e o lado animal da personalidade, já purificados – por isso a cor branca – e colocados a serviço de desígnios elevados). Utiliza a lança e a espada (um símbolo do direcionamento da energia) e consegue vencer o dragão (as forças das trevas).”

Em seguida, o referido autor fala sobre características de Ogum na Umbanda e no Candomblé e sua associação ao planeta Marte: ”A espada está ligada ao Orixá de três formas: por ser guerreiro e caçador, Ogum rege as armas em geral; por ser ferreiro, é fabricante de objetos de metal; e, finalmente, é o orixá regente do ferro, matéria-prima para a maioria das armas. Como símbolo, a espada representa a energia mobilizada e direcionada para cortar o avanço do mal. Basta lembrar outra lenda, criada num ambiente bem diferente do que estamos tratando: a história céltica do Rei Artur que, munido da espada mágica Excalibur e sob a orientação de um iniciado, o Mago Merlin, combate as forças malignas acionadas por temíveis feiticeiros. Excalibur é o instrumento do combate da magia branca contra a magia negra. A espada de Ogum tem o mesmo significado.

Cabe observar também que o ferro é o elemento químico essencial para a formação dos glóbulos vermelhos. Da mesma forma como sua carência torna o indivíduo anêmico, a carência da raiz energética de Ogum cria uma espécie de anemia espiritual, ou seja, uma falta de coragem e de disposição para lutar pelo próprio desenvolvimento. É por causa dessa função revitalizadora que Ogum é apresentado nos mitos africanos como o orixá que vem na frente, o pioneiro na tarefa de descer à Terra e acordar os homens. Trata-se, evidentemente, de uma função típica de Áries e Marte.

(…) Ogum muitas vezes é invocado como se fosse uma espécie de guarda-costas celeste, um orixá que, se devidamente agradado, tomará partido em favor do filho de fé e voltará sua fúria contra os inimigos. (…) As concepções mais elaboradas, entretanto, não vêem o orixá como um ser a serviço dos interesses do homem, nem disposto a tomar partido em seus conflitos.

Em essência, as lutas de Ogum processam-se dentro da própria alma, que traz simultaneamente o dragão e a serpente das tendências inferiores assim como o germe da Divindade. Invocar Ogum significa ativar as energias vitais que estão adormecidas na alma, despertar a parcela divina presente em cada ser humano e mobilizar a força necessária para avançar.”

Em seguida, ele comenta o ponto cantado que diz: “Cavaleiro supremo/mora dentro da lua /Sua bandeira divina/ é o manto da Virgem pura”, acrescentando: “A lenda de São Jorge, que não tem qualquer origem no culto dos orixás, mas sim no Cristianismo Popular, atribui-lhe o domínio da Lua, onde ele estaria em permanente combate com o dragão. É interessante notar que o símbolo da Lua, do ponto de vista astrológico, não é o desenho da Lua Cheia, mas do Crescente, que é formado por dois semi-círculos. Enquanto o círculo – o Sol – representa o espírito enquanto instância permanente e perfeita, o semicírculo é a alma, ou seja, o espírito ainda submetido às experiências da evolução, aprisionado nas sombras da própria ignorância e no vendaval das paixões ainda não dominadas. A Lua não tem brilho próprio, apenas refletindo a luz do Sol. Da mesma forma, para tomar de empréstimo uma concepção do pensamento hinduísta, a alma que perambula nas experiências de aprendizagem expressa apenas um reflexo provisório de sua verdadeira identidade, que só brilhará de forma pura quando o espírito transcender o ciclo das reencarnações e alcançar os planos mais elevados da absoluta ausência de forma, no mental superior.

Ogunhê meu Pai!

 

As quatro faces da Deusa – Quando as quatro faces do masculino descobrem sua contraparte…

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O mundo contemporâneo assiste a transformações intensas e rápidas.

Quase que diariamente  modificações importantes ocorrem nos mais diversos setores.

Crise é uma palavra repetida e sentida em todos os meios.

Estamos vivendo os efeitos devastadores de um modo de vida que se mostrou não natural, não ecológico e não evolutivo.

Vivemos destruindo nossos recursos,  ignorando o bem estar das próximas gerações.

O velho procedimento de muitos povos indígenas segundo o qual cada ato deve ser pensado em suas conseqüências  até a  sétima geração perdeu-se completamente  neste mundo consumista e imediatista.

Quantos  compreendem que a Terra é como um aquário,  com recursos finitos?

Fome, doenças, guerras, destruição ambiental,  crises sociais, enfim uma longa lista de desequilíbrios pode ser aqui  descrita.

