QUAL A FINALIDADE DA VIDA?

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O ser humano vem ao mundo e logo pensa que o objetivo da vida é um ou vários destes: adorar um Deus, trabalhar, criar famílias, estudar, buscar prazeres, fazer o bem, acumular riquezas e tornar-se famoso. Então, encontra seu par conjugal, uma vocação, uma posição, uma carreira que lhe satisfaz. Além de um espaço só seu, quer ser respeitado e admirado. Aí surgem as dificuldades: o ser humano precisa lutar pela posição que, a seu ver, lhe pertence. Assim, começa uma batalha sem fim pela sobrevivência – às vezes oculta e extremamente astuta. Não raro é uma luta sem misericórdia, contanto que seja alcançada a meta tão cobiçada. Porém, ao encontrar alternadamente êxitos e fracassos, começa a sentir que esse combate se torna insuportável. A vida parece ser injusta e imprevisível.

Uma vez alcançado o objetivo cobiçado, o desejo satisfeito perde todo o seu encanto e esplendor, e outro objetivo aparece no horizonte. O ser humano sente a imperfeição, a crueza e o absurdo da vida. Vê as deficiências claramente diante de si e quer corrigi-las. Pensa que é possível existir uma vida melhor: uma vida de paz e de harmonia, uma vida sem exploração, violência e medo. Acredita que é possível instaurar esse novo estado.

Seus novos sonhos tomarão forma finalmente? Não! Eles sempre se transformam em ilusões e utopias. A vida é e permanece imperfeita. A meta atingida escorre pelas mãos e converte-se no oposto: o bem transforma- se em mal; a perfeição, em imperfeição; a alegria, em sofrimento. Toda ação gera seu contrário, e ambos aniquilam-se mutuamente.

O resultado é nulo, sempre nulo. A existência revela-se um desencanto, uma desilusão. O número de derrotas é excessivamente grande. Onde se pode encontrar a resposta para o anseio insaciável de viver? Os desejos ardentes, o querer e o buscar incessantes não representam o reconhecimento relutante de uma falha fundamental? Não são eles a lembrança inconsciente de um estado de vida perfeito que já existiu?

Não são uma tentativa de suprir e corrigir o próprio estado de imperfeição e, assim, restabelecer a condição de vida original? A aspiração por progresso e por uma vida mais harmoniosa, por cultura, ciência e religião não é o indício mais patente da imperfeição desta vida?

Entretanto, o ser humano não quer confessar seu desencanto. Não quer enxergar os míseros resultados de sua luta e de seus atos, pois prefere sonhar com o que perdeu há muito tempo: a perfeição. Por enquanto, ele se satisfaz com resultados insignificantes. Narcotiza-se com eles e simula esse estado de perfeição.

Dessa maneira, assume um curioso comportamento conflitante: nega a imortalidade, mas se esforça ao máximo por ignorar a morte. Iludindo-se, declara que o mundo é belo e tudo corre às mil maravilhas. Ele se imagina no apogeu do conhecimento e da cultura, comporta-se como um rei… Mas não deixa de ser um mendigo.

O objetivo do verdadeiro ser humano é retornar ao reino divino, ao campo da verdadeira existência, que fica completamente separado das limitações e constrangimentos da vida material e que um dia, há muito tempo, foi seu verdadeiro lar. Para tanto, ela nos acena com um ensinamento: o caminho da Transfiguração. É esse caminho que leva o homem interior a sair deste campo de vida perecível e transitório rumo ao campo de vida imperecível e eterno. A Transfiguração é a grande metamorfose do espírito, da alma e do corpo.

Durante esse processo de transfiguração, o homem mortal é elevado a um estado de consciência completamente novo. Esse estado é o caminho de iniciação do cristianismo original, tal como é descrito por João no Novo Testamento: “É preciso que eu diminua para que o Outro cresça”.

O Outro, o imortal, não se sente em casa neste mundo de opostos e antíteses, pois ele vem de uma ordem de natureza muito mais elevada. No entanto, quando o ser humano consegue encontrar e realizar esse caminho, pode retornar à fonte original: ao reino ilimitado, da unidade e da harmonia. E assim alcança, finalmente, a perfeição.

 

 Por: Fernando Leite  – Escola Internacional da Rosacruz Áurea

2 respostas em “QUAL A FINALIDADE DA VIDA?

  1. Boa tarde!
    Respondo em outra página, tem que fazer login, ainda não fiz.
    La está explicado o que entendo de tudo que e dito aqui .
    Obrigada

    Enviada do meu iPad

    >

  2. Estava muito bom o texto e todo raciocínio até entrar nessa parte transcendente.
    Minha incredibilidade sobre a vida após a morte ou qualquer que seja a continuidade vem da falta de evidência sobre alma ou espirito. Essas informações foram refutadas e descartadas da ciência, sim, não se fala mais de alma ou espirito uma vez que sabemos de onde vem todo processo cognitivo e de onde surgiu tais “achometros” da existência de uma alma.

    A finalidade da vida continua sendo uma incógnita, infelizmente não sabemos de onde viemos, porque estamos aqui – e as evidências apontam de forma clara que não tem nada depois.

    Se eu fosse atribuir valor a essa conclusão seria com certeza uma noticia rim, porem prefiro assim, aceitar uma verdade desagradável do que viver uma possível ilusão vinda de um conhecimento equivocado.

    Talvez ter um propósito seja uma necessidade humana, nada mais.

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