Mais do que nunca necessitamos estar plenos em nós mesmos para lidar com esses desafios e ainda realizarmos algo na busca de um equilíbrio maior .

Que mundo deixaremos para nossos descendentes?

As graves questões levantadas pelo nosso dia  a dia não podem ser respondidas satisfatoriamente enquanto continuarmos a ser esses entes fragmentados, neuróticos, isolados de nós mesmos.

Temos que recuperar nossa totalidade se desejarmos de fato  auxiliar nessa guerra entre as forças da consciência e da inconsciência que é travada instante a instante.

A crise que o mundo atravessa tem uma de suas causas  na negação do feminino.

Portanto a volta do feminino não deve  ser encarada como um  fenômeno passageiro, uma excentricidade ou um movimento inovador, descontextualizado .

É  antes de mais nada o equilíbrio se restabelecendo.

Este ponto é fundamental .

Quando o feminino foi perdido, quando as doutrinas patriarcais subjugaram as velhas tradições e impuseram seus valores limitados ao mundo, não foi apenas a mulher que perdeu.

Nós homens também muito perdemos,  pois cada homem traz dentro de si a  ânima, aspecto complementar e importante de sua psique que mal trabalhada nos torna menores e menos humanos.

Quando a Deusa foi oculta e seu arquétipo deturpado pelo clero machista e patriarcal, não apenas a mulher   deixou de ter acesso ao seu imenso potencial , como nós homens, também  perdemos uma parte profunda de nós  o que nos tornou menos homens, nos reduzindo a máquinas , a  machos,  machucados  por termos perdido parte de nossa realidade.

E desde então seguimos desanimados por termos sido subtraídos de aspectos de nossa ânima.

O renascer do feminino.

Após tanto tempo dominados por uma cultura patriarcal que nega os valores femininos e leva a uma abordagem linear e fragmentada da realidade estamos vivendo novamente o renascer do feminino em nossa cultura.

Exausta  após uma longa dominação  por paradigmas que nos levaram a esse momento onde  vivemos sob a ameaça de  extermínio não só da raça humana mas de toda a vida , a crise ecológica sem precedentes, o caos social, observamos a humanidade em busca de novos caminhos.

E sendo o feminino a contraparte natural do masculino e mais ainda, a força predominante da natureza  é sua volta que marca  um passo real na busca desse equilíbrio perdido.

Há uma relação dinâmica, podemos dizer dialética, entre os princípios feminino e masculino  e qualquer subjugação de um pelo outro resulta em desequilíbrio, em desarmonia.

Mas como nós homens podemos   participar dessa  volta do feminino?

De que forma nós, Xamãs desses tempos, percebemos tal movimento?

O 4 é um número sagrado.

Para todas as culturas, em vários  locais e em várias épocas vamos encontrar o  4 como número  símbolo da base e da estabilidade.

Assim temos as quatro direções, os 4 elementos e tantos outros níveis de manifestação do 4.

As 4 faces da Deusa, entendendo por Deusa uma símbolo da energia feminina.

Mas o que é a energia feminina?

Como ela se distingue da masculina?

Antes da diferenciação, antes da vinda do  Yin e do  Yang , do homem e da mulher,  há o Tao,  o andrógino que em si reúne as duas polaridades.

Em primeiro momento onde há apenas um Todo indiferenciado a vagar em si mesmo.

Então num certo momento esse Todo emana de si mesmo e a manifestação tem início.

O Todo emana uma parte de si mesmo.

O grande Dragão indiferenciado  bota um ovo e o envolve.

Desse ovo nasce o mundo tal qual o compreendemos.

Neste processo  surge em primeiro plano a energia  indiferenciada,  andrógina, plena.

Depois num outro momento ocorre a diferenciação , quando dois aspectos desse mesmo Todo tomam  forma e aqui encontramos  o primeiro masculino e o primeiro feminino.

Temos que ter muita sutileza para realmente compreender esse processo, pois os referenciais  de nossa cultura podem nos confundir , uma vez que eles desprezam, de forma explicita ou implícita o feminino.

A energia que estimula a vida é tida como masculina, e a que gera como feminina.

É dialética a relação que se estabelece entre essas duas forças, nenhuma é mais importante ou mais  “potente”.

São complementares, oriundas e impregnadas da mesma fonte, apenas aspectos diferentes no mundo da manifestação.

Dimensão, dois, di, tudo que o que aqui se manifesta é  dual.

Masculino e Feminino são  dois  momentos de manifestação da  inenarrável energia original da qual emanamos, a mesma que mais tarde vai ser usada pelas  hierarquias criadoras para  criar mundos e seres.

Em 4 momentos vamos encontrar essa energia.

Podemos tecer analogias.

As  4 estações,  as quatro fases da lua. Os quatro momentos do dia: manhã, tarde, noite e madrugada.

Assim encontramos as 4 faces dos Deuses e das Deusas.

O menino, o amante, o pai e o ancião.

A menina, a amante, a  mãe e a anciã.

Cada um desses aspectos revela no homem e na mulher  uma manifestação da Totalidade em si.

Temos cada um  desses quatro aspectos em nós, mas cada um  tem um desses aspectos mais  forte, mais ativo em nossa psique.

Em nossa vida passamos por estes quatro aspectos.

Podemos  chamá-los ; infância, juventude, maturidade e velhice.

E podemos vive-los de forma mais ou menos intensa e consciente, mas eles estão em nossas vidas se nós estivermos de fato vivos(vivas)  e não apenas sobrevivendo como é mais comum.

Uma coisa que perdemos em nossa cultura ocidental, vamos chamar assim a esta cultura dominante que hoje nos escraviza com seus (pré) conceitos,  são os ritos de passagem.

Deixamos de marcar, comemorar e ritualizar, os momentos de passagem de um estado para outro.

Assim o menino e a menina não mais percebem quando deixam esse estado e se tornam jovens, e o adulto não mais  tem sua entrada nessa fase marcada por ritos que re-atualizam suas lembranças de estar numa nova fase de sua vida, tão pouco a  idade da sabedoria é marcada por algum sinal.

Com esta ausência dos ritos de passagem, perdemos nós enquanto indivíduos e perde a sociedade como um todo por deixar de ter pessoas realmente integradas em seu seio.

Essa perda dos ritos de passagem,  os quais ainda existem nas  culturas chamadas primitivas, priva-nos de perceber nossa sincronicidade com o  Transcendente e com os arquétipos universais .

E nos impedem de mergulhar em nós mesmos e descobrirmos as faces do Deus e da Deusa em nosso interior.

E como compreender  a Divindade  quando a ignoramos em nós mesmos?

Cada mulher traz o ânimus em si e cada homem traz a ânima.

Não podemos mais seguir com  a vida , assim tão desanimados , como vemos as pessoas em nosso cotidiano.

É necessário re-atualizar nosso elo com a Totalidade  e só como seres completos podemos realizar esse rito de união.

Portanto a redescoberta do feminino não é um caminho apenas das mulheres.

Houve uma perda para nós homens também e a nós cabe uma jornada iniciática de recuperação de nossa ânima.

Há ainda outro ponto importante.

Fala-se muito na perda do feminino e na sua volta, no seu redescobrir.

Mas quem disse que  temos o masculino de fato presente?

Pois a cultura dominante é segmentada, neurótica e esquizofrênica, realmente patológica.

Se  um indivíduo fosse clinicamente  considerado incapaz de viver em harmonia no seio da sociedade e seus atos representassem perigo à vida e ao bem estar de sua coletividade, nós não  cuidaríamos para que fosse internado e não pudesse ter  acesso a qualquer  meio de tornar reais as ameaças que nele vemos expressas?

Dentro deste princípio simples, só nossa profunda  ignorância do valor da vida nos leva a aceitarmos os governos estabelecidos , com sua loucura suicida  e desequilibrada.

Temos que compreender que não está o masculino  de fato presente em nossa cultura.

A cultura dominante é hoje regida por um clero patriarcal e  neo cristão.

Seus valores são anti ecológicos, predadores, valorizando uma relação parasitária com outros povos e nunca  optando por saídas inteligentes que envolvessem o comensalismo ou a simbiose.

A guerra foi transformada numa industria e uma grande parte dos recursos naturais  e muitas   mentes brilhantes estão empregados agora em  construir armas com maior capacidade de exterminar a vida, ao invés de preservá-la.

E através de uma intensa campanha  de propaganda valores falsos são impostos à pessoas despreparadas para tal  “lavagem cerebral”   via mídia.

Assim o homem perde sua  condição original e se torna apenas um macho.

E o macho não é homem, não é pleno, é  doente, machucado, por negar o feminino que traz em si.

Escondendo a dor de sua incompletude  em atitudes belicosas, em lutas pelo poder, o poder sobre outros , pois é incapaz de ser senhor de si mesmo.

Incapaz de amar, pois não ama a si mesmo,  está só, frustado e carente, escondido nas máscaras de senhor e de poderoso, mas , como o mágico de Oz, é apenas uma criança projetando uma falsa imagem. Infelizmente sem a sensibilidade deste.

Raros homens conseguem realmente amadurecer.

A maioria  estaciona na fase da puberdade e ficamos assistindo a seus jogos adolescentes por toda a vida, mudando o nível do jogo, mas ainda em disputas dentro de valores de ter e se firmar perante o meio, respondendo a padrões  completamente adolescentes e imaturos.

O ser humano está incompleto.

E incompleto não consegue a harmonia.

Não encontrando  sua contraparte dentro de si mesmo, não a reconhece no exterior.

Privando-se de um real contato com  as mulheres à volta, apenas usando das fêmeas que conhece para  que os impulsos biológicos determinados pela raça se satisfaçam e suas imensas carências tentem ser sanadas.

Então a sexualidade acaba se tornando uma outra arena de poder, onde o prazer , orgasmo pleno entre os parceiros é  perdido.

Isolados de sua plenitude homens e mulheres,  robotizados, menos que humanos, caminham em vidas estéreis, sem amor,  em jogos de  poder e dominação, de insegurança e medo, por não estarem completos em si mesmos e assim buscam fora o que está dentro de si .

Convido assim você que lê este texto a mergulhar comigo nas  questões que pretendo aqui trazer a tona, a não apenas ler , mas a meditar de fato, a dar sua opinião e enriquecer esse debate.

Um exemplo claro  está na lenda de antigos povos  da região do médio oriente,   recontadas pelos hebreus.

Nesta lenda  o homem, a mulher e a serpente são símbolos para os três centros que trazemos em nós.

Assim  a  serpente  é quem indica  à mulher algo que esta transmite ao homem.

Por conta dessa lenda e da interpretação literal de seu simbolismo  ficou a mulher marcada em todas as  religiões que mais tarde surgiram dessa tradição  como um ser  inferior através do qual o  ‘pecado’ entrou  no mundo.

Isso está profundamente gravado na psique de muitos povos e é difícil dar o primeiro passo que  é  entender ser essa lenda um símbolo,  uma   alegoria.

Em muitos outros povos as lendas foram deturpadas e a mulher foi afastada de sua essência pelo medo das forças patriarcais dominantes.

Como povos indígenas brasileiros, que contam de Jurupari.

Antes dele só as mulheres podiam exercer os ofícios mágicos, mas ele veio e  roubou delas o poder, e agora as flautas mágicas não podem ser vistas ou tocadas pelas mulheres, só pelos homens em suas festas.

Esse afastamento da mulher do núcleo das religiões sempre foi justificado com essas interpretações equivocadas das lendas antigas.

Como bem coloca Freud temos uma educação religiosa muito intensa quando ainda somos muito novos e nossa educação sexual em contrapartida é  atrasada.

E  hoje, na  erAIDS se ensina  sexo sob o signo do medo, da Morte, quantos “ orientadores  sexuais” frustados e  irrealizados em  sua  própria  sexualidade  estão hoje  ensinando adolescentes  que  sexo é morte, é medo. Eros confundido  com  Thanatos  e  Fobos.

E religiosamente transformamos  belos mitos em moralismos  tacanhos .

Conceitos complexos são apresentados antes que nossa mente esteja madura para com eles lidar.

Por isso fica difícil lidar com tais idéias, eles estão armazenados em níveis pré racionais, cercados de medo.

O primeiro passo para podermos mergulhar na questão do feminino é  desfazer em nós mesmos essa confusão que nos  deram como parte de nossa educação.

Raríssimas pessoas conseguem escapar dessa armadilha.

Mas sem sair dela tudo o que podemos alcançar intelectualmente pode se desfazer subitamente.

Portanto mergulhar no feminino e resgatar seus valores é  enfrentar os paradigmas que fizeram da civilização euro-burguesa que nos domina  aquilo que ela é hoje.

Sim ,  resgatar  a  princesa  oculta no fundo da caverna é enfrentar os monstros que deixaram  a guardá-la.

É uma verdadeira jornada iniciática, em busca da  princesa que dorme na alta torre, ornando-lhe   a fronte ,uma grinalda de hera.

E o buscador a principio é dela ignorado, ele para ela não existe, ela para ele é ninguém.

Mas um dia, após vencer a estrada e os perigos que nela estavam, ele poderá entrar na torre, levar a mão , erguer a hera, e descobrir que ele mesmo era a princesa que dormia.

Essa frase, transcrita de um poema de Fernando Pessoa mostra bem a fundamental  importância desse reencontro com o feminino.

Yin e Yang são conceitos complexos.

Eles  indicam polaridades e não devemos nos esquecer que  o Yin traz o jovem Yang dentro de si e o Yang traz o jovem Yin dentro de si.

Não se opondo, mas se complementando,  se substituindo na dança cósmica da manifestação universal. Uma dança, um fluir por momentos da existência .

Como numa equação de balanceamento químico, se alteramos qualquer dos dois lados do processo o Todo sofre com isso.

Descaracterizando o  feminino acabamos por  descaracterizar o masculino também e  é nesse ponto que insistimos quando dizemos que o retorno do feminino não é apenas  interessante as mulheres, mas nós mesmos, homens, vamos recuperar nossa plenitude a medida que os valores femininos forem restaurados em sua plenitude.

O conceito de força e fragilidade é outro par de idéias que muito foi deturpado.

Este conceito ficou tão arraigado, estereotipadamente, que  a cultura dominante conseguiu fazer com que a maioria das pessoas os aceite como naturais sem se deter para um questionamento mais sensato.

O homem é forte, a mulher é frágil.

Alguns pensadores chegam a usar o termo feminino como sinônimo de  fragilidade, fraqueza e comportamento histérico.

Falam de valores viris e de homens que  ao desequilibrarem-se  ficam como mulheres frágeis e histéricas.

Tal deturpação do sentido do feminino mostra quão longe estamos da harmonia em nossa cultura e o quanto precisamos trabalhar para restabelecê-lo .

Ao mesmo tempo atribuem ao masculino a potência, a força.

A violência, a  “hybris”  fica confundida com um valor de virilidade e  desde   Francis Bacon os cientistas, homens, falam em  explorar a Terra, arrancar da natureza seus segredos.

São conceitos  tidos até  como “naturais”  por muitos pensadores.

Entretanto uma observação atenta das mulheres nos leva a conclusões diametralmente opostas.

Há uma cena evocada por Frank Herbert em um dos  livros da série Duna.

Ele fala  de uma mulher  tocando um arado, um filho pequeno amarrado  em si.

Essa mulher está ali, trabalhando pela manutenção da vida. Ela é o elo da vida.

Seu filho mais velho e seu marido?

Estão em alguma guerra , convocados por algum senhor feudal que se sentiu ofendido por  atitudes  tolas de um de seus pares. Homens em brigas imaturas e egóicas.

Caminhando em morte suas vidas.

Esses homens em guerra serão lembrados pelos livros de história, mas o elo da vida, a força da sobrevivência da espécie  está nessa mulher, simples, anônima  com o filho ao lado,  tocando com esforço o arado, para que a Terra continue dando  o que comer.

O barão ladrão que convocou a guerra terá seu nome citado e provavelmente ao passar por esta cena não perceberá que nela está a força da vida e da continuidade. Tudo destruirá.

Ele será tido por herói,  mas é apenas um desequilibrado gerando mais  desequilíbrio, enquanto a força da vida continua, quase imperceptível, mas com toda sua força em mulheres como esta.

Amplo  tema a ser meditado. Com cuidado e atenção.

Por: Julio Cesar Guerrero – http://www.imagick.org.br

A Deusa Tríplice, a Donzela, a Mãe e a Anciã

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A Deusa não governa o mundo de um lugar distante e transcendental. Ela é o mundo, Ela está no mundo. Ela é tudo que existe, existiu e existirá.

As forças de criação, manutenção e destruição fazem parte do ciclo da vida e da Natureza. A Grande Deusa é então a criadora, a nutridora e a destruidora, é a Deusa Tríplice, pois ela contém o ciclo contínuo de vida, morte e renascimento. Ela é a Donzela, a Mãe e a Anciã.

A lua por ser uma grande representante das energias femininas e da Deusa, simboliza as suas três faces. Mas as correspondências não param por aí e no ciclo anual do sol – que como força criadora era associado à Deusa antes das sociedades patriarcais – também encontramos as três faces da Deusa. O que não é de se admirar, já que toda a existência é composta destes aspectos tríplices, queiramos nós ou não, pois não há como fugir dos ciclos de vida, morte e renascimento. Pensando bem, por que haveríamos de querer fugir de um ciclo tão harmônico, justo e vital? E não é só isto, por que não nos sintonizamos com estes ciclos já que também somos natureza?

A mulher que é a máxima representante da Deusa por carregar a força do Sagrado Feminino com sua habilidade de criar, gerar e nutrir, se afina naturalmente com a energia da Deusa Tríplice. Não é por acaso que em épocas em que era mais íntima do Sagrado Feminino e mantinha uma conexão direta com suas energias, a mulher sintonizava o seu ciclo menstrual com as fases da Lua, geralmente ovulando na Cheia e menstruando da Minguante para a Nova.

E que significam estes aspectos  da Deusa Tríplice? Como já disse, a Deusa rege toda a Natureza e toda a existência. Ela Rege, sendo regida por Ela própria; Ela cria, sendo Criação de si mesma. Ela É e Está em tudo! Assim, dentro de seu ciclo de criação temos os seus apsectos de Donzela, Mãe e Anciã, representando as fases da vida. Por isto a Grande Deusa ser conhecida também como Deusa Tríplice. Vamos conhecer estas suas três faces.

A Donzela, representada pela Lua Nova a Crescente, simboliza os novos começos, a juventude, a esperença, as sementes, o crescimento, a vitalidade, o lúdico. Como Deusa Ela aparece enaltecendo sua beleza, feminilidade e sexualidade. Muitas vezes é denominada de virgem, mas não no sentido de abstinência sexual. E sim de não pertencer a ninguém, em ser livre e completa em si mesma.

A estação do ano correspondente à Donzela é a primavera, e dentre as Deusas Donzelas inumero algumas: Pérsefone (grega), Ártemis (grega), Diana (romana), Eostre (germânica), Aine (celta), Branwen (celta), Bast (egípcia).

A Lua Cheia traz o aspecto Mãe da Deusa. Ela é aquela que nutre, protege e ama incondicionalmente; Ela é fértil e próspera. Sua sexualidade é exuberante e também a Sua beleza. Ela está plena de Sua potência e força vital. Muitas vezes a Deusa Mãe é representada grávida, ou com vários seios, ou com seu filho nos braços, representando o Deus que renasce de seu ventre.

Sua estação é o verão e algumas das Deusas Mãe são: Deméter (grega), Ísis (egípcia), Danu (celta), Freya (nórdica), Lakshmi (indiana), Maeve (celta), Inanna (suméria), Kuan Yin (chinesa).

A Deusa como Anciã vem com a Lua Minguante. Ela é a parteira, a Bruxa, a Mulher Sábia, pois é a Senhora da Sabedoria e conhece o oculto e a magia. É a Rainha dos Mistérios e também Deusa da Cura. Ela rege os finais, o desapego, o conhecimento, as transformações e a morte. Lembrando que a morte contém a vida (e vice-versa), e assim como a Lua que mingua desaparecendo no Céu, ressurgindo Nova para iniciar um novo ciclo, a vida se reinicia num ciclo contínuo de vida- morte-vida.

Também estamos sempre nos transformando, abrindo e fechando ciclos. Alguns procuram estas mudanças, outros resistem em vão e parecem mortos-vivos. As podem ser sutis e internas, mas uma mudança de energia e percepção ocorre e, daí, tudo se torna novo, mesmo que aparentemente nada tenha mudado.

O meio do outono e o inverno são regidos pela Deusa Anciã, que nos convida a um tempo de maior interiorização e introspecção. Algumas Deusas Anciãs: Baba Yaga (escandinava), Hécate (grega), Sedna (Inuit), Kali (indiana), Cailleach (celta), Sheela Na Gig (celta).

Algumas Deusas abrangem os três aspectos de Donzela, Mãe e Anciã e por isto são consideradas Deusas Tríplices. São elas: Ísis (egípcia), Cerridwen (celta), Brigith(celta), Morrighan (celta), Sedna (Inuit), entre outras.

Isto acontece pelo fato de seus cultos terem sido fortes o bastante para resistirem a tendência separativista e compartimentada do patriarcado,uma forma nada holística de viver e sentir a vida. A força da cultura de uma região também é de vital importância para este fato, como por exemplo, a cultura Celta, que sempre valorizou o poder sagrado da triplicidade e o sentido de Totalidade, daí a maioria de suas Deusas serem Deusas Tríplices.

  Lei Triplice wicca

A Lei Wiccana respeita,
Perfeito amor, confiança perfeita.
Viva e deixa viver,
Dá o justo para assim receber.
Três vezes o círculo traça
E assim o mal afasta.
E para firmar bem o encanto
Entoa em verso ou em canto.
Olhos brandos, toque leve,
Fala pouco, muito ouve.
Pelo horário a crescente se levanta
E a Runa da Bruxa canta.
Pelo anti-horário a minguante vigia
E entoa a Runa Sombria.
Quando está nova a lua da Mãe,
Beija duas vezes Suas mãos.
Quando a lua ao topo chegar,
Teu coração se deixará levar.
Para o poderoso vento norte,
Tranca as portas e boa sorte.
Do sul o vento benfazejo,
Do amor te traz um beijo.
Quando vem do oeste o vento,
Vêm os espíritos sem alento.
E quando do leste ele soprar,
Novidades para comemorar.
Nove madeiras no caldeirão,
Queima com pressa e lentidão.
Mas a árvore anciã, venera,
Se queimares, o mal te espera.
Quando a Roda começa a girar
É hora do fogo de Beltane queimar.
Em Yule, acende tua tora,
O Deus de chifres reina agora.
A flor, a erva, a fruta boa,
É a Deusa que te abençoa.
Para onde a água correr,
Joga uma pedra para tudo ver.
Se precisas de algo com razão,
À cobiça alheia não dá atenção.
E a companhia do tolo, melhor evitar,
Ou arriscas a ele te igualar.
Encontra feliz e feliz despede,
Um bom momento não se mede.
Da Lei Tríplice lembre também,
Três vezes o mal, três vezes o bem.
Quando quer que o mal desponte,
Usa a estrela azul na fronte.
Cultiva no amor a sinceridade,
Para receber igual verdade.
Ou um resumo, se assim preferes estar:
faz o que tu queres,
Sem nenhum mal causar.

Por: 

A MAGIA DO CAOS

A Estrela do Caos (também chamada ‘caosfera’ por alguns praticantes) é o simbolo mais popular na Magia do Caos, outras variantes também existem.

Possui oito pontas equidistantes que partem de um ponto central, e pode representar o vazio do cosmos, o universo ou ainda, as oito direções (oito portas), tal qual a rosa dos ventos, composta dos quatro elementos (terra, água, ar e fogo) e os quatro estados intermediários da matéria (o seco, o úmido, o frio e o quente).

Foi criada originalmente pelo escritor britânico Michael Moorcock com o intuito de representar o “Símbolo do Caos” e, posteriormente, foi adotada como símbolo da “Magia do Caos”, portanto, sendo utilizada por magos e ocultistas

Magia do Caos ou Caoísmo (dentre tantos outros nomes adotados pelos praticantes) é uma forma de ritual e magia relativamente nova, utilizando-se de quebras de paradigmas e alterações do estado de consciência (ora de formas excitativas, ora de formas inibitórias), como técnicas gnósticas, meditativas, sufis, orgásticas, ou com uso desubstâncias psicoativas.[1]

Princípios gerais

Mesmo que poucas técnicas sejam exclusivas da Magia do Caos, ela é frequentemente altamente individual e toma emprestado deliberadamente de outros sistemas de crenças, devido à crença central de que a crença é um instrumento. Algumas fontes comuns de inspiração incluem diversas áreas como ficção científica, teorias científicas, magia cerimonial tradicional,neoxamanismo, filosofia oriental, religiões e experimentações individuais. Não obstante a tremenda variação individual, os magos do caos frequentemente trabalham com paradigmas caóticos e humorísticos, como Hundun do taoísmo e Éris do discordianismo.

Magos do caos frequentemente são vistos por outros ocultistas como perigosos ou preocupantes revolucionários.

História

Austin Osman Spare era inicialmente envolvido com a Ordem da Golden Dawn, e por fora também com ordens como a O.T.O e a Astrum Argentum de Aleister Crowley; porém, mais tarde se afastou delas para trabalhar independentemente.

Dali em diante ele iria desenvolver práticas e teorias que iriam, após a sua morte, influenciar profundamente a I.O.T.. Especificamente, Spare desenvolveu o uso de sigilos, e técnicas envolvendo estados de êxtase para dar poder a estes sigilos. Spare também foi pioneiro no desenvolvimento de um “alfabeto sagrado pessoal”, e, sendo um artista plástico talentoso, usou imagens como parte de sua técnica de magia. A maior parte dos trabalhos recentes em sigilos remete ao trabalho de Spare: a construção de uma frase detalhando o intento mágico, seguida da eliminação de letras repetidas e a recombinação artística (normalmente simétrica) das letras restantes em uma só imagem formando o sigilo.

Embora ele não tenha originado o termo, e talvez não aprovasse o mesmo, hoje ele é visto como o primeiro Magista do Caos.

Após a morte de Aleister Crowley (e a do então obscuro Spare), a magia praticada pelos ocultistas remanescentes no Reino Unido tendeu a se tornar cada vez mais experimentalista, pessoal, e bem menos ligada às tradições mágicas estabelecidas pelas ordens. Reações a isso incluem a disponibilidade pública de informações secretas antes do século XX (especialmente nos trabalhos publicados por Crowley e Israel Regardie), o Zos Kia Cultus (nome do estilo de magia radicalmente inortodoxa de Austin Osman Spare), a influência do Discordianismo e seu popularizador Robert Anton Wilson, o Dadaísmo, e a grande popularização da magia causada por cultos folcloristas embasados em sistemas mágicos de Crowley, como a Wicca, e o uso de drogas psicodélicas.

O termo Magia do Caos apareceu pela primeira vez no Liber 0 (também chamado “Liber Null”) de Peter Carroll, publicado pela primeira vez em 1978. Nele, Carrol formulou vários conceitos de magia radicalmente diferentes daqueles considerados “mistérios mágicos” na época de Crowley. Este livro, junto ao “Psychonaut” (1981) do mesmo autor, mantém importantes fontes. magistas que se alinham a estas ideias costumam se chamar de várias formas, evitando repetir a mesma. Algumas destas formas de nomenclatura são: “Caoísta”, “Caota”, “Magista do Caos”, “Caoticista”, “Eriano”, “Discordista”, “Caoseiro”, dentre outros tantos nomes – por vezes muito bem humorados e/ou pouco polidos.

Carroll também co-fundou com Ray Sherwin O Pacto Mágico dos Illuminates of Thanateros, ou, na abreviatura mais conhecida, I.O.T., uma organização que continua a pesquisa e desenvolvimento da Magia do Caos hoje em dia. A maior parte dos autores e praticantes renomados de Magia do Caos mencionam afiliação ou algum grau de influência a esta. Porém, a Magia do Caos tem como característica marcante ser uma das vertentes de magia menos organizadas do mundo, fazendo isso propositalmente.

Quebra de Paradigma Mágico – ou “Quebrar o Ego”

Uma das mais curiosas questões da Magia do Caos é o conceito de Quebra (ou Troca) de Paradígma Mágico, ou “Quebra do Ego”. Usando o termo de Thomas Kuhn, Carroll criou a técnica de arbitrariamente modificar o modelo (ou paradigma) de magia das pessoas, uma questão principal na Magia do Caos. Através desta, o magista busca por trocar constantemente a crença em um paradigma, não apenas de forma linear como é visto nas outras pessoas, mas de forma objetiva e proposital, ziguezagueando entre crenças diferentes (e geralmente contraditórias) e “se aproveitando” dos resultados que elas geram sem ficar preso a nenhuma.

Esta quebra é encontrada não apenas em ritos, mas também no dia a dia, através da chamada “quebra do ego”.

Muitos caoístas uniram a Magia do Caos ao uso de diversas ciências modernas, entre elas a Psicologia e a Psicanálise.

Como a base de trabalho dos ritos caoístas consiste na total desconstrução de tudo rumo ao Caos (daí o nome Caoísmo), uma técnica muito utilizada no treinamento pessoal dos caoístas é a chamada “quebra do ego”, que consiste em negar e trocar gostos pessoais como uma forma de banimento pessoal, indo contra tudo aquilo que o ego acredita como pessoa, gerando em si mesmo a desconstrução buscada pela Magia do Caos. Um exemplo de quebra do ego é por exemplo, um vegetariano comer carne. Aqui cabe imaginação ao magista, para aplicar estes exercícios em âmbitos profissionais, sexuais, familiares, gregários, entre outros, e conseguir permanecer são – podendo ser até este conceito questionado.

O principal mote da Magia do Caos é: Nada é verdadeiro, tudo é permitido – atribuído a Hassan i Sabbah – O Velho da Montanha, líder da Ordem dos Hashishins que impôs seu poderio no Oriente Médio medieval, influenciando os Templários, e consequentemente as ordens de magia contemporâneas que neles se inspiraram.

Como o “Faze o que tu queres há de ser toda a Lei” de Crowley, essa frase é por vezes mal compreendida e interpretada de forma literal como “Não há verdade, então faça o que você quiser”, quando “Nada é verdadeiro, tudo é permitido” significa algo como “Não existe uma verdade objetiva fora da percepção pessoal; assim sendo, qualquer coisa pode ser verdadeira e possível”.

A ideia é que a crença é uma ferramenta que pode ser aplicada à vontade de formas conscientes. Alguns magistas do caos creem que ter crenças inusuais e por vezes bizarras é interessante como uma forma de considerar a flexibilidade de crenças e utilizá-las a seu dispor.

Magia do Caos no Brasil

A cada ano, novos magistas se tornam adeptos deste meta-sistema mágicko, especialmente no Brasil.

Encontra-se em plena atividade a sede sul-americana da I.O.T. com reuniões no Rio de Janeiro, e magistas independentes trabalham na divulgação da Magia do Caos, mesmo não pertencendo à I.O.T.

Fonte: Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Magia_do_Caos

A MULHER, A LUA E SEUS CICLOS

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Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunares com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo, assim, o contato com seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.

Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.

Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar de sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

O mundo atual – em que a maior parte das mulheres trabalha – ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.

Texto de Mirella Faur